Dinheirama Entrevista: João Kepler, Investidor Anjo e EmpresárioA história do Dinheirama é, felizmente, recheada de excelentes contatos e amizades. Temos muito orgulho de poder trazer para você, leitor, entrevistas, conversas, artigos e insights de profissionais qualificados e de destaque em suas áreas de atuação. A entrevista de hoje é mais um desses momentos especiais.

Conversei com João Kepler, Empreendedor serial, Blogueiro, Articulista e colunista de diversos portais e revistas, investidor anjo membro da Anjos do Brasil, Palestrante, espalhador de ideias digitais e melhores práticas em negócios. João é uma daquelas figuras que merecem atenção e cujas ideias são sempre muito interessantes.

Conversamos sobre empreendedorismo e, principalmente, sobre o investimento em startups, algo que ele vem fazendo como investidor anjo há algum tempo. Confira como foi nosso papo:

João, sempre que falamos em startups lembramos de jovens que tiveram uma grande ideia e, a partir dela, receberam aportes milionários de investidores para começar uma trajetória de sucesso. Apenas uma boa ideia é o suficiente para uma startup prosperar?

João Kepler: Na realidade, não! Eu só vejo isso acontecer nos “Contos & Causos” ou nas histórias mirabolantes baseadas no “American Dreams”. Uma boa ideia é apenas o começo, é um bom começo, é verdade, mas não o suficiente para atrair investimentos milionários. Ideias somente, na grande maioria da vezes, não são modelos de negócio bem definidos.

No meu caso, uma boa ideia como partida, se me interessar, serve para ativar um processo importante de estruturação e desenvolvimento da ideia apresentada. Isso envolve dinheiro também, obviamente pouco, mas em uma proporção suficientemente equilibrada à necessidade e a realidade do que se propõe a fazer.

O ponto seria: qual o mínimo (estrutura, dinheiro, apoio e etc.) necessário para fazer um MVP (mínimo produto viável)? Quando me apresentam um projeto já no mercado ou já gerando caixa, a minha pergunta é: por que estão precisando de mim?

Talvez por ser um Empreendedor Serial, eu me considero um Investidor Anjo estilo “passional”, que se apaixona pelos projetos e pelos empreendedores. Quando isso acontece, é impressionante a sinergia e a vontade de fazer acontecer. Gosto de gente, gosto de brilhos no olhos, gosto de atitude, gosto de empreendedor humilde e simples, trabalhador (24/7), gosto do cara que peca pelo excesso.

São esses os empreendedores que procuro. Quando eles também têm um bom projeto, que na essência resolve um problema específico e faz sentido a um mercado de nicho, bingo, eu me apaixono na hora.

Por outro lado, quando encontro emprendedores, digamos superdotados, cheios de termos modernos e metodologias, pitch decorado, fala difícil, que pretende que sabe de tudo, conhece todo mundo (faz questão de dizer isso!), adora um holofote, que fica esmolando e batendo nas portas de varias ventures e vive “vendendo” suas “versões betas” em todos os eventos, tipo “figurinha carimbada”, esses, eu faço questão de nem conhecer o Projeto.

E por onde começar a busca por investidores? Qual a melhor abordagem para quem tem uma startup nas suas diferentes etapas de desenvolvimento?

J. K.: Muito se fala em elevator pitch, business model canvas e etc. Na verdade, tudo isso é muito importante e necessário. Metodologias são muitos úteis, pois ajudam na preparação e na apresentação, desde que usadas como auxílio e inteligência (papel cabe tudo!). Para um investidor, o mais importante é conseguir ter visão de um todo.

Ninguém coloca dinheiro, pelo menos um investidor anjo como eu, em um negócio que não tenha bom senso, pé no chão e que possa mensurar com segurança e responsabilidade os possíveis resultados. Além disso, a busca por um investidor deve ser focada e de nicho. Por exemplo, meu core business é e-commerce, varejo e entretenimento, portanto, eu espero receber propostas e projetos nesta área.

O empreendedor me procura pelas redes sociais, faz comentários no meu blog, artigos, trocamos e-mails, conversamos por Skype e depois marcamos um café. Na verdade, o Empreendedor deve pesquisar antes de fazer qualquer abordagem, procurar, por exemplo, a biografia do investidor, segui-lo no Twitter, olhar o portfólio de empresas em que ele investiu, ver se você conhece alguém que possa fazer uma recomendação, enfim, entender SE esse investidor tem perfil e pode realmente te ajudar. Assim você não perde o tempo das duas partes.

Na hora de enviar seu projeto, faça antes de qualquer coisa, um resumo, uma folha, um sumário executivo e envie isso somente. Depois, se interessar, encaminhe o resto. Esse sumário deve ter um propósito e objetivos claros, informar possibilidades, o quanto precisa de investimento e porque, quanto pretende de receita estimada (qual, como, em quanto tempo e de onde vem o ganho e a monetização), retorno, público alvo, competidores e etc.

Enfim, você também pode, por exemplo, enviar seu projeto para a Anjos do Brasil diretamente pelo site www.anjosdobrasil.net com respostas para simples perguntas:

  • Oportunidade: Qual é a necessidade do consumidor que seu negócio irá resolver?
  • Solução: Como seu negócio irá atender a este necessidade?
  • Mercado: Qual é o perfil do seu cliente?
  • Recursos: Quanto precisa de $$$ e para que? Além de $$$ o que mais precisará?
  • Concorrentes: Quem são os principais concorrentes diretos e indiretos?
  • Inovação: Quais são suas diferenças com relação ao que já existe?
  • Time: Pequeno histórico de cada sócio e principais funções na empresa.

Não saia por ai feito louco enviando mailing e abordando todo mundo nos eventos. Isso é ruim, pois nós nos falamos e você perde credibilidade.

Você, além de ser um dos investidores anjo mais ativos no Brasil, também é CEO do Show de Ingressos e recentemente lançou, com alguns sócios, o Clube do Sapato. Conte um pouco sobre esse novo projeto. Como ele vai funcionar?

J. K.: Não sou o mais ativo do Brasil, apenas participo ativamente da cena empreendedora brasileira apoiando iniciativas, palestrando em eventos, sendo jurado em bancas avaliadoras, fazendo mentoria em Startups e na aceleradora StartYouUp.

Em todas as startups que eu participo como um dos anjos, como Hand Talk, Doity, Crowd.Mobi, DyeMoob, Classicos da Literatura, Ensino Cordel, ishelf, Clube do Sapato, Credencial, Campanha Mágica, iRabbit, entre outras e até mesmo no Show de Ingressos, tive a sorte de encontrar Empreendedores e sócios fundadores, muito acima da média.

Sobre a startup Clube do Sapato especificamente, é o mais novo investimento e se trata de uma oportunidade em um modelo de negócio que já é sucesso nos Estados Unidos, o serviço de assinaturas mensais para compra de produtos e serviços de vário tipos.

Os clubes de assinantes são, na verdade, um ambiente onde o consumidor paga uma quantia mensal em troca do recebimento regular de produtos. A grande sacada é a base de clientes recorrentes que, aliada à criatividade, identifica detalhadamente o perfil do assinante e pode buscar produtos mais específicos para os seus associados.

Assim, reúnem um grupo de pessoas em torno de um determinado tema, nicho e interesse comum e concentram ofertas exclusivas de um determinado segmento do mercado.

O sapato é, sem dúvida, uma das paixões do público feminino. Em relação ao preço, podemos afirmar que haverá uma diferença significativa do valor em relação ao praticado nas lojas de varejo?

J. K.: O www.clubedosapato.com é a mais nova operação de assinaturas de sapatos no Brasil e acaba de lançar um modelo de assinaturas diferente no mercado. O Clube tem 3 planos de assinaturas mensais, conforme perfil da cliente: R$ 80,00, R$ 110,00 e R$ 140,00 para produtos que custam mais do que o dobro no varejo tradicional.

A loja virtual está aberta para as sócias e não sócias. Sócias podem resgatar produtos com um sistema de pontuação e não sócias podem comprar pelo preço normal de varejo.

O clube tem uma rede social interna para assuntos relacionados à moda, acesso direto a blogs de moda associados ao clube, cartão presente, descontos exclusivos em estabelecimentos parceiros do Clube do Sapato, possibilidade de adquirir mais de um par de sapatos no mês, participação automática em sorteios e promoções, entre outras muitas outras novidades.

Enfim, uma verdadeira revolução na maneira de comprar e que mexe justamente com umas das paixões das mulheres de todo o Brasil.

Quando olhamos com cuidado o perfil dos investidores e aqueles que conseguiram alcançar o sucesso, sempre encontramos equipes enxutas e motivadas. Como motivar um time jovem e como encontrar esses talentos?

J. K.: Investidores bem-sucedidos investem em pessoas e não somente em negócios. Investir no digital é investimento em capital Intangível e, por isso, ter uma boa equipe na startup é fator fundamental para o sucesso da empreitada. O perfil e o capital intelectual do empreendedor faz toda a diferença no resultado.

Ainda bem que temos no Brasil uma infinidade de bons empreendedores que optaram por navegar neste oceano, não somente por necessidade, mas por absoluta vocação. Encontramos esses jovens em incubadores, universidades, coworking, eventos e grupos em redes sociais. Digo sempre aos meus pares e colegas investidores que não somos babás, mas para a coisa dar certo é preciso deixar o empreendedor focado no que interessa e nós cuidarmos de todo o resto.

Todos sabemos que o investimento anjo é um investimento de grande risco. Por que você decidiu se tornar anjo e qual tipo de análise você faz para diminuir o potencial de risco em suas escolhas?

J. K.: Eu não tomei esta decisão, ela aconteceu naturalmente. Primeiro, como empreendedor desde pequeno, sem nenhum apoio, tive que ser meu próprio investidor, depois apreendendo a buscar recursos e oportunidades para os meus negócios, no Brasil e fora dele, fui me envolvendo com pessoas que estavam neste ambiente e me interessei em ir além das minhas próprias ideias e as coisas foram acontecendo.

Com a geração de caixa dos meus negócios, fui investindo em outros. O meu segredo para não correr altos riscos é a proposta de valor, o tempo de mentoria, o investimento, o nicho e o perfil do empreendedor, essa é a minha equação ideal para ser assertivo na hora de entrar em uma nova aventura. Além disso, participar de um grupo de investimento com habilidades e conhecimentos complementares é sempre uma boa opção em dividir para somar.

João, agradeço muito sua entrevista. Por favor, deixe uma mensagem aos leitores do Dinheirama.

J. K.: Investir em negócios inovadores, não é somente colocar dinheiro, mas principalmente seu tempo, inteligência, networking e mentoria à disposição. Ser um advisor dos empreendedores, é isso que eles esperam de um bom investidor.

Nada se compara a emoção e a sensação de investir em negócio que resolva algum problema e que possa ser útil a sociedade. Se isso vem agregado com a valorização do seu capital investido ou remuneração do dinheiro maior do que o retorno nos investimentos tradicionais, melhor ainda. Eu que agradeço pelo espaço e fico à disposição. Até a próxima.

Foto: divulgação.

Ricardo Pereira
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