Agora você confere as principais notícias de 25/01/2019, sexta-feira.

O governo nunca irá interferir no trabalho de investigadores, afirma Moro

O ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro afirmou que o governo federal não intervirá na investigação das transações financeiras suspeitas envolvendo o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL) e seus assessores. Em entrevista para a Agência Reuters em Davos, na Suíça, Moro disse que a investigação é preliminar e está nas mãos dos promotores estaduais.

“Eles estão fazendo seu trabalho de maneira normal. O governo nunca vai interferir no trabalho dos investigadores ou no trabalho com promotores”, disse o ministro, que está na comitiva brasileira que participa do Fórum Econômico Mundial.

Na entrevista para a Reuters, Moro ainda defendeu o decreto que flexibilizou a posse de armas de fogo, assinado no dia 15 de janeiro pelo presidente Jair Bolsonaro.

Na segunda-feira (21), o procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussem, afirmou que Flávio Bolsonaro e outros 26 parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado são investigados na esfera cível por suspeita de improbidade administrativa.

Eles são citados em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que detectou movimentações financeiras atípicas, com indícios de lavagem de dinheiro e ocultação de bens. Apesar das suspeitas, nenhum deputado é investigado criminalmente.

“Ninguém (ainda) é investigado (na esfera criminal). Inicialmente, estamos apurando fatos”, disse Gussem. A informação de que relatórios do Coaf apontavam suspeitas envolvendo deputados estaduais foi antecipada nesta segunda pelo Estado.

O ex-assessor Fabrício Queiroz, que trabalhou no gabinete de Flávio, é um dos investigados. Seu nome aparece em relatório do Coaf por movimentação de R$ 1,2 milhão no período de janeiro de 2016 a janeiro de 2017.

Na última quinta-feira, o ministro Luiz Fux, do Supremo, concedeu liminar que determinou a  paralisação das apurações criminais sobre o caso e seu envio ao relator, ministro Marco Aurélio Mello. No pedido para a Corte, Flávio Bolsonaro alegou que a investigação do MP do Rio era ilegal, pois a instituição não teria direito a isso, uma vez que ele foi eleito senador.

O senador eleito é citado em outro relatório, por ter recebido 48 depósitos no mesmo valor (R$ 2 mil), em operações feitas em posto de atendimento bancário na Alerj.  Flávio afirmou que os recursos são referentes à venda de imóvel no Rio – o que é confirmado pelo comprador, o ex-atleta Fábio Guerra.

Com medo de ameaças, Jean Wyllys, do PSOL, desiste de mandato e deixa o Brasil

Eleito pela terceira vez consecutiva deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro, Jean Wyllys (44), vai abrir mão do novo mandato.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o parlamentar —eleito com 24.295 votos e que está fora do país, de férias— revelou que não pretende voltar ao Brasil e que vai se dedicar à carreira acadêmica.

O presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, confirmou que a vaga de Wyllys deve ser ocupada pelo suplente David Miranda (PSOL), que atualmente é vereador no Rio de Janeiro.

Desde o assassinato da sua correligionária Marielle Franco, em março do ano passado, Wyllys vive sob escolta policial. Com a intensificação das ameaças de morte, comuns mesmo antes da morte da vereadora carioca, o deputado tomou a decisão de abandonar a vida pública.

“O [ex-presidente do Uruguai] Pepe Mujica, quando soube que eu estava ameaçado de morte, falou para mim: ‘Rapaz, se cuide. Os mártires não são heróis’. E é isso: eu não quero me sacrificar”, justifica.

De acordo com Wyllys, também pesaram em sua resolução de deixar o país as recentes informações de que familiares de um ex-PM suspeito de chefiar milícia investigada pela morte de Marielle trabalharam para o senador eleito Flávio Bolsonaro durante seu mandato como deputado estadual pelo Rio de Janeiro.

“Me apavora saber que o filho do presidente contratou no seu gabinete a esposa e a mãe do sicário”, afirma Wyllys. “O presidente que sempre me difamou, que sempre me insultou de maneira aberta, que sempre utilizou de homofobia contra mim. Esse ambiente não é seguro para mim”, acrescenta.

Após a divulgação de que Wyllys decidiu abrir mão de seu mandato, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho de Jair Bolsonaro, escreveu no Twitter: “Vá com Deus e seja feliz!”. O presidente, após dizer que estava retornando de Davos, na Suíça, ao Brasil, postou em rede social a mensagem “Grande dia!”.

Ibovespa fecha acima dos 97 mil pontos pela primeira vez na história

O Ibovespa encerra a semana com mais um recorde histórico, o 11º de 2019. Pela primeira vez, marcou mais de 97 mil pontos. Fechou na máxima aos 97.677,19 pontos em alta de 1,16%. Com esse resultado, o índice acumulou alta de 1,64% na semana e de 11,14% no ano. O giro financeiro foi de R$ 15 bilhões, pouco menor que a média diária de janeiro.

O desempenho destoou do humor externo, onde autoridades internacionais veem uma deterioração das condições econômicas, sobretudo na Europa, e onde o investidor monitora as discussões sobre o Brexit, a persistente paralisação da administração americana e também a falta de uma solução definitiva para a guerra comercial entre os gigantes China e Estados Unidos.

O dólar teve um dia volátil no mercado. O movimento refletiu o aumento de posições defensivas por conta do feriado em São Paulo nesta sexta-feira, 25, que fecha a B3 e o mercado futuro, muito mais líquido e que determina os preços no segmento à vista. A moeda americana também se fortaleceu no exterior, sobretudo por conta da forte queda do euro após o Banco Central Europeu (BCE) alertar de riscos negativos para o crescimento da região. O dólar à vista fechou em alta de 0,23%, a R$ 3,7709. O dólar para fevereiro subiu 0,15%, cotado em R$ 3,7730.

Na máxima, o dólar chegou a bater em R$ 3,79, enquanto na mínima caiu a R$ 3,73. Operadores ressaltam que houve antecipações de negócios, pois o mercado em São Paulo estará fechado nesta sexta-feira, 25, e só haverá o segmento à vista, inclusive com definição do referencial Ptax do dia. Com isso, o volume negociado no mercado futuro subiu para US$ 19,6 bilhões, um dos maiores dos últimos dias. No segmento à vista, somou US$ 1,4 bilhão.

Rússia adverte contra banho de sangue, mas opções são limitadas

Preocupada com o risco de perder sua cabeça de ponte estratégica no quintal dos Estados Unidos, a Rússia advertiu os americanos a não intervir militarmente na Venezuela e previu que o impasse atual no país pode acabar em um “banho de sangue”.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia manteve o reconhecimento do ditador Nicolás Maduro e advertiu que o estabelecimento de um governo paralelo liderado pelo opositor Juan Guaidó é uma via para a “anarquia e o banho de sangue”.

Já o adjunto do ministério, Serguei Riabkov, disse à agência Interfax que uma eventual ação militar estrangeira, liderada ou estimulada pelos EUA, levaria a um “cenário catastrófico” no país. E o próprio presidente Vladimir Putin ligou para Maduro para expressar o apoio, de acordo com o Kremlin.

Ao longo dos anos, tanto a Rússia quanto a China estabeleceram uma forte parceria para sustentar o regime chavista. Enquanto Pequim optou pela via do poder do dinheiro, tornando-se a maior credora de Caracas, Moscou criou laços geopolíticos lastreados também em poder militar.

De 2005 para cá, estima-se que a Rússia tenha vendido entre US$ 11 bilhões e US$ 20 bilhões em armamentos para a Venezuela, que tornou-se no começo da década a segunda maior compradora de produtos bélicos russos.

Não se pode levar isso, contudo, pelo valor de face. Hugo Chávez e Maduro sempre fizeram financiamentos com os russos dando petróleo como garantia e pagamento, e autoridades em Moscou se queixam reservadamente de calotes.

Isso não demoveu o Kremlin de manter sua aposta política e emprestar cerca de US$ 17 bilhões desde 2016 para a ditadura. Em dezembro, Maduro anunciou US$ 6 bilhões em novos investimentos russos, dinheiro que não apareceu ainda.

A Rosneft, a Petrobras russa, tem participação de 40% (a máxima permitida) em cinco campos de petróleo e retira cerca de 210 mil barris do produto por dia da Venezuela –contra 170 mil de operações sino-venezuelanas. De forma mais sensível, ela comprou 49,9% de uma petroleira subsidiária da estatal venezuelana, a PDVSA, nos EUA. A Citgo opera refinarias na costa do Golfo do México. Dois campos de gás no Caribe são operados pela gigante Gazprom.

Redação Dinheirama
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