Agora você confere as principais notícias de 06/02/2019, quarta-feira.

Guedes afirma que proposta para Previdência gera economia de R$ 1 trilhão em 15 anos

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta terça-feira (5), que o presidente Jair Bolsonaro fará um “cálculo político” para decidir o que fica na proposta de reforma da Previdência. Embora a equipe econômica defenda uma idade mínima de 65 anos para homens e mulheres ao fim da transição, como antecipou o jornal O Estado de São Paulo, Guedes reconheceu que Bolsonaro prefere que haja uma diferença entre homens e mulheres nesse ponto.

Por outro lado, ele indicou que a proposta será dura o suficiente para “resolver o problema”. “O importante é ter potência fiscal para resolver o problema”, disse Guedes. Segundo ele, o objetivo é garantir uma economia de ao menos R$ 1 trilhão – mas citou duas simulações, de que essa economia seja obtida em 10 anos ou 15 anos.

O ministro disse que há “duas ou três” versões alternativas da proposta. Na segunda-feira, o jornal O Estado de São Paulo divulgou o teor da proposta que foi fechada pela equipe de Guedes. O teor do documento foi confirmado à reportagem por três fontes que participam da negociação da proposta que endurecerá as regras para se aposentar no Brasil. Duas delas, da equipe econômica, ressaltaram que a palavra final será do presidente Bolsonaro.

Guedes destacou que o próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), defende idade mínima igual para homens e mulheres, pois elas têm expectativa de vida maior que a dos homens. “Foi falado homens e mulheres com 65 anos. (…) Só que a posição do presidente Bolsonaro foi sempre que não, que as mulheres deviam ficar com uma idade menor. Foi o que (vice-presidente Hamilton) Mourão falou hoje, palavra final é do presidente. Vamos ser bem mais precisos brevemente”, afirmou.

A ideia é entregar a proposta a Bolsonaro quando ele sair do hospital. “O presidente olha e diz isso aqui sim, isso aqui não. Ele tem o cálculo político dele. Não adianta mandar proposta que não é aceita. Estamos calibrando”, acrescentou o ministro.

Guedes evitou, porém, responder diretamente se o presidente deve de fato flexibilizar a proposta da equipe econômica. “O presidente chegou a dizer coloquem 57 para mulheres e 62 (para homens), e o próprio deputado Maia disse à época que transição tinha que ser rápida”, respondeu Guedes. Segundo ele, chegou-se a simular essa hipótese, mas não se atingia o objetivo de uma economia de ao menos R$ 1 trilhão.

“Favorece muito o nosso governo, porque na hora que empurra para frente, sem transição, mas não é generosa o suficiente com quem está na sua eminência (de se aposentar)”, explicou o ministro.

Guedes afirmou ainda que o desafio do governo não é só salvar a Previdência antiga, mas também livrar futuras gerações de “armadilha”.

Se governo conseguir votos, reforma da Previdência sai em 3 meses, diz Maia

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), afirmou nesta terça-feira (5) que o governo precisará de prazo para construir uma base aliada capaz de aprovar a reforma da Presidência. Ele avaliou que ainda não há votos suficientes na Casa para aprovar a proposta.

Embora a equipe econômica tenha estudado a possibilidade de aproveitar o texto de reforma apresentado pelo ex-presidente Michel Temer para encurtar a tramitação, Maia afirmou que a reforma respeitará o regimento interno da Casa e passará por duas comissões antes de ser levada ao plenário.

“O que nós temos que garantir é voto. Se a maioria dos partidos que defende a reforma da Previdência completar mais de 308 votos, essa é a solução do nosso problema. O nosso problema não está no regimento, o nosso problema está, como esteve no governo anterior, em não ter votos”, afirmou.

O presidente da Câmara informou que o texto a ser enviado pelo governo passará por análise na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), em uma comissão especial e, depois, no plenário.

Para ele, se o governo conseguir angariar votos suficientes, é possível que o texto seja aprovado na Câmara até o mês de maio. Para ser enviado ao Senado, o projeto exige 308 votos favoráveis em dois turnos na Câmara.

“Isso é uma construção que está começando agora”, disse. “O nosso problema é garantir, em dois meses, que a reforma da Previdência tenha 320 ou 330 deputados a favor”.

Guedes informou que, quando o presidente Jair Bolsonaro concluir a recuperação da cirurgia, irá apresentar as duas ou três versões da reforma da Previdência para que ele decida.

Bolsa fecha em queda pressionada por Itaú, mas mantém 98 mil pontos

Com o peso das ações do Itaú e de declarações sobre a reforma da Previdência, a Bolsa brasileira recuou na terça-feira, em direção contrária do exterior. O dólar também recuou.

Nesta terça, membros do governo passaram o dia dando declarações sobre a minuta da proposta de reforma da Previdência, negando que ela trará a versão final das mudanças nas aposentadorias dos brasileiros.

O ponto mais refutado foi a possibilidade de homens e mulheres terem idade mínima igual para aposentadoria, de 65 anos. Ainda que esse seja um desejo da equipe econômica, liderada por Paulo Guedes, já foi inúmeras vezes descartado pelo presidente Jair Bolsonaro  (PSL).

O Ibovespa, principal índice acionário do país, cedeu 0,28%, a 98.311 pontos O giro financeiro foi de R$ 16,3 bilhões, seguindo a média diária de janeiro.

O índice foi pressionado pela divulgação de resultados do Itaú, cujo lucro ficou abaixo das projeções do mercado. Para 2019, a expansão da carteira de crédito, prevista para ficar entre 8% e 11%, deve ser mais contida que a dos principais concorrentes.

O Itaú tem peso de 10,8% no Ibovespa, e as ações caíram mais de 4% nesta terça, a R$ 38.

O dólar recuou modestamente ante o real e fechou a R$ 3,6670.

Chanceler descarta uso do Brasil para tropas americanas ajudarem Venezuela

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou na terça-feira (5), que o Brasil avalia a forma de disponibilizar ajuda humanitária à Venezuela. “Nós estamos criando um processo de coordenação lá em Brasília para ver exatamente como seria a logística, como nós poderíamos ajudar com essa questão do trânsito da ajuda humanitária e da disponibilização da ajuda humanitária como parte também do nosso esforço de consolidar o processo de transição democrática”, afirmou nesta tarde em Washington, sem responder se a ajuda humanitária à Venezuela pode entrar pela fronteira com o Brasil.

Ele descartou, contudo, a possibilidade de receber tropas americanas em território brasileiro para trabalhar na abertura de um canal de apoio à população do país vizinho. “Qualquer que seja a maneira de fazer chegar ajuda humanitária temos certeza que não é necessário ter tropas americanas ou de outro país, nós teríamos condições de proporcionar a logística para isso com nossos próprios meios”, afirmou Araújo.

A ajuda humanitária à Venezuela tem sido oferecida pela comunidade internacional desde o reconhecimento de Juan Guaidó como presidente interino, frente à crescente pressão doméstica e internacional pela saída de Nicolás Maduro do poder e a convocação de eleições presidenciais.

Araújo se reuniu nesta manhã com o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, em Washington. Segundo o chanceler, os dois conversaram sobre “visões de mundo dos dois países” e da expectativa de que Brasil e EUA possam fazer muita coisa em conjunto, como no caso da Venezuela. “É uma visão estratégica de como nós precisamos estar mais juntos em muitas coisas, tanto na parte econômica quanto em segurança e defesa”, afirmou. Ainda segundo Araújo, os dois países têm visto a situação da Venezuela de maneira muito semelhante e com “apoio total ao processo de transição democrática” presidido por Guaidó.

“Coincidimos na necessidade de continuar trabalhando, no nosso caso tanto individualmente quanto através do Grupo de Lima, mas sobretudo esse compromisso muito grande com a redemocratização da Venezuela é uma coisa dos dois países”, afirmou o chanceler.

Redação Dinheirama
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