Mudar a trajetória profissional é um grande desafio, especialmente se isso acontece após anos de uma carreira muito bem sucedida. Quem pensa em mudar de rumo muitas vezes apenas sente que a vida não está caminhando bem, mas não sabe exatamente como percorrer a tal trajetória da mudança, nem sequer como começar, não é verdade? Desta vez, o papo é com Juliana De Mari, que teve uma brilhante carreira como jornalista, até que, após muitos questionamentos e aprendizados, decidiu se tornar coach para mulheres através da PROSA Coaching.

Durante mais de 20 anos em redações, Juliana passou por jornal, TV e revistas, tendo sido diretora de redação da VOCÊ S/A e da VOCÊ RH, e liderando a mudança editorial na virada de marca da NOVA para a Cosmopolitan no Brasil. Com a mudança de trajetória, se formou em coaching pelo ICI (Integrated Coaching Institute) e é credenciada pela ICF (International Coaching Federation). “Nunca me senti tão realizada quanto agora, porque, por meio do coaching, consigo atuar de forma muito direta para a realização de outras pessoas e isso é realmente um processo muito gratificante!”, conta.  Confira a conversa e inspire-se!

Para começar, você poderia contar um pouco sobre sua trajetória profissional e também sobre como percebeu que deveria realizar uma mudança nesta trajetória?

Juliana De Mari – Sou uma jornalista que virou coach para mulheres depois de uma carreira de mais de 20 anos em redações, como repórter, editora e executiva. Trabalhei muitos anos com gestão de carreira e gestão de pessoas, e depois, em 2014, fui para o mundo das femininas, liderando a mudança editorial na virada de marca da NOVA para Cosmopolitan no Brasil. Passei uma fase bastante inquieta, embatucada, como gosto de dizer!, sem entender qual poderia ser minha nova atividade, até que resolvi pedir ajuda a pessoas em quem confiava com uma pergunta: o que você acha que eu poderia fazer, se eu não fizesse o que estou fazendo agora?

Nesse processo, ouvi insights maravilhosos que me fizeram valorizar competências que eu tinha. Duas pessoas me sugeriram o coaching como possibilidade. Fui fazer a formação porque gosto de aprender, mas, honestamente, não tinha grandes expectativas por causa do tanto de uma certa banalização do coach como atividade que acontece no Brasil.

Pois, na primeira aula, acendeu a luzinha e eu entendi que aquele conteúdo era um ferramental importante que eu gostaria de oferecer para ajudar no processo de mudança de outras pessoas! Ali, eu decidi que queria apoiar mulheres, já que a minha inquietação era a de muitas outras com quem eu conversava. Os motivos eram diferentes, mas a vontade, a mesma: contar uma nova história sobre si mesma, colocar mais vida na própria vida, assumir a vontade de mudar e se dar permissão para experimentar. Saí da Abril em 2016 e, desde então, já atendi perto de 100 mulheres, em várias cidades (faço atendimentos presenciais e por Skype).

Pode contar um pouco mais sobre a Prosa Coaching?

J.M.: – Ofereço serviços que funcionam como apoio para facilitar a mudança relacionada a qualquer aspecto da vida. Entendo a situação e, junto com a cliente, investigo recursos para identificar possibilidades de fazer as coisas de um modo diferente e, assim, gerar novas sensações, experiências e atitudes. Costumo dizer que a minha PROSA é um lugar de afeto, onde eu espero “afetar” quem me procura de um modo que combine sensibilidade à concretização, o lado emocional e o lado prático.

Coaching não é terapia, mas toda conversa é terapêutica e o ato de falar pode ser um ato de cura e transformação muito poderoso quando vem acompanhado de pequenas ações para testar novas atitudes. O coaching é um processo de autodesenvolvimento que gera mais clareza, mais organização, mais perspectivas, mais experiências e, ao mesmo tempo, mais foco. A minha expectativa é levar a minha PROSA para um número cada vez maior de mulheres, para que elas possam cuidar de si mesmas com a mesma vontade e dedicação com que estão acostumadas a achar que devem cuidar de tudo e de todos.

Com relação a mudanças de rumo profissional, muita gente acaba sequer parando para avaliar diferentes opções, ainda que esteja infeliz  certo? Como sei que realmente está na hora de procurar algo novo?

J.M.: Um dos sinais de que está na hora de procurar algo novo (ou de fazer algo de uma forma nova no mesmo lugar!) é quando você deixa de sentir o que precisa para estar bem. Quando está trabalhando apenas para dar conta de necessidades, como ter um salário para pagar as contas ou um cargo para identificar o que faz no mundo, mas teria a oportunidade de buscar outra coisas para fazer. Há momentos na vida em que é possível que o trabalho seja só um meio de sobrevivência, claro, mas, se for o caso, é preciso estar consciente disso para buscar, fora dele, a alegria, o entusiasmo, a paixão, ou seja lá o que você precisa para se sentir “pulsando”, em vez de viver reclamando da situação! Prestar atenção a como você se sente fazendo o que faz diariamente pode funcionar como alerta para mudar o que você pode, inclusive ficando no mesmo trabalho.

A pessoa sabe que quer mudar de carreira, mas não sabe para onde ir. O que avaliar?

J.M.: Vejo muita gente que fica angustiada quando bate a inquietação por mudança porque imagina que deveria ter uma “paixão” que pudesse substituir um trabalho que ficou chato por um contexto de maior realização. Eu sugiro começar trocando essa ideia de “iluminação”, de busca “passiva”, pelo exercício ativo da curiosidade. Que interesses você tem? Onde eles podem levar você? A partir daí, outra investigação bem-vinda é descobrir o seu jeito de fazer as coisas, quando você não está fazendo por obrigação. Quando você está cuidando da casa, como você faz? Quando está tocando um projeto paralelo no trabalho, como faz acontecer? Como você pode relacionar seus interesses a esse seu modus operandi? O que há de conexão entre as duas coisas?

É sempre possível aproveitar experiência e know how anteriores quando se pensa em mudar de carreira? Ou necessariamente é preciso estar preparado para começar do zero?

J.M.: A gente sempre carrega nossos conhecimentos e nossa experiência. Porém, isso não quer dizer que não vai haver a necessidade de estudar e aprender coisas novas, inclusive a como usar o que já é bagagem em um novo contexto, com novas pessoas, para novos objetivos. O “começar do zero” pode ser relativizado quando se faz esse tipo de relação e essa compreensão, em um processo de transição, pode ser muito importante pra gerar mais ânimo, confiança e coragem de seguir em frente testando e tentando.

Existe prazo de validade para recomeçar profissionalmente? Ou sempre é possível tentar coisas novas?

J.M.: Sinceramente, na minha visão, prazo de validade é coisa pra quem não se renova! Quem está aberto a aprender, quem está aberto a experimentar, quem está aberto a ir além do que já conhece, pode ser capaz de se reinventar tantas vezes quantas forem necessárias. Talvez, no contexto de mundo em que estamos vivendo, não vá haver mais emprego pra todo mundo, emprego clássico, com carteira assinada e progressão de carreira como aprendemos com nossos pais. Mas ocupação, coisas pra fazer, atividades que remuneram e geram aprendizados, com certeza, isso vai continuar existindo!

Como lidar com o medo de começar algo novo? Como sair da zona de conforto para tentar buscar mais felicidade no trabalho?

J.M.: Experimentando fazer pequenas coisas novas e diferentes. A mudança, como diz a estudiosa Herminia Ibarra, especialista em identidade de carreira, não se dá por introspeção, só pensando no problema, sabe? É preciso fazer alguma coisa prática. Como se faz isso? Usando a curiosidade. Prestando atenção aos seus interesses quando não é sua obrigação. É o caso de alguém que começa a frequentar aulas de mindfulness ou Yoga e vai se envolvendo até o ponto em que percebe que já tem tanto conhecimento e experiência naquela área que poderia levar a sério a vontade de sair da empresa onde trabalha no marketing pra dar aulas particulares a quem está querendo um novo estilo de vida.

Em um evento realizado pela rede Héstia, você citou a importância de imaginarmos as sensações que queremos sentir ao definirmos algumas situações e programações na vida, certo? Pode explicar um pouco melhor?

J.M.: Sensações estão diretamente relacionadas a valores. Ao que nós precisamos experimentar para estar bem na vida. Quando a gente usa a nossa lista de sensações como parâmetro, tende a tomar decisões mais assertivas e favoráveis. Quando não há clareza em relação a isso, podemos vivenciar um conflito grande porque estamos fazendo coisas e tomando decisões que nos distanciam do que realmente é importante. Por exemplo, se eu tenho a aventura como uma das minhas sensações básicas, a ideia é prestar atenção na rotina pra entender o que é possível fazer de diferente para começar a experimentar mais dessa sensação. Será possível mudar o caminho para o trabalho? Fazer um curso de algum assunto inédito no meu repertório? E por aí vai.

Sempre temos muito mais recursos do que estamos usando, porque estamos acostumados a pensar que só dá pra fazer as coisas do jeito que a gente sempre fez. E isso não é verdade! É só uma crença. Que limita nossas experiências e nosso aprendizado. Toda vez que a gente sai da lista de tarefas e vai pras sensações, volta pro que tem que fazer com uma sensação de estar modelando a vida do jeito que a gente quer muito maior do que só dando check na agenda!

Finalmente, poderia dar algumas dicas para quem está insatisfeito com o trabalho e/ou carreira hoje, mas não sabe por onde começar?

J.M.: Uma coisa importante é entender se essa insatisfação tem a ver com a atividade que a pessoa faz, com o modo como faz, com o lugar onde está ou se é apenas cansaço. Muita, mas muita gente mesmo!, acha que o problema é o trabalho e quando começa a conversar comigo vai percebendo que gosta do que faz, só que está vivendo uma rotina massacrante! O que tem que mudar, então? O trabalho ou a rotina?

Já para quem percebeu que não quer mais fazer o que está fazendo, vale organizar isso que está pensando e sentindo com um atendimento de coaching e começar a prestar atenção não só ao currículo, mas também ao seu jeito de fazer as coisas. Estão aí, escondidas, possibilidades de mobilizar habilidades que não necessariamente são técnicas, mas que podem vir a ser diferenciais para outras atividades. Como alguém que trabalha na contabilidade e é a pessoa a quem todos recorrem no escritório para pedir conselhos e ajuda prática e pode transformar isso, essa escuta, que é fácil e natural pra ela, em um trabalho terapêutico ou de mentoria, por exemplo.

Janaína Gimael
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