dinheirama-post-discurso-dilma-davos-mais-do-mesmoÉ notório que o discurso da presidente Dilma em Davos trouxe pouca novidade. Nada que a comunidade financeira internacional já não soubesse previamente foi acrescentado. Dilma reforçou o compromisso com a estabilidade, comemorou a mobilidade social, o pleno emprego e convocou potenciais investidores ao programa de concessões do governo brasileiro.

Em sua estreia no Fórum Econômico Mundial (WEF), Dilma seguiu Mantega ao discursar em português, reafirmando o compromisso com as políticas que integram o chamado “tripé” econômico e o potencial de desenvolvimento e de oportunidades ainda vigentes no país. Foi bastante previsível.

Dilma parecia uma vendedora de carro usado, que exalta suas qualidades e esconde os perceptíveis arranhões na lataria. Não mencionou também os já conhecidos gargalos: infraestrutura, inflação resistente fora do centro da meta, baixo crescimento, alta e complexa carga tributária, burocracia e “custo Brasil” de logística, dentre outros.

De fato, trata-se de um exagero dizer que os BRICS passam por uma “crise de meia idade”, ou que o Brasil está fadado solavancos do PIB ao estilo “chicken flight” (voo de galinha). Tais expressões são criadas por agentes interessados em tendenciar fluxos de capital para a praça da moda não se baseiam necessariamente em pesquisas macroeconômicas fundamentadas.

O que não foi dito por nenhuma autoridade brasileira em Davos foi como serão solucionadas questões como: os entraves aos investimentos, o excessivo déficit público, os problemas estruturais, e se será feita alguma das lendárias reformas.

Já foi exaustivamente dito que o Brasil ostenta democracia, resgatou 40 milhões de pessoas da pobreza e detêm reservas cambiais, políticas de austeridade fiscal, câmbio flutuante e sistema de metas inflacionário. É necessário ao governo tocar outra música.

É possível que as economias emergentes continuem sendo a locomotiva do crescimento nos próximos anos. Para isso, espera-se uma agenda que inclua avanços em direção à competitividade através de ações no lado da oferta, reformas estruturais, inovações disruptivas e que haja uma promoção de um ambiente de negócios previsível, convidativo e estável aos empresários e empreendedores brasileiros e estrangeiros.

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