Ângela pergunta: “Bernadette, ao ler seu artigo sobre Desequilíbrio Financeiro percebi o quanto as preocupações com o dinheiro me perseguem o mês inteiro. Todo dia estou preocupada com as contas para pagar! O que eu posso fazer para não me sentir tão sufocada por essas questões? É muito desequilíbrio. Obrigada.”

A preocupação da leitora é mais comum do que pensamos. Sem perceber, acabamos vivendo em função do dinheiro ou da falta dele. E pior: achando que é normal pensar dessa forma!  Viver preocupado, reclamar de tudo, não cuidar das finanças, comprar para compensar os descontentamentos são alguns comportamentos de risco que nos levam a uma desordem interna perigosa.

Como a leitora e sua dúvida, o principal é perceber que isso não é normal e tomar duas atitudes importantes: primeiro, interessar-se por Educação Financeira, lendo artigos, livros e participando de eventos; segundo, buscar ajuda. Quando você toma a decisão de compartilhar seu problema, isso representa um passo importante para buscar melhorias e compreender melhor a sua vida.

Existe um modelo de comportamento financeiro frequente: gastar mais do que se ganha. Ele acontece mesmo que o indivíduo saiba que não deve comprometer seu orçamento. Mesmo com o acesso as informações sobre planejamento financeiro, muitos fazem justamente o contrário e se endividam.

A Psicologia Econômica contribui bastante para a compreensão dos nossos comportamentos em momentos de tomada de decisão. Aversão a perda, armadilhas mentais e o componente emocional são alguns motivos. Aqui no Dinheirama, a Adriana Rodopoulos, especialista nessa área, contribui para que conheçamos mais sobre nosso modo de funcionar (clique abaixo para ler alguns textos):

Colocar as contas no papel

A orientação de base é colocar as contas no papel. Uma planilha simples é muito útil para quem deseja começar a organizar seu financeiro.

Conheço muitas pessoas que fogem desse “exercício de realidade” por medo de tomar consciência de sua condição financeira. Decisão ruim, já que a qualquer momento a situação acaba ficando insustentável. O quanto antes cuidarmos dessa parte, mais rápido entraremos no ciclo de prosperidade.

Quando temos o controle das nossas contas, podemos planejar melhor o pagamento das dívidas, suspender ou planejar novas compras. Procurar também, pouco a pouco, organizar os pagamentos para um período do mês é outra dica para minimizar preocupações.

Agindo assim, a tendência é pensar nas contas a pagar com mais tranquilidade sabendo que a maioria delas será paga, por exemplo, na primeira semana do mês. Tudo resultado de uma boa organização, entende? Aliás, aproveito para recomendar que você assista a 5 vídeos gratuitos sobre dinheiro, riqueza e sucesso (clique).

Dinheiro como vilão ou parceiro

Lembre-se de que uma vida bem planejada e longe do endividamento trará dias tranquilos. Não tem jeito, quando perdemos o controle e nos enrolamos financeiramente, o dinheiro passa facilmente de promotor da qualidade de vida para um fantasma que nos assombra constantemente!

Nossa falta de tempo, aliada às várias armadilhas mentais, nos coloca facilmente para funcionarmos no piloto automático das confusões com o dinheiro. Por isso as informações corretas, a persistência, o autoconhecimento e a determinação são ferramentas para sairmos da condição de vítima das finanças pessoais.

Quando o problema não é má gestão financeira

Existe também um grupo de pessoas que mesmo tendo controle financeiro e estando longe das dívidas, ainda assim se preocupam demasiadamente com o dinheiro. Essas preocupações excessivas são tão prejudiciais quanto a má gestão do dinheiro.

Essas aflições podem ter origem em traumas do passado ou modelos familiares: por medo de que as situações ruins se repitam ou aconteçam, as pessoas passam a monitorar seus recursos como se algo ruim fosse acontecer. Muitas vezes criamos uma realidade interna desfavorável e passamos a funcionar em estado de alerta.

De uma forma ou de outra, para que consigamos estabelecer uma relação saudável com o dinheiro, insisto em dizer que é importante buscarmos conhecimento financeiro, compreensão dos nossos comportamentos e da própria história de vida.

Esses conhecimentos são valiosos, pois as pesquisas do Psicólogo e Nobel de Economia Daniel Kahneman, Ph.D., demonstram que “as pessoas tomam decisões baseadas em questões objetivas, mas são igualmente influenciadas por suas emoções, crenças e intuições.”

Uma conquista de cada vez. Imprimindo assim um caráter mais positivo as questões financeiras! Abraço e até a próxima.

Foto: “Holding piggy bank”, Shutterstock.

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