Como esperado, o dólar atingiu hoje, terça-feira (22/09), seu maior valor histórico em relação ao Real, ultrapassando o valor de R$ 4 e fechando o dia em R$ 4,05. A maioria dos analistas atribui o movimento do câmbio às incertezas em relação à elevação dos juros nos EUA e a grande desconfiança de que o governo brasileiro não tenha condições políticas de aprovar os ajustes necessários para a economia.

Os desdobramentos para a vida das pessoas são grandes, afinal o dólar mais caro afeta diretamente o nosso poder de compra. Em diversos produtos, a elevação de preço é quase que imediata: o melhor exemplo disso pode ser observado no preço do trigo, presente na mesa de todos os brasileiros em diversos produtos como o tradicional pãozinho francês.

Como destacado no site Spotniks, no ótimo artigo “Guia definitivo para entender o que muda na sua vida com o dólar a R$4”  atualmente o Brasil produz cerca de 6,5 milhões de toneladas de trigo enquanto o consumo ultrapassa 11 milhões de toneladas, portanto precisa importar o restante para dar conta da demanda. O resultado disso é claro: com o dólar mais alto, o pãozinho com manteiga pesará mais no nosso bolso.

A possibilidade de exportar e aproveitar o câmbio mais favorável aos clientes de fora também vai interferir no bolso do brasileiro, que terá menor oferta de muitos produtos; a lei da oferta e demanda não falha nunca.

Como fica minha viagem para Disney?

Muita gente está preocupada por conta de viagens ao exterior já programadas. A dica nesse momento é manter a calma e olhar com cuidado para o orçamento para gastar efetivamente aquilo é possível. Não é momento para “chutar o balde”.

Se a vigem está marcada para as próximas semanas, é importante se precaver. Câmbio é sempre um tema árido, onde prognósticos são sempre passíveis de erros significativos, ainda assim, a expectativa da maioria dos analistas é de que o dólar ainda deve subir no curto prazo, então comprar o máximo de dólares nesse momento pode ser a melhor alternativa. Já quem tem viagem marcada para prazos maiores, a estratégia de ir comprando dólares aos poucos e fazer um preço médio continua sendo uma boa.

Cartão de crédito e compras no exterior: cuidado!

Outro cuidado importante é com a utilização do cartão de crédito internacional. Lembre-se que o valor que será cobrado na fatura não levará em conta a cotação do dólar no momento da compra. No artigo “Como é calculada a cotação do dólar das faturas de cartão de crédito?” (clique e leia na integra), o autor Conrado Navarro chegou à seguinte constatação:

“Infelizmente, as instituições financeiras não são obrigadas a detalhar este cálculo e, por isso, optam por não divulgar a fórmula usada para o cálculo da cotação utilizada na fatura do cartão. Em geral, os valores da moeda utilizados para conversão nas faturas se situam entre o dólar comercial e o dólar turismo, tendendo quase sempre para este último”.

Câmbio: muita cautela nos próximos meses

O ambiente político no país permanecerá conturbado nos próximos meses. A cada dia parece ganhar mais força o movimento de impeachment que poderá resultar na formação de um novo governo.

O detalhe que poucos tem percebido é que, com ou sem a presença da atual presidente, muitos problemas precisam ser encarados com seriedade e compromisso, a saber: um forte ajuste fiscal e reformas profundas em diversas áreas. O câmbio continuará volátil nos próximos meses e pouca gente acredita que voltará em algum momento a valores próximos de R$ 2,50 ou algo parecido. Até a próxima!

Foto: Stack of one hundred dollar bills, Shutterstock

Ricardo Pereira
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