Sem querer ser taxado de alarmista, ao que tudo indica a “tempestade perfeita” parece ter chegado à costa brasileira. O “céu de brigadeiro” que vigorou em outros tempos tornou-se plúmbeo, sem que o governo introjetasse qualquer culpa por isso. Nossos dissabores são invariavelmente atribuídos ao ambiente externo.

Ocorre que novamente estamos na contramão do mundo. O mundo está se ajustando, contendo gastos, reduzindo nível de endividamento, com inflação muito baixa e temor de deflação em muitos países, mas também com claros sinais de que as economias começam a recuperar.

Por aqui os gastos públicos só fazem aumentar, o endividamento beira os 60% do PIB, marca recomendada internacionalmente, a inflação é alta e persistente, apesar do forte aumento dos juros, e todos os sinais emitidos pela economia são de estagnação (no mínimo) ou de deterioração.

Por aqui o governo vai sempre “empurrando com a barriga”, dizendo que no futuro a situação irá melhorar. Acontece que “o futuro a Deus pertence”, ou no “longo prazo todos estaremos mortos”, só para ser um pouco mais cruel.

Nossa tempestade perfeita chegou sob a forma de saldo da balança comercial que até maio mostra déficit de US$ 4,85 bilhões; sob a forma de déficit em conta corrente até abril de US$ 33,5 bilhões e representando 3,65% do PIB, com os investimentos externos diretos (IED) só compensando o déficit em conta corrente em 57,9% (US$ 19,4 bilhões). No passado não muito distante, o IED era maior que o déficit.

O nível de endividamento beira os 60% do PIB, nossas reservas internacionais em boa parte foram constituídas por esse endividamento (pagando juros mais elevados que os recebidos) e não por excedentes cambiais, e até fundo soberano constituímos (para perder dinheiro aplicando em ações de empresas estatais e maquiagens).

Por último, mas não de menor importância já que as pesquisas revelam que a inflação é preocupação corrente, o Banco Central elevou a taxa básica de juros de 7,25% para 11,0% desde abril de 2013, e os efeitos no controle da inflação foram praticamente nulos até aqui.

Há nítido descompasso entre oferta e demanda depois dos estímulos concedidos ao consumo, e a inflação gira soberana ao redor de 5,0%, não raro como agora querendo romper o teto da meta de 6,5%.

O PIB do primeiro trimestre com expansão de 0,2% em relação ao trimestre anterior foi muito fraco e piores ainda foram os resultados para a formação bruta de capital fixo (FBCF), em queda de 2,1%.

A taxa de investimento em relação ao PIB de 17,7% e a taxa de poupança em parcos 12,7% sobre o PIB, são baixas. Como essas variáveis induzem a performance futura da economia, a probabilidade é que ainda teremos dados fracos para a economia por um bom tempo. É ou não é uma tempestade perfeita?

A divulgação do PIB brasileiro do segundo trimestre deve ocorrer lá pelo mês de agosto, quando já estaremos muito próximos das eleições majoritárias. Periga a presidente Dilma amargar taxa levemente negativa de crescimento ou PIB estagnado, o que certamente não seria nada positivo para seu pleito de reeleição. Isso ainda viria recheado por inflação renitente, ao redor de 6,0%.

Apesar disso, e por mais incrível que possa parecer, ainda assim acreditamos que os mercados por aqui podem ter melhor performance, pegando um pouco de carona na recuperação econômica global. Porém, isso não acontecerá sem muita volatilidade, o que significa dizer que será possível arriscar um pouco mais em suas aplicações, mas dentro de boa prudência e seletividade nas aplicações.

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Foto “Concept of crisis”, Shutterstock.

Alvaro Bandeira
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