dinheirama-post-entrevista-odete-reis-palestranteNossos hábitos são fundamentais para a conquista (ou não) de nossos objetivos. Quando se trata de dinheiro, essa realidade se torna ainda mais relevante – é comum que certas atitudes passem despercebidas no cotidiano financeiro, negligencia que traz resultados indesejados.

Para discutir como podemos lidar melhor com a educação financeira e seu potencial de transformação, conversei com Odete Reis, Palestrante e Educadora Financeira com qualificação profissional em Gestão Financeira pela Unisuz e Certificação CPA-10 pela ANBIMA. Odete também atuou em Instituições Financeiras na área de Mercado de Capitais.

Colaboradora da TV Diário, afiliada da Rede Globo, TV Mogi News, Rádio Metropolitana de Mogi das Cruzes e Nossa Rádio nos assuntos de Finanças Pessoais e Economia Doméstica, Odete agrega experiência de trinta anos nas empresas multinacionais Hoechst do Brasil Aventis / Sanofi e Behr Brasil, nas quais adquiriu vasto conhecimento do mundo corporativo.

Confira como foi nosso papo:

Odete, nós trabalhamos com a educação financeira há bastante tempo. Quais são suas principais observações em relação aos hábitos dos brasileiros em relação ao dinheiro?

Odete Reis: Educação Financeira é um tema que finalmente começa a entrar na pauta da vida dos brasileiros. Em minhas palestras e cursos sobre educação financeira e investimentos pelo país, tenho observado uma mudança gradual nos hábitos de lidar com o dinheiro.

As pessoas estão mais conscientes. Também, com alegria, vejo escolas começando a inserir este assunto em seus currículos e nossas crianças e jovens correspondendo ao aprendizado com práticas de inteligência financeira.

Muito se discute em torno do modelo de crescimento do país, atualmente mais baseado no consumo que na produtividade. Dá pra fazer um paralelo com a vida pessoal para mostrar como o consumo em excesso pode ser insustentável? Por favor comente.

O. R.: Com o objetivo de aumentar a produtividade e aquecer a economia, nos últimos anos, o governo brasileiro incentivou o povo brasileiro a consumir o que precisava e também o que não cabia no seu orçamento, através de isenção ou diminuição de impostos.

O resultado desta ação foi bastante negativa, com cidadãos incautos superendividados e inflação em alta. Isto mostrou que o consumo em excesso desordenado não gera riquezas e nem aumenta a rotatividade na economia. Felizmente, neste momento, o consumidor está mais atento procurando pagar suas dívidas e as instituições financeiras mais criteriosas ao oferecer crédito.

Se você pudesse oferecer sugestões aos brasileiros hoje endividados, mas que querem livrar-se desta situação, o que diria?

O. R.: Os brasileiros endividados que desejam colocar sua financeira em ordem devem seguir alguns passos com firmeza e determinação. O primeiro é fazer um levantamento dos custos fixos e variáveis mensais para saber a sua real situação financeira e manter apenas despesas estritamente necessárias.

O segundo é fazer um levantamento minucioso de toda dívida e ter como objetivo e meta iniciar o pagamento com renegociação ou substituição por dívidas com taxas de juros mais baixos. Por exemplo: para pagar o limite do cheque especial ou dívida de cartão de crédito, faça um empréstimo consignado, mas sempre atento para que as novas prestações caibam no bolso, nem que para isso tenha que aumentar o número de parcelas.

Dá para equilibrar trabalho, família e qualidade de vida através da educação financeira? Conte-nos um pouco mais sobre como surgiu a ideia da Metodologia SIM e o que ela significa.

O. R.: Sim, a educação financeira é um dos principais pilares para obter esse equilíbrio. É fato que as pessoas com a vida financeira organizada têm maior produtividade, mais harmonia no lar, bom humor e, consequentemente, mais qualidade de vida.

Pensando nesses valores, surgiu a ideia da Metodologia do SIM (Sonhar, Identificar e Mãos à obra), que tem como objetivo mostrar o caminho passo a passo para a realização dos sonhos, através da gestão das finanças pessoais. Mais importante de que ganhar é saber gastar e economizar.

A Metodologia SIM significa você dizer sim para você, para seu bolso e realizar seus sonhos com planejamento, organização, disciplina e poupança.

S de SONHAR.  Os sonhos podem, sim, se tornar realidade, desde que transformados em objetivos e metas alcançáveis a curto, médio e longo prazo. Para isso é preciso dedicação, planejamento e confiança.

I de IDENTIFICAR e analisar a situação financeira atual, sabendo exatamente para onde está direcionando o seu dinheiro, analisando e investigando sua conta bancária, suas dívidas, seus gastos e seus investimentos. Desta forma ficará mais fácil planejar e definir as necessidades de mudanças e atitudes para concretização de seus objetivos.

M de MÃOS À OBRA com atitudes diárias positivas, assertivas e detalhadas para cada meta programada. Por exemplo: a meta é sair do vermelho em seis meses, o principal você já tem que é o orçamento doméstico e o valor exato de sua dívida.

Agora Mãos à Obra com ações de cortar gastos, renegociar dívidas e, em hipótese nenhuma, usar mais seu limite de cheque especial e cartão de crédito que não seja com pagamento total no dia do vencimento. Tenha em mente que precisa poupar antes, e gastar depois.

Comprar à vista e com desconto é a porta para seu dinheiro começar a render. Se você estiver com as contas em dia e sob controle, ótimo, mãos à obra para fazer uma revisão dos seus investimentos para saber se eles estão de acordo com suas necessidades para garantir tranquilidade financeira futura.

O que você tem a dizer aos nossos leitores que querem investir mais e melhor seu dinheiro, especialmente diante de um ano com Copa do Mundo, Eleições e instabilidade nos mercados. Como começar?

O. R.: O leitor que quer investir com segurança precisa sempre ter em mente quatro fatores: saber seu perfil de investidor, o objetivo do investimento, valor e prazo em que pode disponibilizar suas economias.

Com isto definido é hora de pesquisar os investimentos adequados às suas necessidades, considerando ainda: rendimentos mais proteção contra a inflação, melhores taxas de custos, Imposto de Renda e risco. Para aqueles que querem começar a investir, a nossa velha e conhecida caderneta de poupança ainda é uma boa alternativa.

Odete, muito obrigado pela atenção. Deixe suas considerações finais e até a próxima.

O. R.: Conrado, meus sinceros agradecimentos pela atenção e oportunidade de escrever novamente para este renomado site Dinheirama, ratificando a importância da Educação Financeira na vida de todos nós.

Finalizo lembrando sempre que o dinheiro utilizado de forma consciente é de fato importante para a realização de nossos sonhos, trazendo conforto, bem estar e qualidade de vida; mas nunca devemos nos esquecer que as coisas simples em nossas vidas tais como estar com a família, amigos e nossos animais de estimação têm custo zero.

Convido o leitor a conhecer mais sobre meu trabalho em: www.odetereis.com.br. Meu grande abraço a todos e até a próxima.

Conrado Navarro
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