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Dinheirama Entrevista: Jo√£o Cristofolini, Empreendedor, Autor e Palestrante

por Conrado Navarro
3 min leitura

Hist√≥rias inspiradoras s√£o sempre √≥timas maneiras de mudar nossa forma de enxergar o mundo e nossas pr√≥prias limita√ß√Ķes. Gente que faz e decide mudar sem se preocupar com os desafios do caminho criam em n√≥s a energia para tentar fazer o mesmo, o que √© √≥timo para a autoestima.

Um de meus amigos pessoais tem essas caracter√≠sticas. Jo√£o Cristofolini √© um jovem empreendedor serial nas √°reas de educa√ß√£o, tecnologia, sa√ļde e social. Jo√£o √© tamb√©m Autor do livro ‚ÄúO que a escola n√£o nos ensina‚ÄĚ (Alta Books), Palestrante e sempre faz quest√£o de dizer que se v√™ como um ‚Äúapaixonado por aprender, compartilhar e construir novos neg√≥cios de impacto‚ÄĚ.

Nós tivemos a oportunidade de nos conhecermos pessoalmente e trabalharmos em alguns projetos de educação financeira, e conversar com o João é sempre um aprendizado muito legal. Você vai perceber isso em nossa conversa exclusiva para o Dinheirama:

Jo√£o, voc√™ tamb√©m acredita que empreender √© muito mais do que ter um neg√≥cio? √Č algo que podemos chamar de estilo de vida? O que tem a dizer sobre isso?

Jo√£o Cristofolini: Sempre digo que empreender √© um comportamento. E comportamento √© formado primeiramente por h√°bitos e atitudes mentais. Assim como ser ‚Äúpr√≥spero‚ÄĚ n√£o tem nenhuma rela√ß√£o com apenas ter dinheiro, ser saud√°vel n√£o tem nenhuma rela√ß√£o apenas com n√£o ter doen√ßas, empreender tamb√©m n√£o tem nenhuma rela√ß√£o com apenas ter um pr√≥prio neg√≥cio.

Tudo isso √©, sem d√ļvida, um estilo de vida que come√ßa dentro de cada um e n√£o fora, um conjunto de suas cren√ßas, pensamentos, h√°bitos, atitudes, prop√≥sito. Parece algo simples e ao mesmo tempo filos√≥fico ou autoajuda, mas √© o que diferencia pessoas de sucesso de pessoas comum.

Quando você entende isso, não apenas a nível conceitual, mas incorpora, vivencia e constrói esse comportamento interno, não importa o que esteja acontecendo na sua vida nesse momento. Nenhuma situação externa será capaz de mudar o seu comportamento, mas o seu comportamento será capaz de mudar qualquer situação.

Por exemplo, uma pessoa que incorpora a atitude e comportamento próspero pode chegar ao ponto de perder todo dinheiro, mas rapidamente o recupera e ganha ainda mais. Uma pessoa empreendedora pode falir um ou mais negócios, mas rapidamente se recupera e constrói novamente um negócio ainda maior.

Voltando ao exemplo anterior, o dinheiro √© um reflexo de um comportamento pr√≥spero, a sa√ļde √© um reflexo de um comportamento e estilo de vida saud√°vel, e o neg√≥cio pode ou n√£o ser reflexo de um comportamento empreendedor.

Tudo começa com a maneira que você enxerga o mundo, as coisas, os problemas, as oportunidades e tudo que está à sua volta. No caso do empreendedor, pode ser um problema/oportunidade para construir um novo negócio, assim como podem ser problemas/oportunidades para empreender dentro de um negócio atual, dentro de um projeto social, dentro da política e por ai vai.

Conte-nos um pouco de sua hist√≥ria profissional, como tomou suas decis√Ķes ao longo da carreira/vida e como o empreendedorismo surgiu em sua trajet√≥ria?

J. C.: Meu primeiro “MBA Empreendedor” foi aos 15 anos de idade, quando junto de minha m√£e tive a responsabilidade, ou obriga√ß√£o, de cuidar do neg√≥cio (academia) enquanto ela estava em sala de aula.

Era a primeira experiência profissional dela como empreendedora do próprio negócio, já que ela sempre atuou como profissional de Ed. Física, por sinal muito respeitada. E esse cenário costuma ser muito comum, principalmente no Brasil.

Profissionais ou especialistas em um assunto/√°rea resolvem, certo dia, ser donos de seu pr√≥prio neg√≥cio. O √≠mpeto vem daquele pensamento: ‚ÄúSe sou t√£o valorizado, qualificado na minha √°rea, por que devo trabalhar para os outros?‚ÄĚ.

Mas, pela falta de experiência empreendedora, descobrem (geralmente depois do negócio já estar aberto) que administrar um negócio é muito mais do que apenas oferecer um serviço ou criar um produto.

Voltando para minha história pessoal, foi exatamente o que aconteceu na academia. Com 13 anos de idade, comecei a ajudar esporadicamente na recepção depois da aula, nos dias que tinha mais movimento.

Naturalmente, não parei mais: de ajudante para o atendimento, depois líder da equipe de atendimento, gerenciamento da equipe como um todo, estratégias de marketing, administração, pessoas, sistemas e tudo o que envolve um negócio.

Gosto de dar esse exemplo, apesar de j√° fazer mais de 10 anos e hoje atuar em outros neg√≥cios, porque ele oferece algumas li√ß√Ķes muito interessante. Por exemplo:

A diferen√ßa entre o empreendedor-empregado e o empreendedor-empreendedor, a import√Ęncia de come√ßar o quanto antes, a import√Ęncia de passar por diferentes √°reas e se tornar um generalista e n√£o um especialista, a import√Ęncia de aprender na pr√°tica, de errar, de fracassar. Isso tudo n√£o tem MBA que entregue.

Hoje tenho projetos cada vez maiores nas √°reas de educa√ß√£o, tecnologia, sa√ļde e social. J√° tive a oportunidade de construir e fracassar alguns neg√≥cios e tenho muito orgulho de poder dizer isso ainda jovem; conheci e convivi com grandes mentores e cases de sucesso e tive a oportunidade de estudar muitos deles.

Quais foram os principais desafios que você enfrentou quando decidiu empreender e começar sua própria empresa? Como os superou?

J. C.: Falar de empreender sem falar de desafios, dificuldades e problemas é praticamente impossível, e comigo não poderia ser diferente de qualquer outro empreendedor. O primeiro desafio começa quando você decide ter seu próprio negócio e só termina quando você sai dele (às vezes acaba indo além disso).

Mas o que acredito ser mais importante para destacarmos aqui, e o que de fato pode contribuir para quem deseja empreender ou está empreendendo, é mudar o comportamento diante dos desafios. Nós, principalmente ocidentais, temos uma visão bastante distorcida de desafios, problemas, erros e dificuldades.

Nossa vida é uma evolução, a empresa é uma evolução, a sociedade é uma evolução. E toda evolução é um processo dolorido. Crescer dói, e empreender também dói.

O mais incrível é você olhar para trás e ver que grande parte dos problemas, que em muitas vezes pareciam insuportáveis, foram necessários para construir coisas que você nem imaginava serem possíveis.

Olhando para trás, parece fácil, mas na situação o mais importante é de fato mudar o seu comportamento sobre o problema, enxergar como uma oportunidade de você mudar, melhorar, inovar e crescer. Às vezes o desafio vem de uma forma sutil, outras vezes pode ser necessário o fracasso de uma empresa para o nascimento de outra maior.

√Č importante se desapegar, estar sempre aberto a aprender, a mudar e entender que a vida √© uma evolu√ß√£o. Essa √© a vida de um empreendedor e √© por isso que poucas pessoas chegam no topo, n√£o por serem melhores ou terem mais sorte, simplesmente porque n√£o desistiram no primeiro problema, no primeiro fracasso ou na primeira fal√™ncia.

O que mais vejo são pessoas começarem um próprio negócio, falirem e ficarem com trauma de empreenderem novamente. Justamente no momento que começaram a aprender a empreender, é triste ver essa falta de cultura ainda no Brasil e um desperdício de talentos e sonhos.

Preferi falar da necessidade de encarar os problemas do que dos problemas em si, afinal eles s√£o bem conhecidos por aqui (burocracia, carga tribut√°ria, falta de cultura, problemas de m√£o de obra, pouco apoio familiar etc.).

Olhando o aspecto positivo, que benefícios e vantagens enxerga no empreendedorismo como uma opção de vida? Para quem ele faz mais sentido?

J. C.: Não consigo imaginar minha vida sem empreendedorismo. Como tive o grande privilégio de muito cedo identificar que era isso que queria, essa era minha missão e propósito de vida, me apaixonei por essa opção.

O empreendedorismo tem algumas coisas mágicas que você dificilmente encontra em outras atividades. As mais importantes delas, em minha opinião, são: a capacidade de sonhar sempre e a possibilidade de deixar um grande legado. Para mim, uma vida sem sonhos é uma vida sem propósito; e uma vida sem propósitos é uma vida sem sentido.

Aqui voc√™ √© o √ļnico respons√°vel por estes sonhos, cabe a voc√™ realiz√°-los ou n√£o, voc√™ sai da situa√ß√£o de coadjuvante para ator principal. Voc√™ para de reclamar da educa√ß√£o, da sa√ļde, do transporte e come√ßa a pensar e se responsabilizar em como voc√™ pode fazer a diferen√ßa e melhorar o seu bairro, a sua cidade, o seu pa√≠s, ou por que n√£o o mundo?

Quanto maior esse sonho, mais pessoas você poderá impactar; quanto mais pessoas impactar, maior será o seu legado e seu retorno em todos os sentidos, inclusive e também financeiro. Essa é uma ótica de oportunidade, mas além dessa, acredito que cada vez mais vamos ver casos de necessidade.

O empreendedorismo já é, em muitos casos, principalmente em países desenvolvidos (e vai ser cada vez mais por aqui também), uma necessidade em função da mudança da economia e do modelo de trabalho.

Como saímos da evolução industrial, apesar de muitos ainda atuarem nela, e entramos em uma evolução da informação, conhecimento e transformação de pessoas, muitos empregos tradicionais vão deixar de existir.

Grandes empresas tradicionais v√£o desaparecer a partir da competi√ß√£o de ‚Äúpequenas‚ÄĚ startups e muitas pessoas v√£o se ver na necessidade de empreender para manter ou complementar sua renda.

Minha considera√ß√£o para voc√™ que est√° lendo √©: n√£o espere esse momento chegar e n√£o ache que em sua √°rea ele n√£o ir√° acontecer. Se voc√™ √© empregado, comece a cuidar de seu neg√≥cio, nem que seja em tempo parcial e em paralelo ao seu emprego. Existem diversas op√ß√Ķes para isso nos dias de hoje, principalmente com a Internet.

E você que já tem um negócio, não espere uma startup mudar o seu mercado, porque isso também vai acontecer, mais cedo ou mais tarde.

Em seu livro lan√ßado recentemente, “O Que a Escola N√£o Nos Ensina” (Alta Books), voc√™ cita 7 habilidades essenciais para o sucesso que n√£o aprendemos no ensino tradicional. Pode cit√°-las e falar um pouco mais do livro?

J. C.: A mensagem principal do livro √© mostrar que existem outras maneiras, mais eficientes e baratas de aprender ‚Äď n√£o apenas o processo tradicional que nos foi ensinado desde pequeno, de ir para escola, entrar em uma boa faculdade, seguir com uma p√≥s-gradua√ß√£o, MBA e etc.

O que mais vejo s√£o jovens saindo do ensino m√©dio e come√ßando uma faculdade por obriga√ß√£o dos pais ou da pr√≥pria sociedade, algo no sentido de ‚Äúter que ter um diploma universit√°rio‚ÄĚ, n√£o importa qual seja.

√Č estranho, veja s√≥: primeiro voc√™ escolhe um curso e depois pensa no que vai fazer, quando o l√≥gico e natural seria primeiro identificar o seu prop√≥sito e depois analisar o que vai precisar para alcan√ß√°-lo. N√£o faz mais sentido? Pode ser que um curso universit√°rio ajude ou seja necess√°rio, mas pode ser que n√£o (e isso acontece muito mais vezes do que voc√™ imagina!).

O modelo de educação atual foi criado no início do século passado, ou seja, a mesma coisa que um jovem aprende hoje seus avós ou bisavós também aprenderam. Acho isso esquisito. Em um mundo onde a informação e conhecimento mudam a cada dia, onde nem um jornal impresso diário consegue se manter atualizado, um curso centenário não teria a menor possibilidade de conseguir essa façanha.

Por ser um processo totalmente burocrático, a mudança é muito lenta e pequena, por isso cada vez mais pessoas de todo o mundo começam a buscar novas alternativas de estudo. Aliás, esse é um ponto em que precisamos mudar o paradigma; a palavra estudar hoje está relacionada a uma instituição de ensino tradicional.

Eu abandonei a faculdade para me dedicar aos meus negócios e minha educação autodidata, composta por dois livros semanais, palestras, TEDs, vídeos, cursos, mentorias e práticas. Mesmo assim, ainda me perguntam com frequência se não penso em voltar a estudar ou quando vou voltar a estudar.

Bom, como não posso mudar o sistema de ensino tradicional, escrevi este livro, não com o objetivo de dar as respostas sobre todos os temas, mas sim instigar o leitor a cada vez mais buscar informação, conhecimento e prática sobre essas habilidades que não aprendemos na escola e são importantíssimas para qualquer pessoa. São elas:

  • Aprender a utilizar a mente;
  • Aprender sobre empreendedorismo;
  • Aprender a vender;
  • Aprender sobre marketing e marca pessoal;
  • Aprender a ser um l√≠der;
  • Aprender sobre educa√ß√£o financeira;
  • Aprender a manter e cuidar da sa√ļde e espiritualidade.

Para isso, além do resultado de mais de 10 anos de estudo, prática e convívio com os maiores autores e experts destes temas, o livro conta com a participação especial de grandes nomes nacionais, inclusive Conrado Navarro e Andre Massaro (ambos da equipe Dinheirama) falando sobre educação financeira.

João, obrigado pela disponibilidade e parabéns pelo seu trabalho e livro. Como deve agir o leitor interessado em fazer contato contigo e ler seu material? Até a próxima.

J.C.: Eu que agrade√ßo seu convite, amigo Navarro, para ajudar de alguma forma a levar essa mensagem para o maior n√ļmero poss√≠vel de pessoas. Acredito que n√£o podemos depender de terceiros para mudar a educa√ß√£o de nosso pa√≠s. N√≥s, juntos, podemos fazer a diferen√ßa! Este livro √© apenas uma parte do que considero importante para esta grande miss√£o.

Quem tiver interessado em receber gratuitamente o primeiro cap√≠tulo do livro ‚ÄúO que a Escola N√£o Nos Ensina‚ÄĚ, pode acessar a p√°gina www.escolanaoensina.com.br. Para me acompanhar, minha p√°gina √© www.joaocristofolini.com.br. Muito obrigado e sucesso para todos!

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