Agora você confere as principais notícias de 07/12/2018, sexta-feira.

Palocci delator diz que Lula negociou pagamentos para filho com lobista para beneficiar montadoras

O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci disse quinta-feira  (6), em depoimento à Justiça Federal do Distrito Federal, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negociou com o lobista Mauro Marcondes Machado, do setor automobilístico, pagamentos a Luís Cláudio Lula da Silva, seu filho caçula, para a aprovação de uma Medida Provisória que tinha como finalidade prorrogar incentivos fiscais de montadoras instaladas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O caso foi revelado pelo Estado.

Ao juiz Ricardo Augusto Soares Leite, Palocci afirmou que entre o final de 2013 e o início de 2014 o filho caçula do ex-presidente Lula o procurou na sede de sua consultoria, em São Paulo, para pedir contribuições para o seu projeto de esportes.

“Ele disse que precisava para o evento ‘Touchdown’, que ele lidera, para fechar entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões e que eu ajudasse com recursos via empresas conhecidas, porque eu conhecia muitas. Não pude fazer nada e fui falar com Lula para saber se ele me autorizava a fazer isso. Sempre que alguém me pedia em nome do ex-presidente eu o consultava”, contou.

“Aí, ele (Lula) me disse que não precisaria atender ao pedido de seu filho porque ele disse que tinha resolvido o problema com o Mauro Marcondes. Ele me falou que empresas iriam pagar Mauro Marcondes, porque ele já prestava serviços a elas, e prestou nesta ocasião também, porque iam pagar quantia entre R$ 2 e R$ 3 milhões, e que o Mauro ia repassar recursos ao Luís Cláudio.”

De acordo com o ex-ministro, o lobista demonstrou ter acesso ‘irrestrito’ a Lula. “O ex-presidente me disse que tinha confiança no Mauro Marcondes e que o conhecia desde que era sindicalista no ABC e ele era atuante na área empresarial. Tinha razoável confiança nele. Me disse isso porque fiquei espantado com a forma como o ex-presidente teria interferido na MP de forma tão explícita. Mas ele me disse que ele era de confiança dele e que não haveria problema.”

Palocci foi ouvido no processo em que o ex-presidente Lula é acusado de corrupção por, segundo o Ministério Público Federal, ter recebido propina para a editar a Medida Provisória 471. A MP, investigada na Operação Zelotes, foi aprovada em 2009 e tinha como finalidade prorrogar incentivos fiscais de montadoras instaladas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Palocci prestou depoimento na condição de testemunha de acusação no processo em que Lula, o ex-ministro Gilberto Carvalho e mais cinco são réus. Segundo o MPF, a empresa Marcondes e Mautoni Empreendimentos, do lobista Mauro Marcondes Machado, representava os interesses da CAOA (Hyundai) e da MMC Automotores (Mitsubishi do Brasil) e teria ofertado R$ 6 milhões a Lula e Carvalho. O dinheiro seria para financiar campanhas do PT. Como prova dos repasses indevidos, o MPF elencou uma série de troca de mensagens e anotações apreendidas com os alvos da Zelotes. Todos negam as acusações do MPF.

Ação do PT na Justiça de SP suspende negócio Embraer-Boeing

Uma decisão da Justiça Federal suspendeu o acordo para a criação de uma joint venture entre a americana Boeing e a brasileira Embraer. A decisão liminar (provisória) atende a pedido feito por deputados petistas em uma ação popular. Cabe recurso.

A ordem judicial foi expedida na quarta-feira (5).

Na decisão, o juiz federal Victorio Giuzio Neto, da 24ª Vara Cível de São Paulo, determina a suspensão de qualquer efeito concreto de eventuais medidas tomadas pelo conselho da Embraer para transferir à Boeing a divisão de jatos comerciais da fabricante brasileira.

Os autores da ação foram os deputados Paulo Pimenta (PT), Carlos Alberto Zarattini (PT), Nelson Pellegrino (PT) e Vicente Cândido (PT).

A compra de 80% da divisão de jatos comerciais da Embraer por US$ 3,8 bilhões pela Boeing foi acertada em julho deste ano com a assinatura de um memorando de entendimentos, mas a conclusão do negócio continua em aberto.

Na decisão, o juiz pondera ser recomendável que não sejam tomadas medidas irreversíveis durante o atual momento de transição de governo.

“Considerando também a proximidade do recesso do Poder Judiciário ao qual se deve somar a posse do novo presidente da República com as alterações em equipes de governo, ao lado da ampla renovação do Poder Legislativo, o que torna igualmente recomendável evitar que eventuais atos concretos se efetivem neste período criando uma situação fática de difícil ou impossível reversão”, escreveu o magistrado.

A equipe de transição do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), manifestou desejo de conhecer os detalhes da operação, conforme anunciou em 29 de outubro o futuro chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), o general Augusto Heleno.

Mas, também segundo afirmou o futuro ministro na ocasião, ainda existia a possibilidade de que a aprovação do negócio pelo governo brasileiro viesse a ocorrer ainda neste ano, antes do fim do mandato do presidente Michel Temer, que vinha manifestando simpatia pelo acordo.

O governo tem uma “golden share” na Embraer, uma ação que lhe dá poderes para aprovar e vetar temas estratégicos para a companhia.

Déficit primário deve ser de até R$ 126 bilhões em 2018, diz Temer

O presidente Michel Temer afirmou na noite de quinta-feira (6), durante homenagem que recebeu na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que o déficit primário de 2018 vai ser menor do que o anteriormente previsto.

“Ontem (quarta-feira) mesmo, o Eduardo Guardia (ministro da Fazenda) comentou comigo que o déficit não vai ser mais de R$ 159 bilhões, mas sim entre R$ 125 e R$ 126 bilhões”, afirmou Temer, em discurso na sede da entidade, em São Paulo.

Durante sua fala, Temer ressaltou as medidas que tomou desde que assumiu a Presidência, em maio de 2016, e disse que elas foram responsáveis pela retomada da credibilidade do País.

Na visão do presidente, o trabalho que ele conduziu no governo “começa agora a ser reconhecido”. “Umas das provas de que fizemos um bom trabalho é que nossos ministros estão sendo chamados a outros governos, como aqui em São Paulo e no Distrito Federal”, ressaltou.

O presidente afirmou ainda que se “regozija” de ter colocado a reforma da Previdência na pauta política do País. “A prova disso é que o governo eleito colocou o tema como uma das prioridades”, disse o presidente.

Medo de acirramento na disputa comercial entre EUA e China derruba Bolsas

Os mercados acionários amargaram novo dia de perdas na quinta-feira (6), reflexo de temores de um agravamento da guerra comercial travada entre Estados Unidos e China. O resultado do fechamento, porém, foi em patamares mais contidos que os registrados ao longo do pregão. O dólar terminou em leve alta.

A notícia que desestabilizou os mercados foi a prisão da vice-presidente financeira e filha do fundador da empresa chinesa de tecnologia Huawei, Meng Wanzhou. Detida no Canadá, ela poderá ser extraditada para os Estados Unidos.

A companhia chinesa é um dos alvos do presidente americano, Donald Trump. Americanos investigam se companhia chinesa violou sanções do país contra o Irã desde pelo menos 2016, o que teria embasado a prisão de Wanzhou.

O governo americano vem acusando a Huawei de permitir que os aparelhos sejam utilizados para espionagem, afirmações que se intensificaram desde que Trump subiu o tom contra a China.

Nessa queda de braço, investidores consideram que a trégua na guerra comercial, acertada entre Trump e o líder chinês, Xi Jinping, no final de semana pode naufragar antes mesmo do início das negociações.

Os países haviam fixado prazo de 90 dias sem imposição de novas tarifas, para fechar um acordo comercial.

O acirramento da disputa entre China e Estados Unidos, segundo analistas do mercado, teria potencial de agravar a desaceleração da economia global, que de qualquer forma já estaria contratada para os próximos anos.

Essa perspectiva de desaceleração também se impôs sobre as cotações de matérias-primas, como o petróleo, negociado ao redor dos US$ 60 o barril.

Nesta quinta, os países-membro da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) chegaram a um acordo para cortar a produção do combustível, mas ainda é preciso ouvir a Rússia, um grande produtor que não faz parte do grupo.

A expectativa é de que a redução da produção ajude a sustentar as cotações de petróleo.

Nesta quinta, o Ibovespa, principal índice acionário do país, fechou em queda de 0,22%, a 88.846 pontos. O giro financeiro foi de R$ 14 bilhões. Na mínima da sessão, o índice chegou a ser negociado perto dos 87 mil pontos.

As perdas foram puxadas pela desvalorização da Petrobras. Os papéis preferenciais cederam 3,79%.

Já o dólar, que chegou a ser cotado a R$ 3,9440, fechou o dia com ganho de 0,12%, a R$ 3,875. A moeda também se beneficiou do fechamento mais sereno visto nas Bolsas.

Redação Dinheirama
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários