Economia e Mercados: Cenário Internacional Volta a PiorarNos últimos dias o quadro geral da economia global voltou a piorar, exceção para os indicadores de curto prazo da economia americana e chinesa. Porém, até por lá existem fortes dúvidas se considerarmos a possibilidade de abismo fiscal e elevação do teto da dívida americana, e ainda a transição de comando na China. Mesmo considerando a fraca possibilidade de abismo fiscal americano, a expectativa de crescimento em 2013 pode mudar radicalmente.

De outra feita, olhando para a Europa e mais especificamente para a zona do euro, a situação segue ruim. A Grécia anda à mingua de recursos, não tendo mesmo como pagar os próximos vencimentos de dívida em 16/11. Ocorre que a reunião extraordinária de ministros das finanças da região só está marcada para 20/11.

Seguindo na linha, Portugal, que vem cumprindo ao pé da letra os ajustes do programa de austeridade, acaba de anunciar que o PIB (Produto Interno Bruto) deve encolher 3,0% em 2012 e espera novo encolhimento de 1,6% em 2013. Como se não bastasse, a inação parece atingir também Espanha e Itália. Só para esclarecer, o pico de vencimentos desses países ocorre em 2013, a Espanha com nível razoável de endividamento em relação ao PIB (algo como 70%) e Itália com 120% de divida em relação ao PIB. A situação parece “suis generis”. O BCE se diz pronto para ajudar com a “loja” aberta, mas os potenciais fregueses de primeira hora não querem passar nem mesmo pela calçada em frente.

Ocorre que os últimos dados de conjuntura da Alemanha, que até então era o oásis da região, começam a piorar sensivelmente. O desemprego cresce lentamente, a inflação se mantém no patamar de 2,0% ao ano, as exportações estão caindo mais rapidamente que as importações e encomendas à indústria encolhendo 3,3% em setembro. Outros indicadores como vendas no varejo mostram ainda crescimento.

Porém, a Alemanha segue sendo a voz mais discordante (existem outras) do grupo, contrária à centralização da política econômica na União Europeia, colocando barreiras para maior flexibilização monetária e repetindo que austeridade é a única saída para o crescimento sustentável da região.

No que tange ao Brasil, em que pese declarações do ministro Mantega de que as desonerações atingirão R$ 45 bilhões em 2012, os números do crescimento patinam. As vendas no varejo do mês de setembro no conceito ampliado retroagiram 9,2%, muito influenciada pela retração do segmento automotivo de 22,6%.

A inflação reluta em não ceder do entorno de 5,40% para 2012 e 2013 e a produção industrial encolheu 1,0% em setembro, com ênfase para a produção de bens de capital que em 12 meses contraiu 9,6%. Importante destacar que bens de capital preparam o crescimento futuro.

Pior ainda se considerarmos que no mês de outubro o fluxo cambial foi negativo em US$ 3,8 bilhões, contrário ao que previa a presidente Dilma e o ministro Mantega, estimando “tsunami monetário” depois da flexibilização adotada pelo FED e BCE (BC europeu). Pior também por existirem concorrentes diretos do Brasil, como México, Indonésia, Coréia e Turquia (MIST) que podem atrair investimentos diretos, tirando um pouco o Brasil do radar dos investidores. Lembro que não podemos prescindir desses recursos para o país crescer.

Enfim, queremos dizer que é preciso buscar soluções mais duradouras e menos paliativas para a Europa, e o Brasil precisa mudar seu modelo atual, aproveitando o que o capital internacional tem de bom para investimentos em infraestrutura e estimular a produtividade e competitividade de nossas empresas em plano geral e não específico, como tem sido feito.

Em um cenário com tantas incertezas, vale a pena deixar seus investimentos nas mãos de profissionais através de Fundos de Investimentos. Conheça a Órama e leia minhas análises diárias sobre o mercado no Órama Blog. Até a próxima.

Foto de sxc.hu.

Alvaro Bandeira
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários