Agora você confere as principais notícias de 12/12/2018, quarta-feira.

Nova investida da PF eleva pressão para expulsão de Aécio do PSDB

A nova investida da Polícia Federal contra o senador mineiro Aécio Neves o submeteu a patamares elevados de pressão para que saia do PSDB.

Ex-presidente do partido, o senador Tasso Jereissati (CE) se disse surpreso com as revelações da Operação Ross sobre uma suposta mesada de R$ 50 mil ao tucano paga pela JBS.

“É estranho. Se for verdade, é muito sério”, disse Tasso. “Aécio já prejudicou muito o partido.”

Em almoço da bancada do PSDB no Senado, no gabinete de Tasso, nesta terça, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) também criticou Aécio.

“Ele provocou o furacão e escapou da tempestade”, disse o paraibano, referindo-se à eleição do mineiro para a Câmara, a despeito do encolhimento geral do PSDB por conta do envolvimento em escândalos de corrupção.

Na Câmara, deputados tucanos defendem reservadamente a abertura de um processo de expulsão do mineiro, que na eleição de outubro se elegeu para uma vaga na Casa.

O Conselho de Ética do PSDB está instalado há cerca de dez dias com o deputado Samuel Moreira (SP) na presidência para analisar outros pedidos de expulsão como a do ex-governador paulista Alberto Goldman e do prefeito de São Paulo, Bruno Covas.

Caso chegue um pedido relativo a Aécio, o andamento seria célere, segundo tucanos que acompanham o conselho. A decisão final, de toda forma, seria da Executiva nacional.

“Com fortes indícios, como tem, de envolvimento [com corrupção, Aécio] tem que sair. Se não sair, tem que ser expulso”, afirmou o deputado João Gualberto (PSDB).

“Se o partido quiser sobreviver e estar antenado com a sociedade, tem que ter essa coragem. Eu não tiro a importância de ninguém com o seu passado, mas o presente não é mais isso. Aécio passou do tempo de sair. Ele prejudicou muito o partido na eleição.”

Segundo Gualberto, sua opinião é compartilhada pela totalidade da bancada do PSDB na Câmara, à exceção dos deputados mineiros. “As pessoas não têm é coragem”, criticou.

No Senado, Aécio disse que a ação da PF, que cumpriu mandados de busca e apreensão em imóveis ligados ao tucano, foi desnecessária porque ele é o maior interessado em esclarecer os fatos apurados.

“A verdade é que não podemos mais aceitar que delações de criminosos confessos e suas versões se sobreponham aos fatos. O fato concreto é um só. Do que estamos tratando neste inquérito? De doações a campanha eleitoral, doações feitas em 2014 de forma legal, registradas na Justiça Eleitoral, aprovadas por esta mesma Justiça Eleitoral sem qualquer contrapartida”, defendeu-se.

Novo presidente do TCU agradece a Lula em posse com presença de Sérgio Moro

Em discurso de posse como presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), o ministro José Múcio Monteiro fez um agradecimento ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem foi ministro das Relações Institucionais entre 2007 e 2009. O petista está preso e condenado na Operação Lava Jato em Curitiba.

No evento em Brasília, o ex-deputado federal por cinco mandatos falou para uma plateia em que estavam futuros ministros do governo Bolsonaro: Paulo Guedes, da Economia, Sérgio Moro, que assumirá a Justiça, Fernando Azevedo e Silva, da Defesa, e Wagner Rosário, que já chefia a CGU sob Michel Temer e seguirá no novo governo. Quando Múcio agradeceu a Lula, houve aplausos. Guedes e Moro, que o condenou à prisão, não aplaudiram.

“Preciso agradecer ao povo de Pernambuco que me deu cinco mandatos e ao ex-presidente Lula que me fez ministro”, disse Múcio. A plateia teve a presença ainda dos presidentes da República, Michel Temer (MDB); do Senado, Eunício Oliveira (MDB); da Câmara, Rodrigo Maia (DEM); e do Supremo Tribunal Federal, José Dias Toffoli. O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), esteve sentado ao lado de Ana Arraes, que assume como vice do TCU, e José Múcio.

Múcio ainda defendeu a união entre os três poderes e situou o tribunal como um órgão que deve ajudar a criar conexões e não apenas punir gestores.

“Em todos os Poderes teremos em comum a esperança, a solidariedade e a vontade de fazer dar certo. O concerto harmônico entre os poderes torna-se mais necessário do que nunca. Equilíbrio e harmonia são essenciais”, disse Múcio, há nove anos no tribunal. Ele terá como vice a ministra Ana Arraes.

“Não somos e nem queremos ser vistos apenas como o órgão julgador que aponta o erro do gestor e sanciona a conduta irregular ou ilegal”, disse José Múcio. “Temos observado também as boas práticas na gestão pública. Devemos enaltecer as condutas que merecem ser replicadas pelo país.”

Múcio destacou a intenção de contribuir para as pautas prioritárias dos três poderes, evocando uma “agenda comum”. “Vamos atuar infraestrutura, desenvolvimento nacional, fomento a transparência, e prevenção da corrupção”, disse.

“O TCU é órgão de Estado, e não de governo. O Controle tem a sua missão, mas deve dialogar e criar conexões. “Ao longo de sua história, essa instituição contribuiu controlando recursos públicos federais e auxiliando na melhoria dos órgãos. Temos que ser instituição que lidere pelo exemplo”, disse.

Dólar fecha perto da estabilidade após atuação do BC

O dólar terminou a terça-feira com leve alta, com a atuação do Banco Central no mercado de câmbio atenuando as preocupações do exterior reforçadas no período vespertino pelo Brexit e ameaças do presidente Donald Trump de paralisação do governo norte-americano. A Bolsa brasileira fechou em leve alta, +0,59% , em linha com o exterior com 86.420 pontos.

O dólar avançou 0,07%, a R$ 3,9210.

Reformas podem elevar PIB em dois pontos porcentuais em 2019

O Ministério da Fazenda traçou um cenário apocalíptico para a economia brasileira nos próximos quatro anos, caso reformas fiscais e microeconômicas não sejam aprovadas pelo novo governo. O documento de 97 páginas, intitulado “Panorama Fiscal Brasileiro”, foi entregue ao futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, e traça cenários até 2022 que consideram a aprovação ou não de um grande arsenal de medidas para o aumento de receitas e a redução de despesas.

No cenário sem nenhuma reforma, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceria apenas 0,7% em 2019, chegando a cair 0,5% em 2020. Em 2021 e 2022, o crescimento da economia brasileira não passaria de 0,6% e 0,4%, respectivamente.

Em um cenário com reformas, a alta do PIB seria de 2,6% em 2019 e 2,9% em 2020. Com o impulso na produtividade, o crescimento da economia alcançaria 3,4% em 2021 e 3,5% em 2022.

Os cenários traçados pelo Ministério da Fazenda também mostram o impacto das reformas em outros indicadores. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), por exemplo, saltaria para 7,5% já no próximo ano em um cenário sem medidas, ou ficaria em 4,2% – mais próxima da meta – caso as reformas andem em 2019. Para 2022, a inflação ficaria em 6,3% no pior cenário ou em 3,7% no melhor.

Da mesma forma, a taxa básica de juros (Selic) precisaria subir a 13,4% em 2022 para conter a alta de preços em um cenário sem reformas. Com as medidas aprovadas, os juros ficariam estabilizados em 7% ao longo dos próximos anos.

A Fazenda também aponta que a taxa de câmbio poderia chegar a inéditos R$ 5,24 em 2022 caso o novo governo não leve adiante a agenda de reformas na economia. Com as medidas aprovadas, porém, o dólar deve ficar em R$ 3,28 daqui a quatro anos.

Trump ameaça paralisar governo se democratas vetarem verba para muro na fronteira com México

Em um vislumbre do que deve ser a dinâmica da relação da administração de Donald Trump com a maioria democrata na Câmara dos Deputados que assume em janeiro, o presidente e líderes da oposição bateram boca na terça-feira (11) sobre o financiamento do muro que o republicano quer construir na fronteira com o México.

O presidente ameaçou paralisar o governo caso os democratas se recusem a aprovar o orçamento para o financiamento do muro —há a possibilidade de uma paralisação parcial acontecer já no fim da próxima semana, no dia 21 de dezembro.

A paralisação do governo ocorre quando o Congresso não consegue chegar a um acordo sobre o orçamento. Algumas agências federais precisam descontinuar funções não essenciais até a próxima legislação de financiamento ser aprovada e virar lei.

A construção de um muro na fronteira com o México foi uma das promessas de campanha do republicano. Trump quer US$ 5 bilhões para o muro em 2019, enquanto os democratas acenam com US$ 1,3 bilhão.

“Se nós não tivermos segurança na fronteira, nós vamos paralisar o governo. Esse país precisa de segurança na fronteira”, afirmou Trump no Salão Oval da Casa Branca.

As declarações foram rebatidas pelo senador Chuck Schumer, de Nova York, líder da minoria democrata no Senado, e por Nancy Pelosi, da Califórnia, líder da minoria democrata na Câmara –papel que continuará representando quando a oposição virar maioria na Casa, em janeiro.

Foi o primeiro encontro em mais de um ano entre o republicano e os dois líderes de oposição —chamados por Trump de dupla “Chuck e Nancy”— envolvendo uma negociação.

O resultado foram dedos apontados para o rosto do adversário, vozes elevadas e falas interrompidas repetidamente.

Pelosi pediu que as discussões sobre a negociação ficassem na esfera privada, ao que Trump respondeu: “Não é tão ruim, Nancy. Isso se chama transparência.”

A deputada democrata sugeriu que pode haver uma “paralisação do Trump” em torno do que ela caracterizou como um muro pouco efetivo e de desperdício.

“A população americana reconhece que nós devemos deixar o governo funcionando, que uma paralisação não vale nada, e que nós não deveríamos ter uma paralisação do Trump”, disse.

“Uma o que?”, rebateu o presidente.

Schumer, por sua vez, lembrou a Trump que “eleições têm consequências, sr. presidente.”

“Nós achamos que você não deveria paralisar [o governo]”, afirmou Schumer.

“Eu tenho orgulho de paralisar o governo pela segurança na fronteira, Chuck”, rebateu Trump. As discussões terminaram sem um acordo.

Após a reunião, a Casa Branca emitiu um comunicado no qual qualificou o diálogo de Trump com os líderes democratas de “construtivo”.

“Grandes desacordos permanecem na questão da segurança da fronteira e transparência”, afirma a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders.

“O presidente Trump foi grato pela oportunidade de permitir a entrada da imprensa no encontro para que a população americana pudesse ver em primeira mão que enquanto os republicanos estão lutando para proteger nossa fronteira, os democratas estão lutando para proteger imigrantes ilegais.”

Redação Dinheirama
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