O dólar já se avizinha da marca dos R$ 3,30, o que representa uma alta superior à 20% em relação à 2014. Uma valorização tão expressiva da moeda americana em tão pouco tempo não era esperada pela maior parte dos especialistas, inclusive nós da Órama. Mas dado o ocorrido, as perguntas que devemos fazer são:

  • Será que depois de subir tanto o dólar continua sendo uma boa opção de investimento? e
  • Quais os riscos, nesse momento, de investir em dólar?

Uma vez que é comum os investidores buscarem aplicações que apresentaram forte alta, nesse texto vou abordar essas duas perguntas. Entretanto, antes é preciso que fique claro porque o dólar subiu tanto.

Em relação ao cenário externo, o dólar tem subido frente às principais moedas do mundo e não apenas frente ao real. Isso ocorre porque a economia americana está melhorando em relação à de uma série de outros países, inclusive o Brasil.

Já no que tange o cenário doméstico, há muitas influências. A possibilidade do Congresso não chegar a um acordo quanto ao ajuste fiscal proposto pelo governo, o cenário político conturbado, os desdobramentos da Operação Lava Jato e as perspectivas pouco animadoras para a economia são algumas. Elas aceleraram a desvalorização do real frente à moeda americana.

Qual o valor que o dólar pode atingir?

R$ 3.50, R$4,00, voltar para R$3,10? Prever a cotação futura do dólar é bastante difícil. São muitas variáveis que precisam ser levadas em conta e não há muita certeza de como cada uma delas vai se comportar de fato. Este elevado nível de incertezas aumenta o risco de investimentos atrelado à moeda. Mas quais são estes riscos?

O risco do dólar subir ainda mais

A valorização do dólar já era esperada em razão da melhora da conjuntura econômica dos EUA. Todavia, são os desequilíbrios no cenário interno que podem levar o dólar a subir outros 20%.

Nesse momento, não podemos descartar um cenário de estresse doméstico que faça o dólar despontar mais uma vez. A demora na implantação de ajustes econômicos poderia levar o país a perder a classificação de grau de investimento Se isso acontecer teremos consequente saída de capitais do país e elevação do dólar.

Além do mais, se a desconfiança de que o rumo da economia pode fugir do controle aumentar, os investidores irão buscar um porto seguro no dólar. Com isso, o dólar se valorizaria ainda mais frente ao real, trazendo ganhos aos investidores que fizerem aplicações atreladas ao dólar nesse momento.

A aversão ao risco global pode diminuir

A crise na Europa, os atritos entre a Ucrânia e Rússia, o avanço de grupos como o Estado Islâmico e a queda nos preços das commodities, em especial o petróleo, fazem aumentar a aversão ao risco nos mercados internacionais. Assim os investidores preferem investir em ativos considerados seguros, como o dólar que se valoriza frente às principais moedas do mundo.

Caso esses fatores se resolvam ou de alguma forma sejam amenizados, a aversão ao risco diminui e o fluxo de recursos para países emergentes como o Brasil pode voltar a aumentar. Um evento que reduza a aversão internacional ao risco pode derrubar a cotação internacional do dólar, fazendo com que ele volte ao patamar de R$ 3,10, por exemplo. Isso traria perdas significativas aos investidores que se posicionarem em dólar agora.

Ajustes econômicos concretizados

A perspectiva de um acordo sobre ajustes econômicos entre o governo e a base aliada ajudaria a reduzir aversão a risco no mercado doméstico. Isto aumentaria a demanda pela renda fixa brasileira, que paga uma das taxas de juros mais altas no mundo, e ajudaria na recuperação do valor do real frente ao dólar americano.

A aprovação de medidas de ajuste fiscal poderia trazer um alívio para o câmbio, fazendo até mesmo o dólar recuar. Neste caso, o risco é de que o investidor que pensa em aplicar em produtos atrelados ao dólar agora não ganhe nada, ou até pior, tenha prejuízos.

A volatilidade alta do dólar também é um risco

O mercado cambial é bastante volátil e muda de direção rapidamente. Por isso, não é boa opção de aplicação para qualquer perfil de investidor. Os investidores que têm reservas de curto prazo não devem aplicar em nada atrelado ao dólar, pois correm o risco de precisarem resgatar seus investimentos em um momento que o dólar está em queda.

Já os especuladores podem se sair bem se acertam o momento de montar ou desmontarem suas posições na moeda, mas sem os instrumentos necessários e com pouco conhecimento correm grandes riscos de errar e perder.

O mais recomendado para momentos como este é decidir que deseja ter uma carteira de investimentos com exposição ao dólar e aplicar com o auxílio de especialistas. Fundos de investimento também são uma boa opção. Alguns gestores conseguem fazer um bom trabalho no mercado de câmbio.

Para ganhar com a tendência de alta do dólar, uma opção é aplicar em fundos multimercado, como por exemplo, o Órama Gávea Macro, que possui uma carteira diversificada e opera vários mercados incluindo moedas. Ao aplicar através de fundos multimercado, a tarefa de ajustar a participação de cada ativo na carteira conforme os cenários é de responsabilidade dos gestores que são profissionais preparados para isto.

Minha sugestão é que nesse momento vale aplicar entre 5% e 20% do patrimônio em Fundos Cambiais ou em Fundos Multimercado com posição relevante em dólares contra reais. No entanto, apostar todas as fichas nesse movimento é bastante arriscado. Se você quer conhecer outras formas de investir no dólar, leia também meu post 5 Formas de Investir em Dólar, no Órama Blog.

Nota: Esta coluna é mantida pela Órama, que contribui para que os leitores do Dinheirama possam ter acesso a conteúdo gratuito de qualidade.

Foto: Hundred dollar bills, Shutterstock

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