Dinheirama Entrevista: Paulo Bittencourt, Diretor da Apogeo InvestimentosInvestir é um dos passos mais importantes para realizar nossos objetivos. Essa afirmação tem repercussão imediata em qualquer conversa e, quase sempre, é ponto de concordância entre amigos e familiares. Reconhecemos a importância dos investimentos, mas na prática preferimos associá-los àquele dinheiro que não sobra ou a uma decisão difícil, que requer muito conhecimento e experiência.

Nosso cenário econômico mudou e exige uma postura diferente por parte do investidor. Investir em produtos tradicionais, antes excelentes do ponto de vista de retorno (renda fixa, principalmente), não será suficiente. Os juros baixos e as mudanças sociais trazem consigo a necessidade de aprender mais sobre construção de patrimônio e onde e como investir.

Sobre isso, conversei com Paulo Bittencourt, Diretor Técnico da Apogeo Investimentos, Engenheiro Naval pela Universidade de São Paulo (USP), MBA em Negócios Internacionais pela Maastricht Business School e formando em Ciências Sociais pela USP. Paulo tem 20 anos de atuação no mercado de capitais e bancos de investimento. Confira como foi nosso papo:

Paulo, a mudança no patamar dos juros básicos (Selic) começa a mudar o panorama dos investimentos no Brasil. Os ganhos elevados (e sem risco) da renda fixa são cada vez mais raros e o investidor já procura alternativas para melhor rentabilizar seu patrimônio. Como encarar esse cenário?

Paulo Bittencourt: A almejada convergência da taxa de juros real no Brasil para patamares de primeiro mundo traz também novos desafios para os investidores. Não será possível, por exemplo, todos estarem sendo remunerados na mesma curva de juros independente do prazo de investimento. Como ocorre em mercados desenvolvidos, para se obter ganhos reais maiores o prazo e risco deverão ser proporcionalmente mais elevados se comparados aos investimentos de prazo curto e com lastro em títulos públicos.

O novo cenário pegou a maior parcela dos investidores despreparados para a tomada de decisão sobre quais modalidades de ativos escolher – neste primeiro momento, a maior parte ainda mantém seus investimentos em grande parte atrelados diretamente ao CDI ou em alternativas mais simples, como a poupança. Estas modalidades de investimento perderão competitividade no médio prazo, uma vez que o prêmio a ser pago ao investidor acima da taxa de inflação (ganho real) será muito baixo.

O cenário econômico mudou e a volatilidade ainda deve perdurar, então é preciso conhecer e buscar novas opções de investimento para acompanhar essas mudanças.

Uma das modalidades de investimento afetadas por essa nova realidade foi a “sagrada” caderneta de poupança. Vocês abordaram esse tema em um artigo recente e, por isso, a pergunta: a poupança ainda será interessante diante da renda fixa tradicional? O que mais o investidor terá que fazer para garantir retornos melhores?

P. B.: O investimento em caderneta de poupança continuará competitivo somente para valores pequenos de investimento, algo como até R$ 10.000,00 ou aportes frequentes abaixo de R$ 100,00, por exemplo. Com a remuneração limitada a 70% da taxa Selic, o ganho real (acima da inflação) será muito baixo. Basicamente, só vai repor parcialmente o valor do dinheiro no tempo. Quanto maior o prazo de aplicação, pior o desempenho se comparado a outras modalidades.

É claro que para horizontes de até 12 meses e com valores pequenos de investimento não há outra alternativa viável em função da isenção de tributação. Para garantir rendimentos melhores, outras classes de investimento deverão ser buscadas, como fundos multimercado, fundos imobiliários e fundos de ações.

Por outro lado, o poder de “corrosão” sobre o ganho real que a inflação trará sobre os investimentos em poupança no médio prazo ainda não foi percebido pelo investidor comum. Somente com o passar do tempo eles perceberão que a remuneração ficou a desejar, principalmente para aqueles que estavam guardando o dinheiro para utilizá-lo somente em um horizonte mais longo.

Quando consideramos nossa poupança (reserva) de longo prazo, não deveríamos estar preocupados somente em manter o poder de compra do dinheiro e sim gerar um retorno adicional que nos garanta uma renda futura superior a atual ou pelo menos igual. Quem tiver curiosidade, clique aqui e leia nosso post do Blog que tratou especificamente sobre este tema.

Mesmo sabendo da necessidade de diversificar, o investidor muitas vezes esbarra na falta de conhecimento e, principalmente, no seu perfil. Como definir qual o melhor investimento de acordo com cada pessoa? A aversão ao risco não é algo muito pessoal?

P. B.: Sim, a aversão ao risco é bastante pessoal e em boa medida subjetiva, uma vez que é muito difícil para o investidor conseguir, sozinho, imaginar qual o seu comportamento frente a um cenário hipotético desfavorável aos seus investimentos. A tarefa de avaliar o perfil de risco não é simples e direta como muitos questionários pretendem resolver. As perguntas ajudam a traçar um perfil genérico, mas é o contato mais aprofundado com o consultor que revela os traços que nem mesmo o investidor reconhece.

É importante, sobretudo, não mascarar o raciocínio durante a entrevista de forma a efetivamente criar uma situação onde o investidor, por comparações, tenha a percepção do nível máximo de risco que está disposto a correr. O melhor investimento é fundamentalmente aquele que está ajustado aos desejos factíveis de rentabilidade do investidor, ancorado na adesão voluntária dos prós e contras daquela modalidade de investimento.

Por exemplo: um motorista não precisa entender de física ou de construção de pneus para decidir quando trocá-los em seu veículo. Ele deve reconhecer que um especialista no assunto estudou o problema e definiu que seria altamente recomendável trocá-los quando os sulcos ficarem com profundidade inferior a 2mm.

A decisão de continuar rodando fora desta especificação continua sendo do motorista e depende da mesma forma do nível de risco que ele quer correr. Os mais cautelosos o fariam imediatamente após constatarem que os sulcos ficaram abaixo dos 2mm, enquanto outros poderiam “confiar” em sua experiência ao volante e postergar a troca por mais algumas centenas de quilômetros.

Veja que aqui também entrou um fator subjetivo na decisão de correr mais ou menos risco e é por isso que as campanhas de prevenção a acidentes repetem exaustivamente a orientação para a troca segura dos pneus. Assim deve ser também a avaliação dos níveis de risco assumidos pelos investidores, feita de forma continuada e acessível. Temos uma página interessante que trata com mais detalhes do perfil de investidor (clique para conhecer).

Recebemos muitos e-mails de investidores frustrados com suas primeiras experiências diretas na bolsa de valores. Usar o home broker e acostumar-se com a escolha de empresas e a volatilidade do mercado não é algo simples na nossa cultura. Os fundos de investimento, como os oferecidos pela Apogeo, não seriam uma alternativa interessante para quem não tem disposição e tempo para operar diretamente?

P. B.: O investimento direto em ações é uma das opções mais difíceis de serem executadas por investidores comuns. Grande parte do problema é a falsa impressão de que os aparatos tecnológicos parecem garantir a parcela adicional de conhecimento que os investidores na verdade não possuem. Na prática, porém, a tecnologia agirá como ferramenta, e nada mais.

Outro fator que complica ainda mais o problema é que a alta flutuação que as ações costumam ter envolve grande parte dos investidores tipo “self made man”, que se sentem por algum tempo “no controle da situação”, transmitindo ordens de compra e venda como se estivessem diante de um portal do futuro que só poucos mortais teriam acesso.

Simultaneamente, milhares de usuários de home broker estão fazendo a mesma coisa, só que na ponta contrária – ou seja, eles têm a mesma percepção de que estão controlando os demais. O gestor de fundos de ações é, por outro lado, um profissional experiente e menos tentado pela paixão de um nome de empresa que surge em uma manhã sem a devida análise de seu potencial de valorização.

Isto não significa que eles não cometam erros, mas as decisões são muito mais técnicas e, portanto, menos arriscadas. Na Apogeo, recomendamos que os investidores acompanhem os resultados dos fundos de ações, entendendo o processo de escolha, as decisões e o racional por detrás da carteiras que compõem os fundos. Assim, nossos clientes sabem claramente quanto estão pagando para esta gestão profissional e fica fácil comparar com demais fundos do mercado.

Tenho a impressão de que nossa população desconhece essa possibilidade de investir com qualidade através de empresas específicas em gestão de investimentos, como a Apogeo Investimentos. Os serviços são exclusivos demais (aportes elevados) ou falta mesmo informação? Por favor comente.

P. B.: Sim. No Brasil a possibilidade do investidor procurar gestores independentes e voltados a produtos específicos não tem mais do que duas décadas. A própria estrutura distorcida de astronômica taxa real de juros limitou a criação destas empresas de especialistas na gestão. É verdade que para altos valores eles já existiam (um público muito limitado de investidores).

Nos últimos 10 a 15 anos, esta situação foi progressivamente se alterando e hoje praticamente qualquer investidor teria acesso a produtos diferenciados. A recente redução na taxa Selic vai impulsionar de forma ainda mais rápida a proliferação deste canal de distribuição, da mesma forma como ocorreu nos EUA. a partir da década de setenta.

O projeto Apogeo foi planejado para atender investidores a partir de R$ 25.000,00, de forma que já visávamos a flexibilização nos valores iniciais. Além do que, adotamos o modelo de considerar o total de relacionamento nos investimentos e não um mínimo por produto, como geralmente se encontra no mercado. Existe uma preocupação em se considerar as características e os objetivos de cada pessoa. O atendimento é feito individualmente por profissionais qualificados que traçam o perfil e desenvolvem um plano de investimento personalizado.

Uma coisa me chamou a atenção na proposta de trabalho de vocês. Há no quadro de colaboradores profissionais certificados exclusivamente em atendimento pessoal, ou seja, profissionais qualificados para ajudar o investidor a definir seu perfil e escolher os melhores investimentos. Como isso tem contribuído com o negócio de vocês? É uma tendência?

P. B.: Sim, é uma tendência. Desde o planejamento para colocar o projeto Apogeo de pé, consideramos que de pouco adiantaria a tecnologia e uma prateleira de produtos se as figuras do consultor e especialista em investimentos não estivessem fortemente presentes no processo. Muita coisa se tornou acessível via sistemas, e mais recentemente via Internet, mas o fundamental, a orientação do especialista, a tecnologia não deve substituir.

Não se escolhe um produto de investimento como fazemos em uma loja virtual ao comprar um CD ou DVD. Nenhum tipo de investimento tem sentido de forma isolada e sem uma análise do contexto, da mesma forma que ninguém deveria tomar um remédio de forma isolada mesmo tendo acesso à informação para que ele serviria. A figura do médico é fundamental para regular a dose, tempo de utilização e controlar os efeitos colaterais que surgem caso a caso.

A receptividade dos clientes da Apogeo tem sido muito grande neste sentido. Desde o início do relacionamento eles percebem que os diversos produtos de investimento disponíveis são consequência do plano estabelecido pelo investidor e não o inverso. Denominamos esse profissional qualificado para ajudar o investidor de Coach, o qual passa a fazer parte da vida financeira do cliente, numa relação de parceria e confiança.

Existe também uma abertura para aprendizado e compartilhamento de experiências nas escolhas de cada investidor, além do acompanhamento periódico da carteira do cliente, sugerindo mudanças, quando necessário, na composição dos investimentos que respeitem a tolerância ao risco definida por seu perfil, como já mencionamos anteriormente.

Paulo, obrigado pela disponibilidade em nos atender. Por favor deixe uma mensagem final aos investidores que desejam aprender melhor como rentabilizar seu capital e investir melhor. Até a próxima.

P. B.: Eu que agradeço a oportunidade de participar do Dinheirama e, assim, esclarecer dúvidas pertinentes ao nosso trabalho. Quando falamos de investimentos, não podemos nos acomodar, e esta é a mensagem que gostaria de deixar. É preciso estar atento às mudanças do mercado, acompanhar os acontecimentos e fazer análises constantes dos seus investimentos.

Avalie com certa frequência de que forma a pessoa responsável pelos seus investimentos está gerenciando seu patrimônio e crie uma política para acompanhamento e melhor entendimento. Convido a todos para conhecerem o nosso site www.apogeo.com.br e Blog em http://blog.apogeo.com.br. Até a próxima.

Foto: divulgação.

Conrado Navarro
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários