Tome conta de seu dinheiro!Artigo escrito pelo leitor Marcos Oliveira*
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marcosoliveiras [arroba] gmail.com

Sou leitor deste blog há quase três meses e acredito que, como muitos outros leitores assíduos, as dicas e orientações do Navarro já passaram a fazer parte do cotidiano, seja para tomar uma decisão, seja para tomar a decisão de não decidir. Recentemente, enviei uma mensagem comentando sobre algo que ouvi de um consultor financeiro – Marcos Silvestre – e fui convidado a escrever algo sobre o assunto. Bem, vou tentar ser simples e objetivo como o autor deste blog.

Verão que o assunto é simples, mas, com frequência, não damos a devida atenção. A sugestão do especialista é que gastemos mais! “Espere aí ! O blog é sobre educação financeira, fala sobre orçamento, poupança, investimentos e você vem falar que devemos gastar mais?” Isso mesmo. Calma, o “gastar mais” tem um sentido completamente diferente hoje. Depois que ouvi a sugestão desse consultor financeiro, passei a refletir acerca dessa sugestão e vi o quanto estava gastando pouco. Então, aos poucos, passei a mudar minha estratégia e a seguir seu conselho: já estou gastando bem mais. Confuso? Vamos lá.

No tempo de nossos avós…
“Quer dizer que está sugerindo que não devo me preocupar com o futuro ou com meus investimentos? Não devo mais me preocupar em economizar?” Não. Absolutamente, não. Quando digo que precisamos gastar mais, não faço referência a gastar o dinheiro que temos economizado, nossos investimentos, nosso futuro. Nada disso. Digo que precisamos voltar o que faziam nossos avós: quando compravam algo, usavam até gastar!

Nossos avós tinham (ou têm) o bom hábito de só comprar algo novo quando o antigo realmente não atendia (atende) mais suas necessidades, quando não realizava (realiza), de forma satisfatória, sua função. O sapato é usado até gastar a sola. A roupa, até não servir mais ou até ficar desgastada. Com isso, eles não precisavam se preocupar se uma nova coleção foi lançada ou se sua roupa/calçado já não estão “na moda”.

Você quer? Precisa? Mesmo?
É isso que venho tentando fazer depois que ouvi este conselho. Não compro mais uma roupa só porque penso que minhas roupas já estão velhas demais (ainda que tenham sido compradas há dois meses ou menos). Não fico mais fascinado com o novo modelo de celular que foi lançado, com várias funções que não vou precisar. Aliás, não me preocupo se os outros vão pensar que estou com um modelo ultrapassado, que não tem câmera digital, mp3 ou qualquer outra função dispensável que julgam essenciais no tal investimento (se é que isso pode ser classificado como um investimento).

Afinal, se só uso o celular basicamente para originar e receber ligações, pra que vou me importar com tudo isso? Agora, reflito mais quando sinto-me tentado a comprar e me pergunto várias vezes se eu realmente preciso desse ou daquele produto. Se a resposta for sim, ainda me pergunto se estou mesmo precisando disso agora ou se posso esperar mais um pouco. Geralmente, percebo que não preciso comprar ou que a compra pode esperar mais um pouco.

Reflita antes de comprar!
Quantas vezes você já comprou alguma coisa e se arrependeu logo depois, porque perdeu o encanto com pouco tempo de uso? Quantas vezes comprou um tênis, um sapato, uma calça ou qualquer outra coisa que só usou uma ou duas vezes, esquecendo-a no canto depois de um breve intervalo? Quantas vezes você foi ao shopping “somente para passear” e acabou comprando algo que, depois, percebeu que realmente não precisava?

O que estou tentando fazer é reduzir as compras baseadas no simples prazer de possuir algo, sem verdadeiramente usufruir deste produto. Por exemplo, pensei várias vezes em comprar um carro. Depois de avaliar o quanto realmente queria ou precisava dele, percebi que carro não é investimento (como o artigo que já foi publicado aqui no Dinheirama) e que só queria ter um veículo pelo simples prazer de possui-lo, sem necessariamente precisar dele (não naquele momento).

Não confunda tudo isso com avareza!
Quando realmente preciso de algo, eu compro. Mesmo. Também não sofro privações, sem me permitir um momento de lazer ou diversão. Não estou me tornando um avarento, mas apenas aproveitando por mais tempo as coisas que comprei com tanto sacrifício e fazendo com que essa compra realmente valha a pena. A roupa que só usei uma vez e não sinto mais a mínima vontade de usar, faço uma doação (ou vendo). Algumas pessoas não estão preparadas para esse choque de realidade e de raciocínio financeiro e, por vezes, preferem creditar essas ações ao lado “pão duro” das pessoas. Tudo bem.

Reforçando…
Use mais aquilo que você compra. Avalie se precisa mesmo comprar o novo produto, pergunte-se várias vezes sobre essa “necessidade”. Se for preciso, entre em conflito consigo mesmo e não tenha preguiça de ficar se questionando. O preguiçoso compra o que vê pela frente, sem ao menos pesquisar mais. Imagine o quanto ele não compra errado. Acho que já escrevi bastante. Espero ter conseguido contribuir com aqueles que sofrem desse mal chamado “consumismo”, palavra que resume essa síndrome do século XXI.

Tudo conspira para que você tenha vontade de adquirir as coisas de imediato, sem ao menos pensar sobre sua real utilidade. No trabalho, procuramos alternativas para que a empresa não desperdiçe recursos. Não parece incoerente? Será que pensamos muito nos outros, na sociedade, no todo e não pensamos no que há de mais importante? Nós mesmos! Comprar, comprar, comprar… Tô fora!

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* Nota: A opinião do leitor não representa, necessariamente, a opinião do autor do blog, Conrado Navarro. Este espaço é aberto a todos que queiram participar. Envie seu artigo para avaliação e tenha seu texto publicado. A discussão em torno da educação financeira só tende a melhorar as suas (as nossas) decisões. Vamos lá, o que está esperando?

Conrado Navarro
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