Dólar nas alturas! A moeda americana ganhou substancial força nas últimas semanas e a cada novo dia o Real perde força e novos recordes são alcançados pelo dólar.

Mas o que de fato gerou a tendência que está mantendo o dólar nas alturas? Existem fatores básicos que nos levaram a essa realidade, principalmente com o explícito apoio do mercado financeiro brasileiro ao ministro da Economia Paulo Guedes?

Falar sobre câmbio é sempre um enorme desafio para qualquer economista, inclusive, muitos se sentem desconfortáveis em fazer qualquer análise sobre o tema.

É muito mais fácil comentar o que está acontecendo do que fazer qualquer tipo de prognóstico sobre o futuro, ainda que esse futuro seja de curto prazo.

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Dólar nas alturas: 5 motivos que fizeram a moeda americana disparar

 A verdade é que, analisando friamente o que vem acontecendo no país, principalmente nas últimas semanas, é fácil de entender algum dos motivos que explicam o dólar nas alturas.

Separei 5 motivos que considero importantes para explicar esse momento do país, e isso nos dará argumentos para imaginar o que virá depois:

1. Guerra comercial EUA X China

A guerra comercial é um tema realmente preocupante. Não apenas porque trata de fatos relevantes entre as duas principais potências do mundo, mas porque essas duas potências possuem negócios relevantes com o Brasil.

A guerra comercial surgiu a partir da avaliação do presidente Donald Trump de que os EUA estão em desvantagem no comércio com a China.

Trump quer proteger os produtores norte-americanos e reverter o déficit comercial que os Estados Unidos têm com a China, e as primeiras medidas foram anunciadas em 2018 com tarifas sobre produtos importados do país asiático.

O objetivo é dificultar a chegada de produtos chineses aos Estados Unidos, o que estimularia a produção interna. Para contrapor Trump, o governo do chinês reagiu a esses anúncios com retaliações, chegando a impor também tarifas sobre produtos norte-americanos.

Qualquer decisão mínima pode, em pouco tempo, impactar o mercado em bilhões de dólares. Pensando no Brasil, isso poderia significar a ruína para alguns mercados.

Os impactos da guerra comercial representam em um primeiro momento a expectativa de que o crescimento do mundo como um todo terá um impacto negativo.

Basicamente com a China e o resto do mundo crescendo menos, expectativa de que o Brasil irá exportar seus produtos também diminui, o que representa um número muito menor de dólares entrando no país.

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2. Frustração com o leilão do excedente da cessão onerosa

 Por mais que o governo tenha alinhado o discurso de que não houve frustração com o leilão do excedente da cessão onerosa, a verdade é que os números finais ficaram longe do inicialmente esperado.

O chamado leilão da cessão onerosa (excedente do volume de petróleo e gás que a União cedeu à Petrobras) alcançou em arrecadação o número de R$ 69,960 bilhões. A previsão de arrecadação era de até R$ 106,5 bilhões.

Mais do que número abaixo do previsto, a frustração também se deu pelo baixo interesse de empresas internacionais (leia-se dólares) em participar do leilão.

No fim, como bem disse o ministro Paulo Guedes, acabamos vendendo “de nós, para nós mesmos”. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, confirmou o impacto negativo sobre o câmbio, dos números frustrantes do leilão.

“Mais recentemente, de fato, teve uma frustração com cessão onerosa por agentes que tinham se posicionado para esse movimento. Como não ocorreu, houve uma saída de dólares. Mas nós estamos monitorando isso de perto”, afirmou Campos Neto durante participação em uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

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3. Ambiente Político no Brasil (Lula Livre)

Os debates em torno da prisão em segunda instância também tiveram seu peso no ambiente econômico e político. A revisão do supremo sobre o tema devolveu a liberdade o ex-presidente Lula.

Os primeiros discursos de Lula mostraram que o ex-presidente pode apostar em um caminho de radicalização, o que na prática traria maior instabilidade para o país e, claro, faria com que assuntos importantes e significativos para a economia perdessem espaço para a política.

Os investidores internacionais reagem a instabilidade buscando proteção em dólar, simples assim.

4. Incertezas políticas na América Latina (novos governos na Argentina, Chile e Bolívia)

As incertezas políticas são, sem dúvida, um dos grandes potencializadores que explicam o dólar nas alturas.

Durante muito tempo, a América Latina (AL) se caracterizou por ser uma região de conflitos e disputas pelo poder, com envolvimento direto de ditadores na condução da história.

No atual momento, a instabilidade política não chega a ser exclusividade da AL, ainda assim alguns pontos merecem destaque e trazem aflição aos investidores:

  • Argentina: Um novo governo eleito pode representar uma ruptura ao modelo liberal proposto pelo atual presidente Macri. O presidente Jair Bolsonaro já demonstrou seu descontentamento com a eleição de Alberto Fernández e isso pode ser perigoso para o Brasil que tem na Argentina um dos principais parceiros comerciais;
  • Chile: Os protestos no Chile contra o governo são gigantescos e já passado um mês, alcançam grande parte da sociedade. Os protestos tiveram início em outubro, quando foi anunciado um aumento de 3,75% no transporte público. A partir, daí as pessoas começaram a questionar o modelo econômico do país, que apresenta números positivos, mas que não são suficientes para garantir a distribuição de riqueza para maior parte da sociedade;
  • Bolívia: Os protestos na Bolívia têm como pano de fundo a participação do ex-presidente Evo Morales nas eleições do início de novembro. Morales garantiu sua participação nas eleições através de uma brecha na lei. Após as eleições, foram constatadas fraudes e vários protestos foram realizados fazendo com que Evo Morales renunciasse e buscasse asilo político no México. A senadora Jeanine Añez conseguiu apoio dos militares bolivianos e assumiu provisoriamente a presidência no país, que vê o surgimento de diversos protestos, com mortes e confronto entre os participantes.

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5. Queda na Selic deixou menos interessante para o estrangeiro investir na renda fixa no Brasil

 Os juros no Brasil chegaram ao patamar mais baixo da história. Em sua última reunião, no final de outubro, o COPOM (Comitê de Política Monetária) do Banco Central) reduziu a taxa Selic para 5% ao ano, com corte de 0,5 ponto percentual.

Esse movimento de corte de juros é reflexo da inflação sob controle e ao mesmo tempo uma tentativa de fazer com que a economia do país volte a crescer, barateando o crédito e fazendo com que os juros mais baixos funcionem como um estímulo para o país.

Os juros altos sempre garantiram no Brasil rentabilidades atraentes para o investidor de renda fixa, que colocava seu dinheiro em investimentos com risco baixo e conseguia ótimo retorno. Agora a realidade é outra.

Se o investidor brasileiro precisou diversificar e buscar outros investimentos com mais risco, o investidor internacional que buscava o atraente retorno da renda fixa (no curto prazo) passou a olhar outros mercados, diminuindo assim o fluxo de dólares no país.

Esse é um reflexo nítido no curto prazo, mas se o país voltar a crescer será sem dúvida um problema facilmente contornado.

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Dólar nas alturas: O que vem por aí? Dólar vai voltar a subir? Vai cair?

Chegamos à parte mais delicada desse artigo, pois sendo absolutamente sincero é difícil apontar uma direção para o câmbio nesse momento.

Olhando o que a maioria dos analistas dizem, é possível afirmar que o dólar está com o valor um pouco acima do valor esperado.

A grande questão é saber até que ponto o Banco Central se manterá distante ou quando adotará algum tipo de medida de intervenção, principalmente se em algum momento perceber que o dólar em alta pode impactar as projeções para a inflação.

No passado, a atuação do Banco Central foi eficiente e, ao menos em momentos críticos, atuou de forma inteligente, sem utilizar de instrumentos que poderiam levar insegurança ao mercado. É bom lembrar que temos uma boa reserva.

Agora, a tempestade perfeita criada por diversas questões importantes colocam em risco o sistema de câmbio flutuante, servindo como teste para entendermos nesse momento até onde o Banco Central vai para conter a alta da moeda americana.

No curto prazo, a cautela continua como componente importante e não existe no horizonte expectativa de melhoria nos cenários, ainda que esteja claro que o dólar realmente está mais caro do que o esperado.

Ricardo Pereira
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