Kleber Piedade tem dois grandes projetos inovadores sob sua responsabilidade: a Matchbox, uma HRtech (Human Resources Technology) que está crescendo a passos largos, e a E-moving, empresa da área de mobilidade que toca junto com o sócio Gabriel Arcon, e que foi disputada pelos “tubarões” no programa Shark Tank Brasil, da Sony, conseguindo um investimento de R$ 400 mil dos empresários Edgard Corona, fundador da rede de academias BioRitmo e Smartfit, e Caito Maia, fundador da rede de lojas de óculos Chilli Beans.

Kleber, de 33 anos, se formou em Marketing na ESPM e já passou por empresas como a Kodak, Diageo, Basf e Pernod Ricard antes de começar a empreender. Ele parece estar sempre acelerado, afinal, a responsabilidade vem em dose dupla; e brinca que a correria já lhe gerou uns bons fios de cabelos brancos. Ainda assim, arrumou tempo para uma conversa agradável e divertida para o Dinheirama. Conheça um pouco mais deste empresário cheio de ideias interessantes e seus projetos inovadores que estão dando o que falar.

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Como começou sua história no empreendedorismo?

Kleber Piedade: Me formei pela ESPM, cheguei a trabalhar em agência, mas vi que não era o que queria. Então fui para a área de Trade Marketing em empresas, nas quais volta e meia havia projetos de empreendedorismo interno. Em 2011, iniciei minha primeira startup. Junto com o Luis Abdala fundei a Seja Trainee, cujo objetivo era preparar o jovem para o mercado de trabalho através de um trabalho individual com técnicas de coaching e simulações de processos de entrevista. Meses depois compramos o portal My Trainee.com parcelado em 10 vezes. Algumas empresas começaram a nos procurar e montamos uma área especifica para atender empresas na área de Talent Aquisition. Foi aí que começou.

Então desde o início você está muito ligado à área de Recursos Humanos, certo? Como foi a criação da Matchbox, que é considerada uma HRtech, uma startup no setor de RH?

K.P.: Pois é, me formei em Marketing e acabei pendendo para a área de RH, que me fascina muito. Estamos lidando com o principal ativo das empresas, que são as pessoas. E com a Seja Trainee chegamos a atender cerca de 800 jovens, ajudando-os a se prepararem para o mercado. No fim do ano passado, depois de 5,5 anos, a parte de empresas já representava 80% do nosso faturamento e pensamos que estava na hora de um reposicionamento. Uma consultoria de branding nos ajudou e aí surgiu a Matchbox. No meio do caminho a gente comprou uma empresa de gamificação e tecnologia para processos seletivos, a Repense Games, e os fundadores se tornaram nossos sócios. A Matchbox foi lançada oficialmente em 28 de julho deste ano e tem sido uma loucura. O retorno do mercado tem sido muito positivo!

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Conte um pouco sobre os diferenciais da Matchbox. O que vocês oferecem ao mercado?

K.P.:Trazemos uma proposta de inovação e tecnologia para Talent Aquisition, para os processos de recrutamento das empresas. Percebemos que hoje tudo ainda é muito manual. Gasta-se um tempo enorme fazendo ligações, por exemplo, e estamos oferecendo automação para que as empresas possam economizar tempo e dinheiro. Só a KPMG economizou cerca de R$ 150 mil porque não precisou fazer 112 dinâmicas ao contratar o nosso  game. Hoje é um chatbot (uma espécie de assistente virtual) que faz a inscrição dos candidatos de um processo seletivo em 4 minutos. Não é preciso ficar preenchendo formulário gigantescos, é uma experiência mais rica para ambos os lados. E os testes de lógica também foram substituídos por games, simulando a resolução de problemas reais.

E como funciona o processo de inovação? Vocês estão constantemente de olho para oferecer coisas novas?

K.P.:Sim, temos um roadmap de desenvolvimento e entendemos que é um processo constante. Para isso, procuramos referências em outros mercados, como é o caso do mercado de marketing, já que a jornada de um candidato é parecida com a jornada de compra, ou seja, dá para usar alguns softwares semelhantes para RH. Nós procuramos olhar para as áreas que estão mais avançadas em seus mercados e também para fora do Brasil. A área de RH é carente de soluções para tornar o dia a dia do profissional de RH mais estratégico.

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E com relação à E-Moving, como surgiu a ideia de criar uma empresa de aluguel de bicicletas elétricas?

K.P.:No começo de 2015 meu escritório ficava a 5,5 km de casa, Nunca pensei em ir de bicicleta para o trabalho mas meu sócio descobriu um leilão de bicicletas elétricas e me perguntou se eu não queria que ele comprasse uma para mim. Aquilo resolveu meu problema de deslocamento e pensamos que poderia resolver o problema de outras pessoas também. Foi aí que surgiu a ideia de montar a E-moving. Começamos com 10 bicicletas, trouxemos amigos e familiares que aplicaram um primeiro dinheiro e chegamos a ter 100 bicicletas. Depois fizemos uma rodada de investimento anjo e resolvemos participar do Shark Tank. Nosso público é formado por executivos, advogados, bancários, e etc. O CEO da Oracle é nosso cliente, e é claro que na Oracle já temos vários clientes pois um recomenda para o outro!

Me conta um pouco sobre a participação de vocês no programa?

K.P.:Vimos como uma oportunidade de mídia. Passamos pelo processo seletivo, que é extenso, e conseguimos ir lá gravar. Foi muito legal porque acabamos sendo disputados entre os tubarões. Acabamos optando pelo Edgar e pelo Caito (o primeiro é fundador da BioRitmo e da Smartfit, e o segundo, da Chilli Beans – os dois ficaram com 12% de participação na empresa) e tem sido gratificante trabalhar com eles. Estamos crescendo 15% ao mês. Hoje temos 250 bikes. Haviam 170 antes de participar do programa. Alugamos para pessoas físicas e para empresas também. As empresas vêem a bike como um benefício para o funcionário.

E como são geradas as tuas ideias para a criação de negócios?

K.P.:Meu mindset sempre foi atuar em problemas reais e áreas relevantes. É muito de você enxergar sua vida no dia a dia e ver oportunidades de melhorias e uma solução que traga mais eficiência. Todos os segmentos que estão passando por disrupção têm por objetivo resolver problemas reais das pessoas no dia a dia. É o caso das fintechs, das insuretechs, e etc. Hoje eu procuro levar duas soluções para quem se torna cliente de ambas as empresas: economia de tempo e de dinheiro.

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E quais os principais desafios?

K.P.:Os dois negócios são negócios de criação de cultura. Você tem que gerar um novo hábito para a pessoa deixar o carro em casa e pegar a bicicleta. Ou convencer um RH de empresa a trabalhar com inteligência artificial. Para vencer este desafio, nós buscamos early adopters que queiram adotar as soluções e nos ajudar a revolucionar estes mercados. E falando em Brasil especificamente, também tem a questão do empreendedor ter desafios relacionados à agenda tributária, empecilhos que o governo nos coloca. Mas penso que o que faz as melhores empresas são as melhores pessoas. Você tem que se cercar de pessoas melhores que você para crescerem juntos.

Para finalizar, como você vê as duas empresas em 5 anos?

K.P.:A E-Moving nós criamos para ser global. Acreditamos que a bicicleta eletrica é uma solução que funciona em todas as grandes cidades, como São Paulo e Londres. Mas primeiro queremos uma base sólida, expandir nacionalmente e depois levar para fora.

Já com relação à Matchbox, queremos nos tornar uma referência em HRTech, estando à frente das tendências, otimizando os processos e criando uma relação transparente entre empresas e candidatos para possibilitar a melhor contratação. Fazemos sempre uma analogia com relacionamento afetivo: é algo sério, tem que alinhar as expectativas, os lados têm que se conhecer e os valores têm que bater para não gerar frustração.

Janaína Gimael
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