dinheirama-post-entrevista-rodolfo-amstalden-empiricusO que torna um investidor em alguém de sucesso? Tenho certeza que a resposta é composta por algumas características e, sem dúvida, uma das mais especiais é a sede pelo conhecimento de qualidade e informações relevantes. Se as informações de qualidade fazem a diferença, a próxima perguntar a ser feita é justamente onde encontrá-las.

Para responder essa e outras questões, conversei com o Rodolfo Amstalden, Analista da Empiricus. Rodolfo é Analista CNPI, foi  consultor na International Paper, pesquisador da ANP e professor da Faculdade Cásper Líbero. É bacharel em Economia pela FEA-USP, em Jornalismo pela Cásper Líbero e mestre em Finanças pela FGV-EESP.

Confira como foi nosso papo:

Rodolfo, o ano de 2014 começou cercado de grandes desafios para o investidor. Copa do Mundo de futebol, Eleições e muitas dúvidas com relação ao cenário externo. O que podemos esperar da economia do Brasil em 2014 e como o investidor pode encontrar boas oportunidades de lucrar?

Rodolfo Amstalden: A economia brasileira nos oferece muitos downside risks em 2014, e pouquíssimos upside risks. O balanço é claramente assimétrico, uma assimetria negativa. Por exemplo: se absolutamente tudo der certo para o Governo, eles entregam um superávit primário de 1,9%, que não fede nem cheira para nossa alavancagem soberana.

Já se qualquer coisa der errada no meio do caminho (ex. racionamento de energia), essa promessa de superávit vai por água abaixo e a relação entre dívida e PIB piora. Por conta dessa assimetria em pauta, tenho para mim como altamente provável que nosso rating será cortado neste ano.

Uma vez assimilado esse cenário difícil, o investidor pode proteger seus ativos e até mesmo ganhar em meio à tormenta. Como? Apostando em dólares, títulos pré e ações defensivas, por exemplo.

Outro detalhe interessante para 2014 é a tendência de alta na inflação, o que pressupõe a manutenção na política de elevação dos juros pelo Banco Central. O investidor deve voltar a considerar os investimentos de renda fixa como fonte de boas rentabilidades? Você destacaria algum investimento especificamente nesse atual cenário?

R. A.: Inflação continua a incomodar em 2014, provando que aquelas circunstâncias alegadamente temporárias de 2013 não eram tão temporárias assim. Focus já jogou o IPCA esperado para o fim de ano para acima de 6%, e cada vez mais próximo do teto da meta.

O Copom foi precipitado ao reduzir o ritmo de aperto monetário para 25 bps. Teoricamente, esse movimento do Copom beneficiaria os papéis prefixados, mas não acho que seja o caso. Tem muito risco não precificado ainda nos prés. Então, sigo preferindo pós ou NTN-B.

Existem diversas opções para o investidor buscar informações sobre o mercado financeiro, mas nem tudo o que se lê possui qualidade e muitas vezes acaba confundindo ou prejudicando o investidor. Como vocês trabalham essa necessidade de conciliar bom conteúdo com informações relevantes que fazem a diferença para o investidor no momento de tomar as suas decisões?

R. A.: Chegamos a um ponto do mercado em que a utilidade marginal de uma nova informação é negativa. Ou seja, quanto mais informações, pior para o investidor. Isso porque encontramos muitos ruídos e pouco sinal no noticiário.

O chamado “big data” implica um crescimento exponencial nas correlações espúrias. Para nos protegermos desse fenômeno perverso, começamos o trabalho de research simplesmente descartando informações, jogando coisas fora e eliminando ruídos.

Não dá pra ficar interpretando cada uptick ou downtick de um papel a cada intraday; isso alimenta as manchetes, mas só confunde a cabeça do investidor. Há pouca causalidade no mercado; quando ela aparece, temos que estar devidamente filtrados para reconhecê-la. Convido o leitor a assinar nossa newsletter gratuita em www.empiricus.com.br para ver nossa abordagem.

Muita gente que acompanha o Dinheirama está passando por um momento de reestruturação financeira, pois passaram por momentos de descontrole e agora estão ajustando o orçamento para se tornarem investidores. O que esse leitor precisa saber para começar a investir?

R. A.: Primeiro: ajustar o orçamento não é motivo de vergonha. Vergonha é você ter uma BMW na garagem para mostrar para o vizinho e não conseguir pagar a escola dos filhos. Digo isso porque a pessoa que começa a investir deve fazê-lo sem um peso moral, sem estigma de perdedor.

Por que isso é tão importante? Pois você necessariamente vai perder alguma grana em Bolsa. Ninguém ganha em todos os trades. O importante é ganhar mais do que perder, e há uma correlação entre derrotas e vitórias.

Os grandes ganhadores de dinheiro em Bolsa perdem pequeno e ganham grande, pois aprenderam a assimilar o que há de melhor em suas derrotas. Parece irônico, mas quem deu a volta por cima depois de quebrar é ainda mais qualificado para investir em Bolsa, pois abandonou o platonismo.

A Empiricus oferece ao investidor uma série de produtos organizados em uma loja. O que esses produtos trazem de diferencial para o investidor? Vocês também oferecem uma newsletter gratuita, como o nosso leitor pode assinar e receber suas informações?

R. A.: Montamos essa estrutura de loja virtual para facilitar o acesso do investidor. Os preços dos relatórios também servem a esse objetivo de acessibilidade, com assinaturas a partir de R$ 9,90 ao mês.

Pode parecer meio estranho pagar por análises num mundo em que todo mundo recebe um monte de PDFs gratuitos no email, mas à medida que nossos leitores entendem a diferença do conteúdo, percebem também que existe valor numa linguagem simples, direta e imparcial – dissociada dos interesses de bancos e corretoras.

E a história fica ainda melhor se essa linguagem gera recomendações lucrativas, como as que desenhamos para este 2014 de Tempestade Perfeita. De qualquer forma, ninguém precisa pagar para conhecer a Empiricus, somos avessos a negócios mercenários.

Temos muito conteúdo gratuito, inclusive as newsletters diárias (clique e inscreva-se). Basta entrar em nosso site www.empiricus.com.br e inserir seu email para começar a receber nossas publicações sem custo algum. E pode cancelar quando quiser também, ninguém amarra sua perna na cadeira.

Rodolfo, muito obrigado pela entrevista. Por favor, deixe uma mensagem final para o leitor do Dinheirama que admira o trabalho imparcial da Empiricus e quer saber um pouco mais sobre a empresa.

R. A.: Acho que o que resume a Empiricus é: fundamos a empresa em novembro de 2009 e hoje temos mais de 100 mil pessoas recebendo nossas newsletters (clique para assinar gratuitamente), com esse número crescendo bastante mês a mês.

Nossa existência se dá num dos piores momentos da história para a Bolsa brasileira. Tudo bem, porque somos analistas céticos, muito críticos, mas principalmente bem-humorados. Ademais, essa condição conjuntural difícil em nada muda nossa visão estrutural sobre o mercado de ações no Brasil, que é muito positiva.

Parece-nos inevitável que uma massa de pessoas físicas adentrará a Bolsa nos próximos anos, a exemplo do que aconteceu nos benchmarks desenvolvidos. Não estamos preocupados se será em 2015, 2020 ou 2025; market timing é coisa de vidente, e não somos videntes. O que faz sentido não precisa ser previsto por ninguém.

Obrigado pela oportunidade e espero que os leitores gostem do que irão encontrar em nosso trabalho. Acesse www.empiricus.com.br e confira. Até a próxima.

Foto: divulgação.

Ricardo Pereira
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