Agora você confere as principais notícias de 11/12/2018, terça-feira.

Moro defende apuração sobre pagamentos de ex-assessor de Flávio Bolsonaro

O futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, defendeu na segunda-feira (10) que sejam esclarecidos os fatos relacionados ao relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que aponta movimentação financeira atípica de um ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL), filho de Jair Bolsonaro e senador eleito.

Questionado por repórteres sobre o tema, Moro falou que é inapropriado, em sua posição, fazer comentários sobre casos concretos.

“Eu, na verdade, fui nomeado para ser ministro da Justiça. Não cabe a mim dar explicação sobre isso”, disse.

Em seguida, o ex-juiz comentou o caso e disse que explicações ainda precisam ser dadas.

“O presidente já apresentou algum esclarecimento. Tem outras pessoas que precisam prestar seus esclarecimentos. E os fatos, se não forem esclarecidos, têm que ser apurados”, disse.

O documento do Coaf aponta que o ex-assessor parlamentar e policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Uma das transações seria um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Hoje vinculado ao Ministério da Fazenda, o Coaf passará para o Ministério da Justiça a partir do ano que vem. Sob sua responsabilidade, Moro disse que o órgão será reforçado.

“Haverá uma possibilidade de reforçar o corpo funcional, com o que se espera que haja uma maior eficiência. Também há uma intenção de deixá-lo trabalhando mais próximo dessas operações de investigação”, afirmou.

Na sexta-feira (7), o ex-magistrado se esquivou de comentar o caso envolvendo Flávio Bolsonaro, ao fim de uma entrevista coletiva em Brasília. Diante de perguntas a respeito do episódio, apenas acenou com tchau e continuou a andar para ir embora.

O presidente eleito afirmou neste domingo (9) que Fabrício Queiroz, o ex-assessor de seu filho, deve explicações sobre as movimentações. O Coaf citou repasses entre Fabrício e outros assessores do senador eleito.

Indagado se vê isso com naturalidade, Bolsonaro disse: “Ele tem que explicar, pode ser, pode não ser”.

FGV reduz projeção do PIB em 2018 para crescimento de 1,3%

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018 deve ser de 1,3%, segundo a equipe de especialistas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas. A projeção de alta do PIB foi reduzida – a previsão anterior era de 1,5% – após o anúncio de revisões dos dados de 2016 e 2017 por parte do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para 2019, o Ibre projeta avanço de 2,4% no PIB, em seu cenário base.

Segundo a pesquisadora Silvia Matos, que apresentou os dados nesta segunda-feira, 10, durante seminário de análise de conjuntura do Ibre, quando se olha as revisões desagregadas feitas pelo IBGE, o PIB de 2017 ficou “um pouco mais benigno, não foi só agropecuária”.

Para Silvia, a tendência é que o consumo das famílias seja o motor da economia no ano que vem. O Ibre projeta avanço de 2,5% no consumo das famílias no próximo ano.

O quadro atual é desfavorável para a dinâmica de emprego e renda, mas a expectativa é que haja uma melhora gradual. As projeções do Ibre apontam taxa de desemprego ainda elevada, caindo de 12,2%, conforme estimativa de 2018, para 11,9% em 2019, enquanto o mercado de trabalho poderá terminar o próximo ano com de 700 mil a 800 mil empregos formais criados, ante os 406 mil esperados para este ano.

O avanço maior do consumo ainda depende da expansão do crédito, conforme Silvia. “As famílias ainda estão muito endividadas e o mercado de trabalho tem uma recuperação muito gradual”, afirmou Silvia.

Após os últimos dados de inflação, o Ibre também revisou a projeção para o IPCA, índice oficial calculado pelo IBGE.

Com incertezas locais e externas, Bolsa cai 2,5% e dólar fecha a R$ 3,92

O mau humor prevaleceu nos mercados, em meio aos temores de desaceleração global e ao adiamento por tempo indeterminado da votação, no Parlamento britânico, do acordo sobre o Brexit fechado entre o governo da primeira-ministra Theresa May e a União Europeia.

O Ibovespa terminou com perda de 2,50%, aos 85.914,71 pontos, na mínima da sessão. Foi o terceiro recuo consecutivo, também influenciado pelo desconforto com o cenário local, sobretudo pelas movimentações financeiras suspeitas de um ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro, filho do presidente eleito, Jair Bolsonaro.

O dólar, afetado ainda pelas remessas de fim de ano ao exterior, engatou a quinta alta consecutiva e terminou com valorização de 0,69%, a R$ 3,9223, no segmento à vista – maior cotação em dez dias. Após o encerramento dos negócios, o Banco Central anunciou dois leilões de linha de até US$ 1 bilhão.

A maior queda na Bolsa brasileira ficou com Gol PN (-7,12%), num comportamento atribuído em parte à alta do dólar e em parte a um movimento de correção de ganhos recentes. Já as ações da Petrobrás perderam 4,96% (ON) e 5,37% (PN).

Os desentendimentos entre integrantes do PSL, partido de Bolsonaro, e protestos de caminhoneiros também causaram incômodo.

A aversão ao risco levou à alta generalizada do dólar e à queda das bolsas e das commodities. Enquanto os índices acionários europeus encerraram em baixa, em Wall Street as bolsas tentavam alguma recuperação apoiada pelos papéis do setor de tecnologia.

Prisão de executiva da Huawei leva temor a viajante de negócios dos EUA

A detenção de uma importante executiva do setor de tecnologia chinês durante uma viagem ao exterior despertou preocupações de que executivos americanos fiquem vulneráveis a retaliação. Alguns especialistas os aconselham a reconsiderar seus planos de viagem.

No dia 1º, autoridades canadenses detiveram Meng Wanzhou, vice-presidente de finanças da Huawei e filha do fundador da gigante dos celulares e tecnologia, a pedido dos Estados Unidos, no momento de sua chegada ao aeroporto de Vancouver.

O Canadá está entre os mais de cem países que têm tratado de extradição com os Estados Unidos.

A Huawei afirma desconhecer qualquer delito de Meng e diz que a empresa cumpre as leis e regulamentos de todos os mercados em que opera.

Diplomatas, especialistas em questões internacionais e advogados, tanto na China quanto nos Estados Unidos, afirmam que a detenção pode criar novos confrontos, em um momento de tensão entre os dois países, e mencionaram a possibilidade de retaliação chinesa.

“Você quer ser a pessoa que coloca isso em teste?”, afirma James Lewis, pesquisador do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington.

Em vez colocar executivos no alvo, a China pode optar por um caminho diferente. Enquanto o governo Trump promovia uma escalada nas disputas comerciais, neste ano, Pequim buscava se retratar como mais justa, apegada às regras e mais simpática aos interesses de negócios do que os Estados Unidos.

Geng Shuang, porta-voz do Ministério do Exterior chinês, disse na sexta-feira (7) que a China sempre protege os direitos e interesses legítimos dos estrangeiros no país, de acordo com a lei.

“Acredito que eles certamente devem respeitar as leis e regulamentos chineses”, acrescentou.

Nos últimos anos, a China deteve e processou executivos de outros países em casos de grande notoriedade envolvendo os setores farmacêutico, de commodities, de jogos e financeiro.

As autoridades também recorreram a restrições de viagem para impedir que estrangeiros envolvidos em disputas ou investigações deixassem a China.

Em outubro, as autoridades de Pequim impediram uma executiva do UBS de deixar o país, sob circunstâncias que ela, o banco suíço e as autoridades chinesas se recusaram a discutir.

Na época, o UBS aconselhou alguns de seus executivos a que só fizessem visitas à China se fosse muito necessário.

Depois do caso da Huawei, um importante executivo de uma grande companhia de tecnologia americana disse que era prematuro especular sobre a possibilidade de que a empresa alterasse suas normas de viagem.

Redação Dinheirama
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