Dinheirama Entrevista: Marcos Silvestre, Educador Financeiro e EconomistaQuem não quer ficar rico? Pois é, mas o significado de riqueza é muito pessoal e subjetivo. A única certeza é que para atingir nossos objetivos e sonhos precisamos abrir as portas do conhecimento para a educação financeira e o aprendizado relacionado ao dinheiro. Como o tratamos, onde o investimos e se somos consumidores conscientes são alguns dos aspectos que merecem atenção.

Para tratar destes assuntos, conversamos com Marcos Silvestre, autor do best-seller “12 Meses para Enriquecer – O Plano da Virada” (Ed. Lua de Papel). Há 21 anos atuando como educador e planejador financeiro, idealizou na UNICAMP o PROF® (Programa de Reeducação e Orientação Financeira), conjunto integrado de programas em educação financeira pessoal, aplicados tanto individualmente a diversas famílias, quanto coletivamente aos colaboradores diversas organizações do país.

Fundador da SOBREDinheiro® Sociedade Brasileira de Estudos sobre Dinheiro, Marcos é também articulista e autor de guias utilitários, além de apresentador de coluna diária e do programa semanal “Na ponta do lápis” na BandNews FM, em rede nacional. Empreende o Projeto Tesoureiros do Reino®, iniciativa de ação voluntária em educação financeira solidária e é Diretor da Silvestre Educacional.

Trazemos mais uma entrevista exclusiva sobre os cuidados com o seu bolso. Não deixe de participar da promoção listada ao final do bate papo e faça contato direto com o Marcos pelo site www.oplanodavirada.com.br. Confira nossa conversa:

As mudanças econômicas no Brasil permitiram a ascensão de milhões de brasileiros a um novo patamar de consumo. A nova realidade acirrou o consumismo e a inclusão social pelas posses. Como tornar a educação financeira e o tema “planejamento financeiro” aspectos agradáveis e desejáveis em nossa sociedade?

Marcos Silvestre: Em uma sociedade de consumo – e o mundo globalizado é uma grande sociedade de consumo – todos desejam consumir. Consumir é bom, mas, para ser sustentável, o consumo tem que ser consciente, seja do ponto de vista ecológico, seja do ponto de vista das suas finanças pessoais. Os bons educadores e planejadores financeiros tem se esforçado para desenvolver abordagens pedagógicas cada vez mais leves, mais descomplicadas, até bem humoradas.

No entanto, cuidar bem do seu dinheiro – e cuidar de extrair o máximo de qualidade de vida dele – jamais será uma “brincadeira”, sempre demandará disciplina e comprometimento, partindo da noção bem realista (e sábia!) de que o esforço de planejar e gerir melhor seu relacionamento com o dinheiro é absolutamente imprescindível para determinar o quão boa sua vida neste mundo será (a sua e daqueles a quem você ama).

Mesmo quem não gosta de planejamento financeiro, mesmo quem considera esta área um “xarope amargo”, é melhor tomar sua dose se quiser preservar sua saúde financeira e material.

Quais são as principais características das pessoas bem-sucedidas financeiramente? O que o leitor mais jovem pode aprender com estas pessoas? Como colocar em prática tais lições?

M.S.: Quem se dá bem com dinheiro invariavelmente cultiva em sua vida quatro providências combinadas (a falta de uma delas comprometerá seriamente as outras três):

  1. Qualificar-se profissionalmente ao máximo, trabalhar e ganhar o máximo que conseguir (de forma ética!);
  2. Ter gastos mais econômicos, sempre enxutos e bem controlados, focados em seus verdadeiros objetivos de qualidade de vida;
  3. Ter dívidas mais prudentes, evitando assim o pagamento desnecessário de juros que achatam seu poder aquisitivo;
  4. Ter investimentos, e investimentos mais dinâmicos, para ganhar juros sobre juros (e de forma mais acelerada!), sem abrir mão da segurança, mas sempre acreditando que poupar e investir antes, ganhar juros durante, juntar e depois poder comprar à vista e com desconto é a melhor forma de “enriquecer” em sua vida financeira, a melhor maneira de extrair máxima qualidade de vida do dinheiro que – realisticamente falando – você conseguir produzir com seu trabalho nesta vida.

O orçamento doméstico é a ferramenta que auxilia no controle e previsão de gastos e receitas familiares. Quais os principais pontos que merecem atenção neste sentido? Há um limite ideal para o endividamento?

M.S.: É indispensável controlar seus diversos pagamentos na ponta do lápis (nas planilhas ou no programa de computador ou mídias móveis). Hoje em dia, a gente gasta dinheiro com muita coisa; se não controlar, perde de vista, e dinheiro “distante” é dinheiro “a perigo”. Então tem de controlar. Mas só controlar não basta! Se for para anotar todos os seus desembolsos e não mudar nada em seus hábitos de compra e consumo, bem como em suas decisões de dívidas e investimentos, é melhor nem registrar nada, porque será perda de tempo.

Por isso, quem estiver disposto a organizar o orçamento deve saber “planejar” + “executar o planejado” + “controlar o executado”. Daí, com bom senso e criatividade será possível gastar menos sem viver pior (vivendo até melhor!), liberando dinheiro bom para quitar dívidas preocupantes e iniciar investimentos dinâmicos. Planejar e controlar gastos é o princípio de um ciclo virtuoso no uso do dinheiro.

Dívida verdadeiramente boa, só há duas: a quem você nunca fez e a que você já quitou. Porque dívidas implicam em pagamentos de juros – e quem paga juros empobrece -, quando deveria estar enriquecendo seu poder de compra e consumo ao ganhar juros em seus investimentos. Assim, o planejamento e gestão de suas finanças pessoais devem sempre mirar uma situação (ainda que distantemente futura) de dívida zero.

Ficar rico, “acumular um milhão de reais”, “milionário”, são muitas as palavras para definir um desejo de muitos jovens: ter muito dinheiro. Até que ponto esse anseio é saudável e como aproveitá-lo para tomar melhores decisões?

M.S.: Ter muito dinheiro para quê? Para viver bem! Então vamos mudar o foco: o objetivo final não está nos “cifrões” que você conseguir acumular, mas nos “sorrisos” que você puder dar e proporcionar a quem ama nesta vida (às vezes até quem você nem conhece, doando seu dinheiro a anônimos com boas causas humanitárias). O dinheiro deve ser um meio, um servo, uma alavanca para produzir sorrisos na vida da gente e no mundo.

Quem fica obcecado com os números perde o mais importante: cuidar dos gastos, dívidas e investimentos para que, com o dinheiro que você consegue realisticamente fazer no seu trabalho, possa cuidar de todos os seus pagamentos de forma harmônica. Em outras palavras, o foco deve ser a conquista de equilíbrio na relação com o dinheiro, distribuindo-o de forma balanceada entre suas diversas necessidades e preferências, sempre de acordo com suas possibilidades.

Se, para se realizar você acredita que é preciso juntar um milhão (ou dois, ou três…), e se der para se planejar para chegar lá, muito bem, vá fundo e faça! Mas planeje e gerencie seu dinheiro para poder viver bem. Conheço ricos multimilionários que não vivem bem, mas também sei de gente com renda bem modesta que toca sua vida material com dignidade e felicidade – e coleciona sorrisos. Entre ser feliz e ser rico, se não der para conciliar, fico com a primeira! E o dinheiro há de me ajudar nesta busca, sim senhor!

Uma das desculpas usadas pelo grupo dos não poupadores é a de que “economia é um assunto complicado”. Afinal, qual a importância de estar bem informado em relação à economia nacional e mundial? Por que o jovem deve se interessar por isso?

M.S.: Não culpo quem pensa que “economia/finanças é complicado”. Hoje há na mídia excesso de informação, mas falta de explicação. Muito número, muito fato, mas pouco esclarecimento do verdadeiro impacto que tudo isso pode ter (ou não!) em sua vida financeira – e portanto em sua qualidade de vida (sim, ela depende também do trato com o dinheiro). Mas não pode ter preconceito: andar de bicicleta é difícil? Só para quem ainda não aprendeu… Pois vá aprender!

Então, selecione boas fontes, recorra a bons educadores, aprenda e veja que o “mundo das finanças pessoais” não é tão complicado, não. Tem mais: quando a gente domina, dá gosto de lidar direito com a coisa, porque é algo sobre o qual temos um controle positivo. Com finanças, não é diferente.

E quando os resultados deste “conhecimento aplicado” começarem a aparecer, você não desejará jamais voltar “às trevas” da fase anterior, quando ignorava realidades que vão chegar a seu bolso de uma forma ou de outra – e que seja sempre de forma positiva, mas isso depende de como lidará com cada situação, o que remete a conhecê-las e saber interpretá-las corretamente, para começar.

O que dizer aos leitores que desejam começar a investir, mas dispõem de pouco capital? É possível criar um plano de investimentos rentável e inteligente partindo de pouco dinheiro?

M.S.: Investir é sempre um ato enriquecer na sua vida, porque qualquer boa aplicação irá lhe pagar juros sobre juros e diminuir o sacrifício financeiro de se conquistar as coisas boas nesta vida. Se você aplicar R$ 200,00 na Poupança por 5 anos, terá investido 60 meses X R$ 200,00 = R$ 12 mil, porém colherá bem mais que isso: quase R$ 14.400, por conta dos juros ganhos sobre juros no período (R$ 2.400).

Muito melhor ainda será investir em algo tão seguro quanto, mas mais rentável, por exemplo, os títulos da dívida pública negociados através do Tesouro Direto: nesse caso, os R$ 12 mil virariam R$ 15.400, portanto R$ 3.400 de juros ganhos, R$ 1 mil a mais que na poupança, sem correr qualquer risco desnecessário.

E ainda há outras formas até mais dinâmicas de aplicar seu dinheiro, proporcionando ganho diferenciado sem correr riscos desnecessários (como o investimento em ações brasileiras de primeira linha.) Agora, eu lhe pergunto: qual o é o brasileiro que não consegue – se quiser e se planejar – guardar R$ 200,00 por mês? Até há famílias sem esta condição ainda hoje, mas felizmente já são minoria em nosso país.

Marcos, obrigado pela disponibilidade e parabéns pelo sucesso de seu trabalho. Por favor deixe uma mensagem final aos leitores do Dinheirama.

M.S.: Eu agradeço por demais o convite. Espaços sérios e dedicados como este são preciosos para a educação financeira do brasileiro! E quero deixar este recado final a quem nos lê: eduque-se financeiramente, transforme sua vida, não pense pobre, dê uma virada, cuide de passar a enriquecer de forma realista, explorando o melhor de suas verdadeiras possibilidades, sejam elas quais forem.

Cuide bem do seu dinheiro e ele saberá lhe dar o devido “ troco” em termos de uma qualidade de vida verdadeiramente diferenciada para suas possibilidade iniciais. Sucesso e até a próxima.

PROMOÇÃO E SORTEIO
Separamos dois exemplares de “12 Meses para Enriquecer – O Plano da Virada” para sorteio e queremos que você participe da promoção. Para concorrer ao livro, você precisa seguir o @Dinheirama e o @marcossilvestre no Twitter e enviar a mensagem abaixo a partir de seu Twitter pessoal:

#sorteiodinheirama Quer o livro “12 Meses para Enriquecer”? Siga @Dinheirama, @marcossilvestre e dê RT: http://migre.me/5NsdU

O sorteio acontecerá no dia 12/10, você tem duas semanas para participar. Quanto mais mensagens enviar, maior a sua chance de ganhar. Optamos por usar o Twitter para contar com sua ajuda na divulgação do @Dinheirama. Teremos mais resenhas e sorteios muito em breve. Participe e boa sorte!

Crédito da foto: Julio Bittencourt.

Conrado Navarro
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