Agora você confere as principais notícias de 20/11/2018, terça-feira.

Bolsonaro discute privatizar parte da Petrobras e sinaliza com Ivan Monteiro no BB

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, debate com sua equipe econômica a privatização parcial da Petrobras. “Alguma coisa (da empresa) você pode privatizar, não toda. É uma empresa estratégica, nós estamos conversando sobre isso ainda. Em parte pode, sim (ser privatizada)”, afirmou Bolsonaro durante entrevista concedida em frente à sua casa, na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio), na tarde de segunda-feira (19).

Em meio a essas discussões, o atual presidente da Petrobrás, Ivan Monteiro, “deve ir” para o Banco do Brasil. “Quem está botando é o Paulo Guedes (futuro ministro da Economia), eu estou avalizando. Talvez Banco do Brasil, não tenho certeza”, afirmou Bolsonaro.

Sobre a escolha do economista Roberto Castello Branco para presidir a Petrobrás, em substituição a Monteiro, Bolsonaro afirmou que “é uma indicação do Paulo Guedes“. “Tudo o que é envolvido com economia é com ele (Guedes), que está escalando o time. Nós estamos cobrando produtividade, enxugar a máquina e fazê-la funcionar para o bem estar da população”, disse.

Bolsonaro talvez encontre Castello Branco em Brasília nesta terça-feira. “Se ele estiver lá, vou conversar com ele”.

Ainda sobre a Petrobras, Bolsonaro afirmou que parte da responsabilidade sobre o preço de combustíveis e do gás de cozinha é dos governadores, que estipulam em cada Estado a alíquota de ICMS.

Moro anuncia integrantes da Lava Jato na transição de governo

Futuro ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro (PSL), o ex-juiz Sergio Moro, exonerado segunda (19), anunciou que levou para o gabinete de transição em Brasília integrantes da Polícia Federal que participaram da Operação Lava Jato, em que o magistrado atuou em Curitiba (PR).

Alguns dos nomes são Rosalvo Franco Ferreira, ex-superintendente regional da Polícia Federal no Paraná, e Erika Mialik Marena, uma das primeiras delegadas a comandar a Lava Jato, tendo inclusive nomeado a operação.

Dessa forma, Moro começa a confirmar os primeiros nomes da sua equipe. Ele já havia dito que contaria com integrantes da Lava Jato, com quem trabalhou e em quem diz confiar, e que pretende criar no Ministério da Justiça o mesmo modelo da operação, com forças-tarefa para assuntos prioritários.

Moro almoçou com Franco e Marena nesta segunda, em restaurante anexo ao CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), em Brasília, onde funciona o gabinete de transição do governo Bolsonaro. Também estavam à mesa Flávia Blanco, que será sua chefe de gabinete no ministério, e Marcos Koren, ex-chefe de comunicação da superintendência da PF no Paraná.

O próximo nome que o futuro ministro deve confirmar é o do diretor-geral da PF, função hoje ocupada por Rogério Galloro. O mais cotado é Maurício Valeixo, que atualmente é o chefe da polícia do Paraná.

Ibovespa fecha em queda contaminado por EUA e Petrobras tem dia volátil

A Bolsa paulista fechou com o Ibovespa em queda segunda-feira (19), contaminado pelo declínio nos pregões norte-americanos, enquanto as ações da Petrobras tiveram uma sessão volátil mesmo após a recepção positiva no mercado ao anúncio de que Roberto Castello Branco assumirá o comando da estatal no próximo ano.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,69%, a 87.900,83 pontos.

O volume financeiro somou R$ 17,975 bilhões, amplificado pelo exercício dos contratos de opções sobre ações na Bolsa paulista nesta sessão, que totalizou R$ 6,49 bilhões, com opções de compra de papéis da Petrobras respondendo pelos maiores volumes financeiros.

Nos Estados Unidos, a volta do fim de semana foi minada pelo tombo das ações da Apple, que se alastrou pelo setor de tecnologia, em meio a preocupações sobre a demanda por iPhones. Ao mesmo tempo, sinais divergentes sobre o embate comercial entre EUA e China mantiveram investidores apreensivos.

No final da tarde, o S&P 500 perdia 1,3%. O Nasdaq recuava 2,5%.

Brasileiro, presidente do grupo Renault-Nissan é preso no Japão

O executivo brasileiro Carlos Ghosn, que há quase duas décadas ajudou a orquestrar a união entre a francesa Renault e a japonesa Nissan, foi preso segunda-feira (19), no Japão. Conhecido pela capacidade de cortar custos e recuperar em negócios em crise, Ghosn, de 64 anos, é acusado de fraudar sua declaração de renda e de usar recursos corporativos para benefício pessoal. A investigação foi originada a partir de uma denúncia interna e teve a colaboração da Nissan nos últimos meses. Analistas veem o caso como uma ameaça à aliança Renault-Nissan, selada há quase 20 anos.

O escândalo ocorre um ano após o executivo deixar o comando do dia a dia das operações da Nissan – ele, no entanto, manteve-se à frente do grupo que reúne as três montadoras, cargo no qual havia expressado o desejo de permanecer pelo menos até 2020. Ontem, diante da magnitude do problema, a Nissan divulgou uma nota pedindo “sinceras desculpas” pelas dificuldades que a investigação causará a acionistas e parceiros. A montadora japonesa marcou uma reunião do conselho para a próxima quinta-feira, na qual será votada a demissão de Ghosn. A saída do executivo é dada como certa.

A apuração das autoridades japonesas envolveu práticas Ghosn e do executivo americano Greg Kelly. “A investigação mostrou que, por muitos anos, tanto Ghosn quanto Kelly informaram valores de remuneração no relatório de valores mobiliários da Bolsa de Valores de Tóquio que eram menores do que a quantia real, para reduzir a quantia divulgada da remuneração de Carlos Ghosn”, disse a Nissan, em um comunicado.

Após anos de êxito na França, Ghosn chegou ao Japão com fama de superestrela corporativa. Um dos raros casos de estrangeiro que conseguiu se manter no topo de um grupo japonês, o brasileiro se tornou tão célebre que sua história de vida chegou a ser contada em no estilo anime. A reverência tem razão de ser. Na Renault desde 1996, teve papel fundamental na união com a Nissan, em 1999. O grupo também inclui a Mitsubishi desde 2016. Juntas, as três montadoras venderam 10,8 milhões de unidades em todo o mundo em 2017 – mais do que o volume individual de Toyota, Volkswagen e GM.

Na Nissan, Ghosn é creditado por salvar a japonesa do colapso financeiro. Ele implementou uma série de mudanças na companhia, incluindo o fechamento de cinco fábricas, o que resultou na demissão de 21 mil trabalhadores. O executivo defendia que o mercado global de veículos de passeio era muito pulverizado. Por isso, adicionou a Mitsubishi à aliança. Outra “causa” do executivo foi o investimento em carros elétricos antes das rivais.

A prisão do executivo brasileiro teve impacto direto nas ações da Renault, que fecharam em queda de 8,43% na Bolsa de Paris. Pela manhã, os papéis chegaram a recuar 13%. A saída de Ghosn deve levantar questões sobre o futuro da aliança que ele moldou e se comprometeu a consolidar e aprofundar ao longo dos próximos dois anos. “A reação inicial das ações mostra como ele é fundamental nesse processo”, disse à Reuters o analista do Citigroup, Raghav Gupta-Chaudhary.

Redação Dinheirama
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários