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Sumiços arranham imagem de Guedes, dizem investidores

Representantes da Amcham (Câmara Americana de Comércio) falaram com Paulo Guedes, guru econômico de Jair Bolsonaro (PSL), mais de uma vez na quinta-feira (20) para se certificar de sua presença em debate na manhã desta sexta-feira (21), em São Paulo.

Guedes cancelou a participação menos de uma hora antes do evento. Mais de 300 pessoas haviam confirmado presença. Diante do aval do economista, todo o auditório foi preparado para recebê-lo. A instituição destacou um motorista para pegar Guedes no aeroporto, mas ele perdeu viagem.

A Amcham é uma entidade que reúne cinco mil empresas associadas, sendo 85% delas de origem nacional. Seu conselho de administração conta com 38 presidentes de grandes empresas, como Citi, Pepsico, Boeing, Cargill, Walmart, entre outras. Os debates e eventos organizados pela Câmara têm ampla repercussão há décadas.

Desde a semana passada, quando vieram à tona informações de que teria sido beneficiário de uma fraude e de que sugeriu a recriação da CPMF, Guedes tem cancelado compromissos em série.

Além do debate, o economista deixou de ir a outros três eventos importantes: uma entrevista no programa Roda Viva, da TV Cultura; uma reunião com clientes do banco de investimento Credit Suisse; e desmarcou palestra nesta sexta-feira na corretora XP.

O cancelamento de Guedes no último instante gerou correria na Amcham, que dividiu os contatos das pessoas para ligar a todos rapidamente e avisar que o economista não compareceria ao evento. Como a sede da instituição fica em Santo Amaro, na zona sul, em região afastada dos bairros mais centrais de São Paulo, a maior parte dos convidados já estava a caminho.

No local, aproveitando os pães de queijo e os cafés postos à mesa para receber o convidado que não apareceu, investidores e empresários mostraram irritação com a postura de Guedes.

“É absurdo [o cancelamento]. Queria ouvir as propostas econômicas dele e saber quais os fundamentos econômicos que ele tem para tirar o país dessa crise. Nessa semana ele falou da volta da CPMF, que é um imposto totalmente antieconomia. Vai contra os princípios econômicos, onera em cascata, desde o produtor até o consumidor final. Queria saber o que ele acha, fiquei muito decepcionado”, diz Claude Tillier, broker autônomo.

“Por princípio, antes da eleição, acontecer isso [cancelamentos em série] é um pouco complexo. Arranhou a imagem dele. Muitas pessoas acreditam no conhecimento técnico e econômico do Paulo Guedes para poder levar o país para fora da crise. De repente é corrigido publicamente pelo Bolsonaro? Arranhou a imagem por isso também”, completa Tillier, que teme que Guedes deixe nos primeiros meses um eventual governo do capitão reformado do Exército.

“Quem pegar o país vai enfrentar uma situação bem difícil. A atitude que essa pessoa tomar vai decidir um norte ou afundar de vez o Brasil”, afirma Rosana Gammaro, gerente executiva do grupo Meta RH.

“O sumiço de Guedes significa, na minha visão, que ele não quer se posicionar. Ele está passando muito isso. ‘Vou enfiar minha cabecinha dentro de um buraco e ninguém me vê’. Acho que por pior que seja a situação, você tem que chegar e colocar a sua posição. Seria positivo que ele aparecesse. É ruim para a campanha dele que não fale”, completa, referindo-se ao desaparecimento do economista depois da revelação de sua proposta da “nova CPMF”.

Brasil cria 110 mil empregos em agosto

A economia brasileira gerou um saldo positivo de 110.431 postos de trabalho com carteira assinada em agosto, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Mais cedo, segundo a Reuters, o presidente Michel Temer afirmou, em cerimônia no Palácio do Planalto, que o País havia criado 117 mil empregos formais, número superior ao que indicou o resultado oficial.

“Eu recebi ainda ontem (quinta-feira, 20) à noite a notícia do ministro Caio, do Trabalho, que no mês de agosto foram abertas, ou contratadas, registradas 117 mil vagas. E é claro que nós precisamos de mais. Aliás, esse índice de agosto é um índice recorde, nos últimos tempos não houve em mês algum uma abertura tão grande, uma contratação tão grande quanto se deu no mês de agosto”, afirmou o presidente.

Ainda assim, o resultado é o melhor para o mês desde agosto de 2013, quando foram gerados 127.648 empregos formais. O mês de agosto é o oitavo seguido com criação de empregos formais, de acordo com a série histórica com ajuste sazonal. O mês registrou o segundo melhor desempenho do ano e atrás apenas de abril, quando a economia gerou 127.134 empregos formais.

Dólar fecha perto de R$ 4,05 na menor cotação em um mês

A leitura, a partir de pesquisas divulgadas nos últimos dias, de que o candidato Jair Bolsonaro (PSL) se consolida rumo ao segundo turno e candidaturas de esquerda avançam em ritmo menos intenso do que o esperado inicialmente ajudou o dólar a fechar a semana em baixa e levou a Bolsa novamente aos 79 mil pontos.

O dólar comercial recuou 0,68% nesta sexta-feira (21), para R$ 4,048, menor cotação desde 21 de agosto, quando fechou a R$ 4,039. Na mínima da sessão de hoje, chegou a R$ 4,03. Na semana, acumula queda de 3%.

O Ibovespa, índice das ações mais negociadas no Brasil, subiu 1,70%, para 79.44,29 pontos. O índice fecha a semana com ganho de 5,3%, o segundo melhor desempenho semanal no ano.”

Operadores apontam que o susto com a pesquisa Ibope de terça-feira (18), que mostrou Fernando Haddad (PT) avançando 11 pontos, de 8% para 19%, não foi inteiramente confirmado por levantamentos subsequentes.

No Datafolha de quinta (20), o ex-prefeito atingiu 16% das preferências, três pontos a mais do que na semana passada, mesmo percentual apresentado pela pesquisa semanal da corretora XP nesta sexta.

No Ibope, no Datafolha e na última pesquisa da XP Bolsonaro avançou para 28% das intenções de voto.

Além do crescimento gradativo de Bolsonaro, o avanço de Haddad parece mais limitado.

Redação Dinheirama
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