Dinheirama Entrevista: Reinaldo Domingos, fundador do DSOPEducação financeira é um tema nos fascina e que move todas as nossas ações (on e off-line). Escrever sobre finanças pessoais, participar de eventos e lidar com o tema traz sempre ótimas oportunidades de conhecermos autores e empresas que também compartilham da missão de transformar a realidade das famílias brasileiras. Apesar do planejamento financeiro ser uma decisão pessoal, são muitos os profissionais dedicados a contribuir neste sentido.

Tive a oportunidade de conversar com Reinaldo Domingos, que é educador e terapeuta financeiro. Também presidente do Instituto DSOP de Educação Financeira, Reinaldo publicou os livros “Terapia Financeira” (2007), “O Menino do Dinheiro” (2008) e “Livre-se das Dívidas” (2011) e é um dos grandes expoentes da educação financeira no Brasil, com participações frequentes na mídia especializada.

Reinaldo criou um grupo de educadores financeiros baseado em sua metodologia (DSOP) e idealizou o primeiro Programa de Educação Financeira para o Ensino Básico do país. É também presidente do Grupo Confirp de Contabilidade, uma das maiores empresas de consultoria contábil do Brasil. Acompanhe nossa conversa e participe da promoção que sorteará três exemplares do livro “Livre-se das Dívidas” (DSOP).

Reinaldo, a Serasa Experian divulgou dados revelando que a inadimplência cresceu 8,2% em maio, a maior alta em mais de um ano. Em sua opinião, os brasileiros ainda recorrem de forma excessiva ao crédito para realizar seus sonhos de consumo?

Reinaldo Domingos: O resultado desta pesquisa mostra o efeito causado pela falta de educação financeira em boa parte das famílias brasileiras. Quando falamos em consumo, estamos simplesmente registrando algo que aprendemos desde quando criança. É só lembrar do que você aprendeu quando teve os primeiros contatos com o dinheiro: na maioria das vezes, este foi utilizado para comprar alguma guloseima, figurinhas ou sorvetes.

Isso em muito justifica os atos dos adultos de hoje. Por isso, sempre procuro ressaltar a importância de ensinar educação financeira para as crianças desde cedo e, principalmente, em nossas escolas do ensino básico, onde é preciso ensinar que antes de gastar é preciso poupar.

Há dois fatores que ajudam em muito que esse número de inadimplentes aumente: o marketing publicitário e o credito fácil – em função dele, as pessoas adquirem aquilo que nem precisam ter, com o dinheiro que não tem, simplesmente para impressionar quem conhece e, algumas vezes, quem nem mesmo conhece. Portanto, é preciso combater a causa e não o efeito, como muitas vezes se faz.

Abordo a questão em meu novo livro, “Livre-se das Dívidas”, mostrando um novo conceito sobre o endividamento. É importante separar a dívida de valor, aquela que se contrai porque se quer crescer materialmente, e as dívidas sem valor, que são feitas por impulso, geradora de inadimplência (pois não agrega valor, não cria compromisso) – são os excessos e muitas vezes despesas supérfluas. Mas, acredite, todas as pessoas hoje podem se livrar deste problema e começar uma nova vida sustentável financeiramente.

Você sempre trata das dívidas de forma direta e pratica. No Dinheirama, percebemos que o endividado sempre procura um culpado pelo problema que atravessa. Como você enxerga essa situação e quais os passos decisivos que a pessoa que está com dificuldades deve dar para atravessar esse período?

RD: Além de combater o verdadeiro problema que causou o desequilíbrio financeiro, também mostro que é preciso entender que estar endividado nem sempre é um problema. Se isso ocorre com sustentabilidade financeira, pode ser uma estratégia para realizar alguns sonhos, em especial o da casa própria e do veículo, o que classifico como dívida de valor.

No entanto, os grandes vilões dessa historia são as chamadas dívidas sem valor, aquelas que não agregam valor, como um celular novo, uma bolsa ou sapato. Esses geralmente são adquiridos pelo cartão de credito, cheque especial e crediários. O grande problema é que, pela ausência de controle financeiro e a priorização dos verdadeiros sonhos, a pessoa vai contraindo dívidas – e quando se dá conta, já não consegue pagar a fatura total do cartão de credito, cobrir o limite do cheque especial, entre outros.

É preciso fazer a lição de casa e tomar a atitude de eliminar a causa deste problema. É preciso entender de uma vez por todas que para se reeducar financeiramente é necessário mudar hábitos, comportamento e colocar os sonhos em primeiro lugar. Insisto nisso: o grande antídoto para combater a inadimplência certamente são os sonhos.

Estamos acostumados a ver iniciativas que incentivam os investimentos, principalmente em bolsa de valores. Em sua opinião, o brasileiro já está preparado para investir ou a grande maioria da população está ainda lutando para chegar ao final do mês com a conta no azul?

RD: Tenho uma pergunta que ajuda neste pensamento: “Tá sobrando mês para seu salário?”. Saber investir é um ato importante e deixo isso para os especialistas orientarem, mas, antes mesmo de uma pessoa aprender a investir, deve aprender a poupar (guardar dinheiro).

Também chamo a atenção para uma coisa: é imprescindível para quem poupa e quer investir que tenha um sonho sempre atrelado a esse investimento. Para tanto, recomendo que se tenha três sonhos: de curto (até um ano), de médio (até dez anos) e de longo prazo (acima de dez anos). Dinheiro guardado sem objetivo é dinheiro fácil de ser perdido e presa fácil para o consumismo.

Recomendo que para se ter uma vida sustentável e próspera financeiramente, é preciso seguir os quatro passos da metodologia DSOP, que são:

  • Diagnosticar sua situação financeira: descobrir para onde está indo seu dinheiro;
  • Sonhar: estabelecer os sonhos de curto, médio e longo prazo, sempre lembrando que um sonho deve sempre estar acompanhado do quanto custa, quanto será guardado e em quanto tempo;
  • Orçar: ferramenta simples para que possa visualizar melhor o dinheiro que entra e o dinheiro que sai (é preciso colocar o sonho antes das despesas);
  • Poupar: ato de guardar dinheiro de acordo com o seu objetivo.

Os juros bancários no Brasil são altos e o acesso ao crédito é muito fácil, o que é um perigo em termos de educação financeira. Em sua opinião, o brasileiro ainda não aprendeu a lidar com o crédito? Como poderemos chegar a níveis de juros civilizados?

RD: Estamos em um país capitalista, isso é claro, assim não se pode querer ir contra essa situação. O melhor é aprender a utilizar o sistema financeiro – não devemos simplesmente sair criticando esta ou aquela instituição financeira. O correto é entender como funciona esse sistema e colocá-lo para trabalhar a nosso favor, e não do lado mercantil (venda de sua mercadoria, que é o dinheiro).

É fato que os juros são dos mais altos do mundo. Sabendo disso, o melhor é não usá-los; o melhor mesmo é se educar financeiramente. Só pensar em juros civilizados, como nos outros países, não basta! Tome os EUA como exemplo: mesmo com juros baixos, sua população está endividada. Logo, não julgo o problema do endividamento e inadimplência por termos juros altos, mas sim pela ausência da educação financeira nas grades curriculares de nossas salas de aula e no relacionamento com os pais. Com a população consciente de seus limites, com certeza a questão dos juros se ajustará (melhhorará).

No livro “O Menino do Dinheiro”, você chamou a atenção para a necessidade de projetos de educação financeira para crianças, inclusive dentro da sala de aula. Alguns anos após o lançamento do livro, como você vê o avanço dessa temática? As escolas já estão buscando colocar esse tema na grade de aulas?

RD: É muito prazeroso ver que centenas de escolas no Brasil já adotaram o livro “O Menino do Dinheiro”, uma ficção em que a criança aprende educação financeira de forma lúdica e simples e pode compartilhá-la com colegas, professores e pais. O Instituto DSOP lançou neste ano a primeira Coleção DSOP de Educação Financeira para o Ensino Básico, que contempla o ensino básico, de 03 à 05 anos, o ensino fundamental I e II, para crianças de 06 à 14 anos e o ensino médio, para jovens de 15 a 17 anos. Hoje já atuamos em mais de 50 escolas privadas.

Para o ano de 2012, estamos fechando com alguns municípios para escolas do ensino público municipal. Com isso atendemos nossa principal missão, que é inserir a educação financeira nas escolas. Lembro aos leitores que no Senado tramita um Projeto Lei, de numero 171/09, que insere a educação financeira nas escolas do ensino básico do ensino publico e privado – esperamos que a lei seja aprovada este ano. Um grande passo foi a assinatura do Decreto que instituiu a ENEF – Estratégia Nacional de Educação Financeira.

Portanto, sim, acredito que o avanço da educação financeira nas escolas é uma realidade. Há muito a ser feito, mas o interesse existe. E os resultados tem sido muito interessantes.

A internet é um terreno fértil para o desenvolvimento e o aprendizado. Muitos que hoje possuem conhecimento financeiro começaram a estudar através de blogs e redes sociais. Em sua opinião, como o mundo on-line pode colaborar ainda mais para levar às pessoas educação financeira, principalmente ao público jovem que é muito familiarizado com a rede?

RD: Sem dúvida, o caminho da educação financeira pode se encurtar através da Internet, mas é preciso tomar alguns cuidados, já que estamos falando de educação financeira, que mexe diretamente com os hábitos e costumes. Não podemos confundir este tema com uma disciplina cartesiana, pois trata-se de comportamento.

Precisamos acabar com o mito de que aprender a investir é aprender educação financeira. Investir é algo importante, mas, antes disso, é preciso aprender e criar o hábito de poupar e respeitar o dinheiro ganho no trabalho. E mais, é preciso mostrar para as crianças que guardar dinheiro no cofrinho, sem atrelar a um sonho é algo que não traz resultado concreto.

As crianças e jovens de hoje já são plenamente alfabetizadas digitalmente e, por isso, acredito que este meio deverá ser de vital importância na alfabetização financeira de nossa população. Tenho uma missão desde os meus 37 anos, quando adquiri minha independência financeira (trabalhar por prazer e não pela necessidade): disseminar a educação financeira no Brasil e no mundo.

A Internet permite que este meu objetio se una a parceiros importantes. Sites como o Dinheirama são um bom exemplo de iniciativas de educação financeira inteligentes.

Obrigado pela disponibilidade e parabéns pelo trabalho.

RD: O Instituto DSOP, por meio de nossos mais de 180 educadores financeiros e através desta entrevista, agradece pela entrevista e parabeniza a equipe Dinheirama pelo excelente trabalho. Seguimos juntos com o objetivo de criar um mundo mais justo, prazeroso e sustentável financeiramente.

PROMOÇÃO! Ganhe um exemplar do livro “Livre-se das Dívidas” (DSOP).
Quer ganhar um exemplar do livro “Livre-se das Dívidas”? Deixe sua opinião sobre a importância da educação financeira no espaço de comentários abaixo e ajude-nos a divulgar a entrevista também em sua conta no Twitter. Serão sorteados três exemplares do livro, participe!

Divulgamos no nosso Twitter oficial – @Dinheiramaos vencedores da promoção:

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  • @jrbinha

Parabéns e obrigado a todos que participaram!

Fotos: Anthony Caronia (divulgação).

Ricardo Pereira
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