Como é bom saber que cada vez mais gente séria, competente e de bem tem voltado suas ações para o ensino e compartilhamento de experiências ligadas ao crescimento financeiro e educação financeira.

Hoje apresento o amigo Marcelo Guterman, também conhecido na Internet por Dr. Money, é Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica (USP), Mestre em Economia e Finanças pelo Insper, profissional CFA, Professor do MBA de Finanças do Insper por 10 anos, nas cadeiras de Avaliação de Investimentos e Administração de Carteiras.

Marcelo tem mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro, e hoje trabalha em uma empresa de gestão de fundos de investimento e se dedica também a escrever textos e livros sobre finanças e investimentos em linguagem acessível, como em “Investindo com Dr. Money” (clique e conheça), sua obra mais recente.

Nós conversamos sobre educação financeira, como investir de forma inteligente e o que levar em consideração diante de um cenário de crise. Confira nosso papo:

Marcelo, conte-nos um pouco sobre como surgiu esse apelido de Dr. Money e quais são as principais lições que você faz questão de abordar em seu trabalho de educação financeira.

Marcelo Guterman: Conrado, a ideia do “Dr. Money” surgiu da noção de que, assim como você vai ao médico para cuidar da saúde do seu corpo, deveria haver um “médico” que cuidasse da saúde do seu bolso. Este é o Dr. Money, um médico diferente, que cuida do órgão mais sensível do corpo humano: o seu bolso!

Com relação às lições que faço questão de abordar, penso que o mais importante é desmistificar o tema investimentos. Quando o leigo pensa em investimentos, sempre lembra daquele grande mestre, do Warren Buffett ou do Sthulberger. E então ou desiste, ou sonha em ser como um deles.

A imensa maioria de nós nunca será um grande investidor por falta de talento, foco ou tempo, mas isso não significa que não possamos investir com sucesso, bastando para isso fazermos as perguntas certas: qual o meu objetivo e qual a minha aversão a risco?

Procurar não vincular o investimento ao cenário de curto prazo, mas aos seus objetivos de curto, médio e longo prazos é o ideal. Bastante relacionado com isso está um segundo pilar da minha filosofia de investimentos: dificilmente você vai ficar rico com investimentos. Portanto, deveria focar no seu trabalho e encarar investimentos como uma forma de manter e, se possível, aumentar o poder de compra da sua poupança.

Como você enxerga as iniciativas de educação financeira existentes hoje no Brasil? O que chama mais sua atenção em termos de resultados interessantes e o que, na sua opinião, ainda precisa de mais investimento e repercussão?

M. G.: Vejo o tema ganhando relevância e espaço, o que é natural em um país onde cresce a classe média com renda suficiente para poupar. Mas ainda estamos distantes de países mais desenvolvidos, principalmente os EUA, onde a figura do “financial advisor” é muito comum.

Então, vejo crescendo iniciativas, como blogs e sites, que procuram atender a esta demanda nascente, mas ainda falta muito para termos o que realmente fará a diferença na vida das pessoas: o consultor de finanças pessoais. E digo isso não porque não existam profissionais capacitados, mas porque o brasileiro não vê valor nesse tipo de consultoria.

Muitas pessoas perdem rios de dinheiro com decisões financeiras equivocadas, mas ainda preferem a “consultoria” do gerente do banco. É interessante como a ideia de se consultar com um médico soa natural para as pessoas, mas o mesmo não ocorre com um consultor de finanças pessoais.

Normalmente, as pessoas não se automedicam, mas quando se trata das suas próprias finanças, têm uma aversão enorme a pagar por uma “consulta”.

Como fica o lado do cidadão em termos de interesse no tema “dinheiro e investimentos”? Mesmo admitindo que finanças são algo essencial para o dia a dia, tenho a sensação de que falta interesse e estudo do assunto por conta própria. Você concorda? Como mudar isso?

M. G.: Acho que adiantei um pouco da resposta na questão anterior. Poucas pessoas têm a disciplina, a perseverança e o tempo necessários para aprender por conta própria. Mesmo porque o mundo das finanças é complexo, e mesmo pessoas com disciplina podem não ter a aptidão para o assunto.

Assim, penso que deveríamos ter escritórios de consultoria de finanças pessoais a preços acessíveis para a classe média. Esse tipo de consultoria é muito comum para os mais ricos, através dos chamados “family offices”, mas a oferte é ainda pequena para a classe média.

E a oferta é pequena porque a demanda é pequena, como expliquei na resposta anterior. Livros como “Investindo com Dr. Money” e tantos outros excelentes na praça são complementares a este esforço.

O que você tem a dizer para os pequenos investidores que tanto ouvem falar de recessão, 2015 complicado e por ai vai? Como se proteger da crise e, melhor ainda, aproveitá-la?

M. G.: Vou responder com um caso real. Em 2011, uma amiga tinha comprado um apartamento e iria usar o FGTS para complementar a entrada em um ano. Parte desse FGTS estava aplicado em ações da Petrobras. A pergunta que essa amiga me fez foi: valeria a pena deixar o FGTS aplicado na Petrobras, ou retorná-lo para o FGTS, que rende TR+3% ao ano?

A Petrobras já tinha iniciado o seu processo de derrocada, mas nada apontava para o desastre que iria acontecer nos anos seguintes. Eu confessei para essa amiga minha ignorância sobre o que iria acontecer com Petrobras nos 12 meses seguintes, mas uma coisa eu sabia: não seria nada prudente deixar um dinheiro que seria usado dali a um ano para pagar a casa própria aplicado em ações.

Um ano é um prazo muito curto para se ficar em ações. Portanto, o melhor seria tirar o dinheiro da Petrobrás e voltar para o FGTS. Minha amiga me agradece até hoje o conselho porque Petrobras caiu muito nos 12 meses seguintes. O fato é que o conselho teria sido acertado também se a Petrobras tivesse subido muito.

O caso é que ela já tinha o dinheiro para dar a entrada do apartamento, por que então apostá-lo na bolsa? Essa é a minha filosofia de investimentos: determine o seu objetivo e monte sua carteira de acordo com ele. Esqueça o mercado, porque na verdade ninguém sabe o que vai acontecer com ele.

Vou dar outro exemplo bastante significativo e que tem a ver com esse cenário complicado que estamos vivendo: em 2002, quando Lula foi eleito, o mercado estava extremamente pessimista, pois ninguém sabia realmente o que o novo presidente iria fazer.

No final, ele surpreendeu a todos com uma política econômica ortodoxa e a bolsa subiu quase 100% em 2003. O mesmo aconteceu em 1999, ano em que o Brasil estava “quebrado” e a coisa parecia caminhar para uma catástrofe. Então, o governo FHC deixou a moeda flutuar e adotou o sistema de metas de inflação. Um ano que começou catastrófico terminou com uma alta da bolsa de 150%.

Essa é outra regra importante: cuidado com os consensos!

Parabéns pelo lançamento do livro “Investindo com Dr. Money”. O que o leitor encontrará no livro e como adquiri-lo?

M. G.: A ideia do livro é transmitir conceitos básicos de finanças, tanto teóricos quanto práticos, de maneira leve e divertida. Dr. Money é um dinheirologista, um cientista do dinheiro, que vai explicando os conceitos com a ajuda de dinheirologistas de outros séculos: Mounsier Cifron, Don Diñeron e Mr. Dindin.

Na primeira parte, procuro explicar como fazer um plano de investimentos (objetivo, aversão a risco, horizonte de investimento), além de explorar conceitos como risco e diversificação.

Na segunda parte, descrevo os principais instrumentos de investimento no mercado brasileiro: títulos públicos, ações, títulos privados, imóveis, previdência privada. O livro está sendo vendido através deste link (clique aqui) e nas principais lojas de eBooks do Brasil.

Marcelo, obrigado pela disponibilidade e parabéns pelo trabalho. Deixe uma mensagem para o leitor que deseja manter contato com você, além de conhecer melhor seu trabalho. Até a próxima.

M. G.: Conrado, eu é que agradeço pela oportunidade! Para os leitores que quiserem entrar em contato, tenho dois sites: o Blog do Dr. Money, onde você vai encontrar muitos artigos sobre investimentos, e o Vigilantes do Orçamento, site onde disponibilizo ferramentas para o controle financeiro pessoal.

Além disso, tenho minhas páginas no Facebook (Dr. Money e Vigilantes do Orçamento) e minhas contas no Twitter (Dr. Money e Vigilantes do Orçamento). Valeu pela oportunidade e até a próxima.

Conrado Navarro
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