Um leitor do Dinheirama, que preferiu manter o anonimato, entrou em contato através de mensagem privada em uma rede social, querendo saber minha opinião em relação ao dólar, visto que de janeiro para cá a cotação da moeda norte-americana desabou frente à valorização expressiva do real.

Emitir opinião sobre câmbio é sempre um terror, pergunte para todos os economistas e a maioria vai “torcer o nariz” ao abordar o tema. A verdade é que quando alguém solicita uma opinião contundente, todos os entrevistados procuram relativizar a opinião e encontrar um meio termo.

De acordo com o boletim Focus (o último que tive acesso ao escrever esse texto foi de 04/07), a expectativa do mercado é de que ao final de 2016 o dólar chegará a R$ 3,46. Enquanto escrevo o texto, o dólar está na casa dos R$ 3,29. Assim, levando em conta a avaliação da maioria dos economistas, a tendência é que daqui a pouco menos de 6 meses o dólar ganhe força frente ao Real.

Seria tudo lindo e maravilhoso se projeções sobre o câmbio não mudassem rapidamente, afinal basta um espirro no lugar mais longínquo do planeta para mudar tudo. A partir dessas variações, dentro de uma estratégia de política econômica, o Banco Central pode ou não atuar para que a moeda fique dentro do que a autoridade monetária espera (deseja).

Quando o dólar sobe, o raciocínio é que empobrecemos em comparação ao demais países do mundo; o dólar caro pressiona, direta e indiretamente, praticamente todos os preços da economia, desde o pãozinho de cada dia até os combustíveis.

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Ao mesmo tempo, o real mais barato favorece a venda de nossos produtos no exterior; quanto mais venderem, mais as empresas receberão em dólar, enquanto os produtos importados começam a sumir das prateleiras e muitas empresas precisam fechar a portas.

Tipos diferentes de dólar

Outro ponto que foi questionado pelo leitor era a sua dificuldade de entender os diferentes tipos de dólar e suas aplicações. A realidade é menos complicada do que parece, acompanhe:

  • Dólar à vista: referência no mercado financeiro, negociado no mercado de balcão (sem lugar determinado);
  • Dólar comercial: aquele utilizado pelas empresas nas operações de importação e exportação;
  • Dólar paralelo: normalmente utilizado por quem quer realizar transações ilícitas ou fora da supervisão do Banco Central;
  • Dólar a cabo: semelhante ao dólar paralelo, mas o valor é transferido para conta corrente no exterior, ou de conta no exterior;
  • Dólar turismo: usado para emissão de passagens, gastos em moeda estrangeira no cartão de crédito e transações de turismo no exterior (vale lembrar que cada operador/agente de viagem define sua própria cotação, tendo como referência a Ptax);
  • Ptax: taxa média, calculada diariamente pelo Banco Central, que serve como referência para contratos (a última taxa de cada mês serve de referência para o mês seguinte).

Mas e aí, o que eu faço?

Depois que ficou clara a diferença do dólar e conseguimos entender um pouco mais como o câmbio influencia e sofre influência da economia, compartilho com você um pouco de minha estratégia.

Compro dólar sempre, e aos poucos, não apenas como uma estratégia de hedge (proteção), mas também como uma forma de programar algumas viagens que pretendo fazer ao exterior nos próximos anos.

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Ao contrário de alguns, não utilizo o dólar como uma estratégia de investimentos, até porque para quem pensa nesse tipo de produto como investimento, existem opções em fundos muito interessantes cuja gestão estará a cargo de profissionais que vivem intensamente o mercado.

Os fundos cambiais podem ser indexados ao dólar, como também a outras moedas, como o euro, por exemplo. Ainda podem ser de gestão ativa, quando buscam, no longo prazo, superar positivamente a variação de uma moeda, ou passiva, quando o objetivo é seguir suas variações.

Os fundos cambiais não compram diretamente as moedas, mas operam através de instrumentos do mercado financeiro como swaps, opções de dólar e contratos futuros. Portanto, saiba que a rentabilidade dos fundos cambiais não é um hedge perfeito, ou seja, a proteção não é total contra a oscilação da moeda. Por isso, em alguns momentos, a rentabilidade do fundo pode ir na direção oposta à da moeda.

Quem investe em fundos cambiais, faz aportes e resgates em reais. Assim, ao investir para fazer uma viagem daqui um ou dois anos, quando for retirar o dinheiro aplicado ainda será preciso converter reais em dólar e, claro, pagar a taxa de conversão da moeda.

Conclusão

Câmbio será sempre um tema delicado! Na dúvida, compre aos poucos, principalmente se tem algum compromisso para o exterior e tem tempo suficiente para que as compras sejam efetuadas de forma organizada, formando nesse período um preço médio. Não tente adivinhar a melhor cotação, isso não existe.

Para finalizar, enviei ao leitor um vídeo da TV Dinheirama (assine nosso canal no Youtube gratuitamente clicando aqui), gravado por meu amigo Conrado Navarro, que ensina como lidar com o dólar quanto ele está valorizado, com preço considerado alto. Acompanhe:

Obrigado e até a próxima!

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Ricardo Pereira
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