É com certa dor no coração que voltamos ao tema que antecipamos há alguns meses: a tempestade perfeita para o Brasil, tendo como coadjuvante o cenário internacional. Quando levantamos essa possibilidade, fomos taxados de pessimistas e de projetar o quadro ruim indefinidamente. Pois bem, somos forçados a bater na mesma tecla em função do que se apresenta.

São muitos os ajustes a serem feitos na economia brasileira após a gestão quase caótica da área econômica no governo Dilma 1.0. O ministro Joaquim Levy, Nelson Barbosa e Alexandre Tombini terão a árdua missão de consertar todos os malfeitos e preparar o futuro do país. Isso num ambiente externo que não é amigável.

Exceto pelos EUA e Reino Unido, não há forte recuperação em outras economias importantes. A Alemanha e Índia parecem querer migrar para situação mais positiva, mas outras como a do Japão patinam e a China vai mudando seu modelo para crescimento mais modesto.

Circula ainda o fantasma da deflação de preços em algumas economias e recessão em outras, principalmente no continente europeu. O BCE (Banco Central Europeu) se esforça no limite de seu mandato para dar nova dinâmica à zona do euro, mas é fato que muitos países precisam de reformas e ajustes fiscais sérios.

Isso tudo permeado por uma Grécia que já recebeu recursos substanciais e que pode renegociar ou mesmo dar calote em seus credores, já que o partido radical de esquerda saiu vencedor nas últimas eleições.

Como se não bastasse, ainda temos forte queda em commodities importantes, como petróleo, níquel e minério de ferro, o que inibe a presença da “inflação boa” (assim como o colesterol bom) e retarda a recuperação econômica. Juntos estamos assistindo ao início da safra ruim de resultados do quarto trimestre retardando e reduzindo novos investimentos.

De positivo, somente a possibilidade de os EUA e o Reino Unido retardarem suas previsões de elevação de juros, o que junto com a flexibilização na zona do euro e novos estímulos no Japão e China podem minorar os efeitos danosos.

Por aqui, será preciso total empenho do Poder Executivo em acatar os cortes determinados pela equipe econômica, em harmonia com o Legislativo na aceitação e rapidez de aprovação de Medidas Provisórias necessárias.

A equipe econômica terá ainda que contar com o comprometimento quase incondicional da presidente para adotar medidas e desatar todo o nó das contas públicas, tirar os esqueletos recém-formados do armário do Tesouro, empresas estatais e bancos públicos.

Terá que proceder aos ajustes de preços relativos e administrados, segurar a inflação sem fugir muito do teto da meta, não perder o grau de investimento e formatar superávit primário ainda insuficiente para domar o crescimento da dívida bruta com juros mais elevados.

Correndo por fora de tudo isso, mas com enorme capacidade de afetar, ainda teríamos a possibilidade de racionamento de água e energia, o que certamente levaria o PIB estimado para 2015 de levemente positivo para o campo negativo. Isso também comprometeria os investimentos, afastaria investidores estrangeiros e reduziria as chances de preparar convenientemente o futuro para retomada do crescimento.

Seguindo isso, a pergunta se apresenta: estamos ou não em meio à tempestade perfeita? Diante disso, seguimos recomendando prudência na seleção de seus investimentos.

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Nota: Esta coluna é mantida pela Órama, que contribui para que os leitores do Dinheirama possam ter acesso a conteúdo gratuito de qualidade.

Foto “Perfect storm”, Shutterstock.

Alvaro Bandeira
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