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Dinheirama Entrevista: Luiz Eduardo B. Ribeiro, Co-fundador da Liga Empreendedora

por Conrado Navarro
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Empreendedorismo √© sempre um tema muito comentado e pedido entre nossos leitores, al√©m de ser, confesso, uma de minhas paix√Ķes. Empreender como um estilo de vida √© uma escolha que fiz h√° muito tempo, e os resultados t√™m sido fant√°sticos. Liberdade, independ√™ncia e desafios s√£o os aspectos que mais aprecio.

Acontece que empreender no Brasil não é assim tão simples e está longe de ser uma saída garantida para o sucesso. Conversei sobre os desafios e as maravilhas de empreender com o Luiz Eduardo Bento Ribeiro, goiano de 27 anos, co-fundador da Liga empreendedora da Unicamp e apaixonado pelo potencial transformador do empreendedorismo.

Formado em Engenharia El√©trica pela UFG, Luiz Eduardo hoje √© mestre doutorando pela Unicamp, trabalhando com sensores microeletr√īnicos e com suas aplica√ß√Ķes na microflu√≠dica. Foi finalista do Desafio Unicamp de modelo de neg√≥cios, acelerado pelo projeto Inova Descobre com a startup Kyklos e organizador do Startup Weekend Campinas 2013/2014.

Acompanhe nosso papo:

Luiz Eduardo, como você enxerga o ecossistema de empreendedorismo no Brasil? Há incentivos suficientes para tornar essa opção de vida viável para um grande grupo de pessoas ou escolher esse caminho ainda é muito arriscado?

Luiz Eduardo B. Ribeiro: Ainda n√£o temos um ecossistema de empreendedorismo din√Ęmico e bem desenvolvido no Brasil, sobretudo quando falamos do empreendedorismo associado √† inova√ß√£o tecnol√≥gica, que tem boa comunica√ß√£o com as universidades e centros de pesquisas.

Atualmente, a insegurança e o baixo incentivo ao aspirante empreendedor mantêm o modelo familiar como principal tipo de empreendedorismo no país, um empreendedorismo movido basicamente pela necessidade financeira.

Com isso, o Brasil perde, pois o desenvolvimento empresarial acompanha somente a motiva√ß√£o pessoal e, muitas vezes, deixa de gerar um maior impacto socioecon√īmico. Tudo isso nos deixa bem distantes de grandes ecossistemas, como o do Vale do Sil√≠cio e Israel, para ficar em dois exemplos conhecidos.

Conversando com os nossos membros e mentores, percebo que o empreendedorismo no Brasil ainda é visto como algo muito arriscado e muitas vezes nem se considera o empreendedorismo como uma opção de carreira no meio universitário.

Segundo uma pesquisa realizada pela Endeavor Brasil, um terço daqueles que empreendem já tem um bom exemplo dentro de casa para se inspirar, só assim sentem-se mais seguros para se aventurar no empreendedorismo. Uma fração preocupante, se levarmos em conta que apenas 4% da população brasileira possui empresas com funcionários.

Muitos se atêm apenas aos riscos, deixando o medo extinguir com o sonho de seguimento da carreira. Falhar, no entanto, deve ser encarado como aprendizado que aproxima a ideia da realidade. Outros acreditam que para ser um grande empreendedor necessita-se de dom, como se já nascêssemos predestinados.

O que cada vez mais confirmamos é que ambas ideias são equivocadas, já que a maioria das empresas de sucesso são compostas por pessoas que acreditaram e aprofundaram seu aprendizado sobre o que é empreender, se qualificando cada vez mais para corresponder às exigências do consumidor.

Os empreendedores necessitam de habilidades comportamentais que não são ensinadas nas salas de aula, como conhecer melhor a si mesmos e a realidade em que estão inseridos. Mas, para isso, é necessário maior incentivo educacional específico para prepará-los e motivá-los.

Portanto, um grande passo a ser dado √© aumentar a toler√Ęncia ao erro, ensinar a verificar quais ideias s√£o v√°lidas com menor custo de recursos. Depois disso, divulgar os exemplos de sucesso de grandes empresas que utilizaram de forma √©tica ideias inovadoras para transformar problemas em solu√ß√£o. Assim, mais pessoas poder√£o ser inspiradas a criar empresas rent√°veis e com mais impacto positivo para a sociedade.

Como voc√™ enxerga os desafios que temos relacionados a quest√Ķes como burocracia, carga tribut√°ria e legisla√ß√£o trabalhista? Isso impacta as startups? De que forma?

L. E. B. R: As startups são um tipo de organização particular, pois trabalham num ambiente muito novo, estão testando um serviço ou produto em um mercado que às vezes ainda nem existe e precisa ser criado.

Nesse ambiente, as empresas que se destacam são as que conseguem trabalhar com maior rapidez para escolher os caminhos mais viáveis para o sucesso. Ou seja: velocidade é tudo! Ter consciência que no Brasil a burocracia é um complicador e que os impostos são altos é crucial antes de formalizar uma ideia.

Esse assunto, entretanto, é tratado como um desafio para os empreendedores durante sua jornada e não como fator desanimador. O importante é consultar quais tributos podem incidir sobre a nova empresa e colocá-los no plano de negócios para evitar surpresas. Além disso, é importante buscar contadores que são especializados em dar suporte para startups na área tributária, contábil e financeira.

Por outro lado, existe projeto de lei que isenta por dois anos os tributos federais para startups da área de tecnologia com faturamento bruto trimestral menor que 30 mil reais. Apesar de ser um limite de faturamento muito baixo, isso nos indica um avanço que deve se acelerar nos próximos anos.

Conte-nos um pouco mais sobre a Liga Empreendedora. Vocês criaram um grupo para incentivar o empreendedorismo a partir de encontros frequentes?

L. E. B. R: A Liga Empreendedora é um grupo formado por universitários da graduação, da pós-graduação e ex-alunos da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Nossa missão é estimular, capacitar e apoiar os empreendedores conectados ao ambiente universitário.

O grupo fomenta a cria√ß√£o de novas empresas na universidade atrav√©s de iniciativas como palestras motivadoras e de inspira√ß√£o com empreendedores de sucesso, rodadas de avalia√ß√£o de modelos de neg√≥cios (apresenta√ß√Ķes de novas empresas em frente a um p√ļblico dividido em grupos de clientes, investidores e empreendedores), meetups (encontros entre empreendedores de perfil t√©cnico e administrativo contando com a presen√ßa de mentores e investidores), al√©m de treinamentos e workshops em diversas √°reas e eventos que estimulam a cria√ß√£o de novas empresas.

Nós apoiamos empreendedores com dois modelos de empresas: empresas de base tecnológica, que possuem como desafio construir novos negócios a partir de tecnologias geradas na universidade, e empresas de internet, que atuam na inovação do e-commerce.

Na Unicamp, realizamos diversas iniciativas de treinamento, bate papos e palestras com empreendedores e executivos de diversas √°reas. Nomes como Cristiane Correia (jornalista da revista Exame e autora do livro ‚ÄúSonho Grande‚ÄĚ), Fabr√≠cio Bloisi (fundador da Movile), Igor Santiago (fundador da I-Systems) e Gabriel Benarr√≥s (graduado em Stanford e fundador da Ingresse.com) j√° participaram de iniciativas promovidas pela Liga Empreendedora no campus.

Vem ai o Startup Weekend em Campinas, de 17 a 19 de outubro, organizado por vocês. Explique para nosso leitor o que é o Startup Weekend, seus objetivos e como ele funciona.

L. E. B. R: O Startup Weekend é um evento que dura 54 horas, ao longo de um fim de semana, no qual empreendedores, desenvolvedores, designers e entusiastas se unem para compartilhar ideias, formar equipes e criar protótipos de empresas. O modelo do evento, que já foi realizado em mais de 700 cidades do mundo, tem a missão de inspirar, educar e capacitar times e comunidades através do trabalho prático.

O evento começa na noite de sexta-feira, dia 17, com o palco aberto para os participantes compartilharem suas ideias e inspirarem outros a se juntar a seus times, pois só as ideias mais votadas são escolhidas para formação de times.

Durante o sábado e o domingo, os times focam em encontrar um modelo de negócios e criar um produto, utilizando metodologias e ferramentas como Lean Startup, Business Model Generation e Customer Development. Na maior parte do tempo, haverá mentores à disposição dos participantes para auxiliar e instigar a execução da ideia.

No domingo, os times apresentam o que construíram, recebem feedbacks valiosos de jurados e podem até sair com um investimento. Os melhores são aqueles que colocam o plano de negócio em prática e provam que o seu produto é viável e vendável.

No ano passado, contamos com cerca de 120 participantes e treze protótipos de startups. Os três melhores foram premiados, mas não foram só eles que continuaram com seus projetos. O trabalho intenso desses três dias evidencia as habilidades individuais dos participantes, incentiva o networking e mostra o dia-a-dia de uma Startup. O aprendizado é imenso.

Nosso leitor interessado em iniciar o pr√≥prio neg√≥cio sempre nos pede sugest√Ķes e dicas para se preparar para este desafio. O que voc√™ tem a dizer para o aspirante a empreendedor?

L. E. B. R: Acredito que a melhor forma de iniciar o pr√≥prio neg√≥cio e ser bem-sucedido √© utilizar ferramentas pr√°ticas e objetivas. Hoje, sabemos que para reduzir o risco √© necess√°rio verificar se a ideia √© v√°lida no menor tempo poss√≠vel, evitando o desperd√≠cio de recursos. Por isso, desenvolver a habilidade de testar o que j√° foi aprendido deve vir antes do novo aprendizado. O conte√ļdo te√≥rico √© muito importante, mas deve ser aprendido com a m√£o na massa.

Outro ponto crucial s√£o as conex√Ķes que criamos. Isso acelera o aprendizado atrav√©s dos exemplos de sucesso e nos possibilita compartilhar o projeto com pessoas que tem habilidades complementares √†s nossas.

Luiz Eduardo, obrigado por sua participação. Por favor deixe uma mensagem final sobre empreendedorismo e formas de contato para que o leitor possa manter-se próximo do assunto. Obrigado.

L. E. B. R: Acredito que incentivar e preparar as pessoas para o empreendedorismo √© o caminho mais curto para o avan√ßo social e econ√īmico de um pa√≠s. Ainda temos que trabalhar para conseguir diminuir a burocracia e os impostos sobre aqueles que est√£o come√ßando, afinal, no longo prazo, √© mais interessante para a arrecada√ß√£o nacional que as empresas flores√ßam.

Por fim, devemos aumentar a toler√Ęncia ao erro. Se tivermos mais gente tentando viabilizar novos modelos de neg√≥cios, teremos mais erros, por√©m proporcionalmente mais acertos. E apenas um acerto pode ser suficiente para cobrir os custos das tentativas mal sucedidas.

Para ficar por dentro das nossas atividades, os leitores podem acessar o site www.ligaempreendedora.com e para mais detalhes sobre o Startup Weekend Campinas basta clicar aqui. Obrigado e até a próxima!

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