Você sabe exatamente como funcionam e para que servem os produtos de seguros? Aqueles que envolvem a vida ainda são vistos como supérfluos, sendo contratados por apenas 7% da nossa população. O risco de agir assim é muito grande e denota falta de planejamento financeiro e preocupação com a família.

Conversei sobre isso com Marcio Martins, Empresário, Administrador de Empresas e Educador Financeiro com MBA em Controladoria. Marcio é sócio na empresa Teoli&Martins Consultoria e Corretora de Seguro de Vida Ltda, Palestrante e Consultor na área de Educação Financeira e Blindagem Familiar e Patrimonial.

Confira como foi nosso papo:

Marcio, é consenso entre especialistas que seguros de vida e morte não são valorizados pela população brasileira. Qual a sua opinião sobre as raízes deste problema?

Marcio Martins: A raiz deste problema está na questão cultural quanto ao planejamento financeiro de vida de longo prazo e não quanto ao produto em si. Quando pensamos nos brasileiros e na sua forma de conduzir a vida em todos os aspectos, percebemos sempre mais ações reativas do que preventivas.

Na saúde, buscam ajuda médica apenas quando sentem alguma dor ou incômodo e na vida financeira não é diferente. São raras as pessoas que se programam ou fazem um orçamento mensal para alinhar todas as receitas e despesas, preferindo viver a vida sem se preocupar com o futuro (imagine só com relação ao seguro de vida).

Outro ponto a considerar: o seguro de vida foi um produto apresentado como moeda de troca durante décadas, uma prática que vem perdendo força. Hoje, o seguro de vida passa por mudanças quanto ao entendimento da população brasileira, mas ainda existe muito espaço para trabalhar essa questão de forma inteligente e com resultados.

Uma questão importante que sempre levanto diante dos amigos que trabalham com seguros é: como convencer as pessoas da importância dos seguros? Pela sua experiência, o que funciona melhor neste sentido?

M. M.: A melhor forma é conscientizá-las, e não apenas tentar convencê-las. Posso te convencer de algo que você não concorda, porém é bem diferente quando você se conscientiza sobre aquilo. E nesse caso basta apresentar alguns cenários de imprevistos financeiros que poderiam vivenciar (algo a que todos estamos sujeitos).

É preciso mostrar a necessidade que cada família possui de blindar financeiramente as pessoas que mais amam, deixando-as mais tranquilas e sem o peso de ter que tomar atitudes precipitadas diante de uma situação mais complexa.

Ninguém acorda pela manhã com vontade de comprar um seguro de vida, em contrapartida nunca vi uma viúva reclamar por ter recebido um benefício de um seguro de vida. A verdade é que muitos pensam possuir todas as garantias para manter o padrão de vida em casos emergenciais, mas na prática não é isso que acontece.

Trabalhar de acordo com as reais necessidades da família e mostrar os benefícios do verdadeiro seguro de vida em cada uma das situações é a melhor forma de conscientizar as pessoas da sua importância.

Se você tivesse que indicar 5 seguros essenciais, quais seriam? Por que?

M. M.: Como a minha especialidade é seguro de vida, os que eu mais recomendo são:

Seguro para diagnóstico de uma doença grave: esse seguro é extremamente importante, pois trata de uma cobertura apenas pelo diagnóstico de uma doença. Imagine só o tamanho da preocupação de uma família ao descobrir que uma doença séria foi diagnosticada? Será que o plano de saúde cobrirá todo o tratamento?

Se o plano de saúde não for suficiente, como lidar com a questão? O paciente não fará o tratamento adequado por falta de recursos? Por isso esse seguro é essencial! Ele preservará suas reservas financeiras e não te deixará refém do plano de saúde, e com uma opção a mais: tratar a saúde de maneira adequada e mais confortável.

Seguro para a renda da família: um dos itens mais importantes na estrutura familiar é o de manter o padrão de vida já acostumado pela família. Ou seja, as contas em dia.

Aqui abordamos itens como alimentação, água, luz, telefone, itens essenciais para que uma família viva de forma digna e feliz. Agora imagine que, por conta de algum imprevisto, você não consiga mais gerar renda para a sua família. Quem assumiria as contas?

Por mais que existam reservas financeiras e algum patrimônio, será que as reservas seriam suficientes? Por quanto tempo? Ninguém deseja abrir mão rapidamente do patrimônio construído para que o padrão de vida não fosse afetado. Esse seguro tem a função de garantir que o padrão de vida da família não seja atingido.

Seguro para renda hospitalar: esse seguro tem a função de manter a renda mensal do segurado caso ele tenha que se ausentar de suas atividades por conta de uma internação hospitalar. Qual seria o impacto na sua renda caso você ficasse 20 dias internado no hospital? Como ficariam as contas do mês?

A pessoa que possui esse seguro fica muito mais tranquila para trabalhar, pois sabe que se algo acontecer com ela, mesmo em casos de internação hospitalar por período longo, poderá fazer o tratamento adequado sem se preocupar com sua receita, pois esta será mantida.

Seguro para invalidez parcial: Estamos constantemente expostos a riscos, certo? São vários os casos de invalidez parcial provocada por algum tipo de acidente. Talvez a perda da visão de um dos olhos, do movimento de uma das pernas ou de um dos braços; infelizmente, estas são situações do cotidiano humano e, acredite, elas acontecem.

Será que você teria a mesma força para continuar gerando a renda que gera hoje? Será que conseguiria manter o ritmo de trabalho fora de casa? E se você precisar de alguém para ajudar com as principais rotinas do dia, como seria?

Esse seguro tem a função de proteger a sua vida em caso de uma invalidez parcial para que você tenha um tratamento adequado sem ter que anular as pessoas que estão ao seu redor.

Seguro resgatável: é uma modalidade de seguro muito interessante, pois além de garantir uma cobertura para casos de morte e de invalidez (no formato clássico), se nada ocorrer nesse período a pessoa poderá resgatar parte do capital segurado, por exemplo, para ajudá-la sua terceira idade ou naquela viagem dos sonhos com a família.

Esse tipo de seguro tem uma função tripla: protege o segurado, forma uma reserva financeira para realização de projetos e, além disso, dependendo do tipo do seguro resgatável contratado, ainda deixará um legado (herança), com um ponto importante a considerar: cobertura para doenças graves para toda vida.

Nesta modalidade de seguro, além da opção do resgate de parte do capital segurado, o período de pagamento desta apólice é determinado pelo próprio segurado. Findado o prazo, a cobertura permanecerá valendo sem a necessidade de contribuição, além de todas as garantias descritas acima.

Quais os principais cuidados que o cliente deve ter ao analisar diferentes opções de seguros e seguradoras? Como escolher o produto ideal e ter segurança para não ter problemas em caso de sinistro?

M. M.: Essa é uma pergunta muito importante, pois o que vemos atualmente são pessoas que não são especialistas no assunto” vendendo produtos” apenas para bater suas metas.

O grande diferencial ao se contratar o seguro de vida está na qualidade e na capacitação do profissional (corretor de seguros) envolvido nessa análise, além da experiência e da estrutura que a seguradora envolvida possui. O básico também é fundamental: saber se os profissionais envolvidos possuem o registro que os autoriza a exercer a atividade (SUSEP).

No momento da escolha do melhor seguro, veja se todas as suas necessidades estão incluídas no mesmo e se o profissional está ligado à uma seguradora séria e idônea. Esses são itens essenciais para ter as garantias de que, caso ocorra um sinistro, você e sua família estarão tranquilos financeiramente.

As pessoas acreditam que o patrimônio formado ao longo da vida serve como seguro para os familiares em caso de morte ou algum problema grave. Isso faz sentido? Qual a sua opinião quando o assunto é balancear investimentos e seguros?

M. M.: Construir patrimônio hoje é, sem dúvida, uma das coisas mais trabalhosas que existe. Imagine só o quanto você teve que trabalhar para conquistar tudo o que tem hoje. Agora, imagine também colocar tudo isso em risco para cobrir uma necessidade causada pela morte financeira ou física de um familiar?

Neste caso, sempre oriento as pessoas da seguinte forma: por que “acabar” com o patrimônio que poderia ser usado de outra forma se temos uma ferramenta mais adequada para fazer isso? Vamos deixar o seguro de vida exercer a sua função! Vamos deixar o seguro proteger todos esses itens da nossa vida sem colocar o patrimônio em risco.

O que você acha desse pensamento? O problema é que o verdadeiro seguro de vida não é conhecido pelas pessoas e, por isso, muitas delas acabam se apegando ao patrimônio para casos de emergências financeiras e isso não é o ideal.

Balancear seguro com outros investimentos é muito interessante, desde que o seguro faça a sua função. Investimentos servem para alavancar o padrão da família, enquanto o seguro foi pensado para blindar e proteger tudo isso.

Marcio, obrigado pela disponibilidade. Por favor deixe uma mensagem final sobre a importância dos seguros para o leitor que ainda não valoriza este importante passo do planejamento familiar. Até a próxima!

M. M.: Falar de seguro de vida no Brasil ainda é um grande desafio, pois a forma como o seguro de vida foi apresentado durante muito tempo para os brasileiros, tornando-o uma moeda de troca, criou um conceito distorcido do mesmo.

Falar de morte, invalidez e acidente é extremamente difícil, mas são itens que podem bater à sua porta sem avisar, podendo trazer consequências ainda mais avassaladoras.

Saiba que o seguro de vida é muito mais do que receber algo depois que alguém morre; é também desfrutar de um benefício em vida e com qualidade. Portanto, consulte um especialista em seguro de vida que saiba analisar suas necessidades.

Obrigado e parabéns ao Dinheirama por ceder este espaço para lições importantes sobre seguro de vida. Até a próxima!

Conrado Navarro
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