Se tudo vai bem, ele é praticamente invisível, passa despercebido por nossas mãos e aparece quase sempre empregado em produtos supérfluos e desejos outrora esquecidos. Se algo vai mal, ele é um dos principais culpados, passa a ser questionado e relacionado diretamente às consequências dos problemas vividos na família.

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Ah, o dinheiro…

Experimente responder duas questões bastante objetivas: quando você pensa em dinheiro, qual é a primeira coisa que idealiza? O que sua mente programa quando o assunto é dinheiro?

Suas respostas trazem representações capazes de identificar como você encara suas finanças e que tipo de comportamento mantém com seu bolso. Há quem imagine muito dinheiro e enxergue nele a solução para seus problemas; outros preferem ligá-lo ao sentido de independência e melhor qualidade de vida.

Sem perceber, alguns se tornam escravos do dinheiro e da impressão que ele causa na sociedade – valorizando mais a reação dos outros que sua própria realização; Outros preferem usá-lo como ferramenta para sua liberdade, vivendo um equilíbrio duradouro e planejado – o dinheiro é um atalho para a independência e realização de sonhos.

A verdade é que dinheiro é bom e todo mundo gosta, mas o assunto “planejamento financeiro” ainda está muito longe de ser uma unanimidade. Abordar a educação financeira de forma sincera, inteligente e pró-ativa ainda não é hábito das famílias brasileiras. Infelizmente, o assunto ainda é um tabu.

Afinal, por que o dinheiro é tão relevante?

A pergunta mais adequada talvez seja: por que é tão importante falar de dinheiro? A resposta não flui tão facilmente de seu pensamento, eu sei. Nosso processo formal de educação e a cultura do consumo como remédio para a infelicidade geram angustia em níveis perigosos, o que espanta qualquer boa vontade em relação ao diálogo financeiro.

Felizmente, é cada vez maior o número de leitores jovens que acompanham artigos e livros de finanças pessoais e educação financeira. Também é cada vez maior o número de pessoas interessadas e dispostas a investir tempo e esforço em conhecimento técnico/específico de finanças pessoais e investimentos.

Os sinais dos tempos e das novas gerações são claros: queremos mudar o paradigma cultural impresso pelo passado e evoluir intelectual, moral, social e, claro, financeiramente. Nossa situação enquanto país vem melhorando bastante, mas ainda carece de mais atenção para a educação como um todo (financeira, inclusive).

A culpa também é nossa!

Mesmo sem perceber, nós também limitamos o aprendizado mais profundo sobre dinheiro. Fazemos isso porque discutir tais particularidades requer tempo, conhecimento e disposição. Pesquisar alternativas de compra, detalhes de contratos e economizar até que possamos comprar determinado produto à vista exige disciplina, paciência e organização.

Preferimos, pois, conviver apenas com as brincadeiras e conversas livres de responsabilidade, valorizando o prazer imediato da convivência (e do consumo) em detrimento de um bom e profundo papo sobre aquilo que o mundo real insiste em nos apresentar.

E, assim, passamos o (mau) exemplo adiante, valorizando, ainda que inconscientemente, o prazer imediato (consumo como salvação) em detrimento ao planejamento. O querer agora porque é mais fácil, gostoso, e não o saber esperar, que exige algum esforço.

Falar sobre dinheiro não é apenas um exercício social relevante, mas uma atitude representativa do verdadeiro amor que nutrimos por nossos entes queridos e amigos mais próximos. Esticar a conversa, sem cortar o papo “porque economia é assunto para economistas e gente chata”, é o ponto principal para a construção de um diálogo capaz de quebrar o tabu – significa agir como já fizemos no passado com os temas “drogas” e “sexo”, por exemplo.

Se o dinheiro está presente, como devemos agir?

Costumo oferecer aos amigos uma pequena reunião de palavras sobre três importantes atitudes que considero essenciais para integrar as finanças ao ambiente familiar do atribulado século XXI:

  • Empregue a mesma energia usada nos afazeres gerais à avaliação e acompanhamento de suas finanças. Use mais do seu tempo para também ler mais sobre economia doméstica, praticá-la em seu ambiente familiar e estendê-la ao convívio com os familiares;
  • Incentive a educação financeira através de simples mudanças de hábito. Pare de prometer tanto e comece com as pequenas coisas. Compre mais à vista, negocie com mais frequência, exija Nota Fiscal, envolva os filhos nas ações cotidianas também relacionadas ao dinheiro (saque, compras, poupança etc.);
  • Não tente bancar o “herói financeiro”. Mantenha sempre familiares próximos engajados em atividades que tenham relação com o dinheiro. Uma reunião mensal para atualizar e discutir o orçamento doméstico evita que o dinheiro só seja lembrado quando ele for sinônimo de dívidas ou problemas familiares.

A maioria das pessoas se concentra em ter mais dinheiro, em receber mais dinheiro. Mas, ainda que este desejo se realize, poucos realmente valorizam o aprendizado e a atenção que o dinheiro exige para que ele realmente represente mudanças significativas na qualidade de vida familiar.

No meu entender, mais dinheiro não significa mais felicidade. Prefiro discutir a qualidade de vida e a manutenção de um padrão de vida confortável, porém seguro. Porque gostar de dinheiro é aprender a respeitá-lo; é fazer dele um aliado para conquistar sonhos e objetivos. Ou não? O que você acha?

Conrado Navarro
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