Com 22 anos de experiência repleta de sucesso no mercado financeiro, Jonas Fagá Junior já foi analista financeiro profissional no Brasil, fundou a primeira casa de research independente do país (O Clube de Vienna, em 2008), e hoje é investidor autônomo no mercado internacional. Desde 2016 vive na Europa e apesar de sua carreira notável, é pouco conhecido pelo mainstream brasileiro.

O Dinheirama foi à sua procura para tentar entender um pouco mais do incrível trabalho, e quais os segredos que estão por trás de suas recomendações. Aliás, o Jonas está lançando algo bastante revolucionário em termos de investimento e educação financeira, um curso sensacional! Se você não quer perder tempo e conhecer, clique aqui e veja o que ele preparou.

Obrigado por nos conceder essa entrevista, Jonas. Vamos lá, falando primeiro sobre seu impressionante track record. Em 2002 parece que você foi o único analista brasileiro a prever a enorme tendência de alta nos metais preciosos que começou ali e durou por cerca de uma década.

No final de 2006 você começou a alertar os investidores para o risco de um grande crash que teria origem na quebra do mercado imobiliário americano, fato que acabou se concretizando em 2008. Em janeiro de 2009, em pleno auge da crise, você recomendou aos seus clientes a montagem de uma carteira de ações, e o mercado recuperou os níveis anteriores rapidamente.

Depois disso você recomendou a troca de posições em bolsa por dólares e euros em pleno ano de 2010, quando todos diziam que o Euro iria desaparecer e o dólar estava condenado. Logo depois, uma enorme tendência de alta começou nessas duas moedas, que dura até agora. Em Fevereiro de 2016 você voltou a recomendar a montagem de posições em ações no Brasil, e ali foi exatamente o fundo que precedeu a tendência de alta que dura até hoje.

Você também recomendou aos investidores com acesso ao mercado internacional que adquirissem TESLA MOTORS pouco antes da empresa iniciar uma forte tendência de alta, entre inúmeras outras recomendações de sucesso.

Conte para a gente, de onde vem essa capacidade preditiva e porque, apesar dela, você não é um analista conhecido no Brasil?

Jonas Fagá Junior: Em primeiro lugar, muito obrigado pela oportunidade. Admiro muito o trabalho que o DINHEIRAMA realiza em prol da educação financeira no Brasil, e sou um grande admirador do Conrado Navarro. Para mim é uma honra estar aqui com vocês.

Bom, eu não acredito muito em “capacidade preditiva”. Vivo repetindo para os meus clientes e amigos que o futuro a Deus pertence, e que no mercado estamos sempre jogando com probabilidades. Quando temos essa consciência, fica mais fácil “acertar”, pois sempre tomamos os devidos cuidados para nos proteger no caso de estarmos errados, e quando a coisa dá certo, podemos navegar as tendências com tranquilidade.

Também por característica pessoal minha, eu prefiro  focar no que eu chamo de “megatendências”, ou seja, tendências longas e estáveis, nas quais podemos fazer poucas operações apoiadas em fundamentos sólidos. Desse modo, as operações nos exigem menos energia em termos de monitoramento, além de uma enorme redução nos custos de corretagem e impostos, por exemplo.

E pegando o gancho aqui, talvez seja exatamente essa a razão de eu não ser um analista “badalado”, afinal, as recomendações que eu faço são “chatas”, do tipo fazer uma compra e carregá-la por anos. Isso não é algo que chame muita a atenção do principal público investidor no Brasil, que adora um day-trade emocionante, e nem dos bancos e corretoras, por motivos óbvios.

Você está dizendo que o público investidor no Brasil é eminentemente focado no curto prazo?

J.F.J.: Sim, embora esse perfil venha lentamente mudando com o amadurecimento do mercado financeiro no Brasil. Ainda assim, se compararmos o percentual de investidores pessoa física nos mercados acionários do mundo desenvolvido com o percentual que temos no Brasil, a diferença é gritante.

Eu sempre defendi que nós, do mercado brasileiro como um todo, erramos ao ignorar aquele investidor que quer e que precisa aprender a investir, mas que não quer abandonar sua carreira ou sua atividade principal para se tornar um trader em tempo integral. Aquele investidor que não quer operar no intraday, ou com opções, e que também não quer ou não pode aprender todas as técnicas avançadas que conhecemos para lidar com esse tipo de mercado.

De um modo geral, as pessoas comuns, professores, médicos, advogados, engenheiros, profissionais liberais, empresários, donas de casa, etc, não encontram um ambiente muito propício às suas necessidades quando tentam se aproximar do mercado. O resultado é esse, baixa participação das pessoas físicas como porcentagem da população, e uma constante desconfiança em relação ao mercado como um todo, como se ele fosse algo restrito apenas aos especialistas.

Mas você não acha que as pessoas precisam se especializar para lidar com o mercado?

J.F.J.: Sim, mas nem todos no mesmo grau. Tudo depende do perfil. Por exemplo, se você quer ser um trader em tempo integral, se quer lidar com ativos de alto risco e operar de forma agressiva e especulativa, é claro que quanto mais dominar as técnicas avançadas, melhor.

Mas se você quer apenas fugir das altas taxas de administração e dos baixos retornos que encontramos na previdência privada e nos fundos oferecidos pelos bancos, por exemplo, e se pretende administrar seu capital de uma forma mais tranquila e focada nos resultados de longo prazo, não é preciso dominar assuntos mais complexos como Black & Scholes, alavancagem, margem, etc.

Eu acredito que o grande problema de não oferecermos formação adequada para esse público (salvo raras exceções), é que ele permanece refém do que eu chamo de “vendedores de produtos financeiros” que, na imensa maioria das vezes, estão mais focados em cumprir suas metas mensais de vendas do que preocupados em trazer retorno real aos clientes.

Parece que você não é muito adepto da especulação de curto prazo e prefere focar no longo prazo, é isso?

J.F.J.: Não exatamente. Novamente, tudo vai depender do perfil do investidor. Por exemplo, um jovem de 20 e poucos anos que viva com os pais, que tenha alguma fonte de renda regular, não tenha família para sustentar, tenha tempo de sobra para operar, disponha de um capital relativamente pequeno, etc, é um tipo de investidor que pode correr riscos maiores e tentar se aprimorar no daytrade e em “tiros mais curtos”, buscando retornos maiores enquanto se expõe a um risco também maior.

Na medida em que a pessoa vai envelhecendo, o tempo vai ficando mais escasso, o capital aumenta (assim como as responsabilidades), forma-se família, chegam os filhos, os parentes idosos começam a necessitar de apoio, etc, faz mais sentido para o investidor migrar lentamente para um perfil mais conservador, onde os retornos são mais estáveis e o risco é menor.

Tudo é uma questão de encontrar o mix certo para a condição particular de cada um. Não há uma fórmula fixa que sirva a todos. É a velha falsa dicotomia. Não precisamos escolher entre um ou outro. O ideal é saber como equilibrar as coisas entre um e outro. Ou melhor, o quanto de sua carteira você deve expor em cada uma das estratégias, de acordo com sua situação particular.

Perfeito. Mas você parece ter desconversado a respeito de seu track record. Qual é o segredo para construir uma história onde os acertos são mais numerosos do que os erros?

J.F.J.: Olha, Eu acho que em primeiro lugar é o esforço constante para manter a humildade. É muito tentador acharmos que somos bons em alguma coisa, principalmente quando obtemos resultados positivos, mas há uma frase atribuída a Napoleão que nunca sai da minha cabeça, na qual ele teria dito que “O momento mais perigoso é o da vitória”. A falsa crença de que conseguimos acertar porque somos realmente bons e melhores que os outros cria uma fragilidade que te leva imediatamente a baixar a guarda, se expor demais, e levar um grande tombo. Todos já experimentamos algo parecido.

“O orgulho precede a queda”, é outro aforismo que completa bem essa ideia. Na verdade, por mais que saibamos, estaremos sempre lidando com o desconhecido e com o imprevisível. Ter consciência disso te permite estruturar os investimentos de forma que, se as coisas não andarem como você imaginava, ainda assim você consiga se defender e até mesmo obter lucros. E obviamente, estudar sempre. O conhecimento é sempre o melhor ativo que podemos adquirir.

Falando em conhecimento, é verdade que foi você foi o primeiro a divulgar a Alocação de Ativos para os investidores pessoa física no Brasil?

J.F.J.: Acredito que sim. Quando eu comecei a estudar o assunto e divulgá-lo entre amigos, clientes e entre o leitores da Revista Timing, onde escrevi entre 2001 e 2004, o assunto parecia uma esquisitice de outro mundo para a maioria das pessoas. Ao longo dos anos, porém, fomos ampliando a discussão sobre o assunto em fóruns de investimento a tal ponto que hoje ele já não é mais novidade.

Muitas pessoas que começaram a tomar contato com a alocação através do meu trabalho se tornaram depois divulgadores da técnica, ao ponto de hoje termos dezenas de blogs e analistas defendendo essa estratégia. Isso também criou um problema, pois inúmeros blogueiros começaram a repetir o que aprendiam sem estudar o assunto e começaram a defender a alocação de forma um pouco teórica e superficial demais.

Isso acabou banalizando um pouco o assunto e até difundindo modelos um pouco frágeis nesse sentido, mas isso faz parte do processo de popularização do conhecimento, e não podemos ter controle de tudo o que todos fazem. Ainda pretendo trabalhar nisso de forma mais intensa em um futuro próximo.

E o Trinus Global, seu novo projeto, do que se trata?

J.F.J.: O Trinus Global é um projeto que eu pretendo que seja o formato final do meu trabalho. Depois de 22 anos de mercado eu resolvi enfim criar algo específico para esse público que percebo como um grupo esquecido e ignorado pelo mercado brasileiro, e oferecer a ele aquilo que ele merece e urgentemente necessita.

A dona de casa, o profissional liberal, as pessoas que já perceberam que precisam assumir as rédeas do seu destino financeiro, mas que não tem tempo de operar opções no intraday, não querem ter que aprender matemática financeira e também não querem mais depender de intermediários quanto à tomada de decisões.

Estou neste momento lançando a primeira turma do Curso Trinus Inteligência Financeira, que tem como objetivo formar essas pessoas de modo a torná-las aptas a assumir totalmente o controle do seu futuro financeiro, dedicando poucas horas por semana a essa tarefa, e libertando-as da necessidade de recorrer a intermediários que podem estar sob influência de outros interesses. É um curso para o qual não é necessário ter nenhum conhecimento prévio, e o conteúdo é facilmente assimilável por todos, apesar de bastante significativo. Eu nunca vi nada igual sendo oferecido no mercado brasileiro.

Mais tarde pretendo também realizar um curso de Análise Técnica para ensinar aos interessados as bases de como eu a pratico (e que podem ser conhecidas através do meu canal do Youtube), e ainda um outro curso sobre operação no Forex com as famosas janelas de abertura, uma técnica sensacional que utilizo com frequência.

Então basicamente O Trinus Global será uma plataforma de cursos, é isso?

J.F.J.: Não apenas. Em cerca de dois meses planejo colocar no ar também um serviço de recomendações para o mercado global, mas esse serviço ainda está em fase de estruturação. Um ano de assinatura grátis está sendo oferecida em um projeto piloto para os participantes desta primeira turma do curso.

Onde as pessoas podem saber mais sobre o curso?

J.F.J.: Bom, a primeira turma vai começar agora, no dia 3 de março, e a segunda turma desse curso só ocorrerá por volta de outubro, mas até o dia 28 de Fevereiro estamos aceitando matrículas, pois ainda temos algumas vagas disponíveis. Se alguém se interessar, é só seguir este link (clique e conheça) e encontrará todas as informações necessárias.

Jonas, desejamos que sua carreira continue tendo o sucesso que sempre teve, e esperamos que possa compartilhar mais conosco seus insights a respeito do mercado.

J.F.J.: Muito obrigado. Foi uma honra participar desta conversa, e desejo ao DINHEIRAMA e a todos os leitores sucesso redobrado.

Conrado Navarro
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