Economizar não é tudo!Eduardo comenta: “Navarro, seus artigos são excelentes, mas vejo poucas informações a respeito das pequenas quantias. Por exemplo, a Telefônica, em decisão do TRJ, está obrigada a fornecer internet banda larga sem a assinatura de um provedor (ver www.abusar.org.br). Estamos falando de uma economia de, aproximadamente, R$ 200,00 por ano. Afinal, as pequenas quantias que saem do nosso bolso são ou não são importantes? Por que?”

Olá Eduardo, seja bem vindo e obrigado pela participação. Achei o exemplo muito interessante para levantar algumas questões relacionadas às pequenas quantias que são comumente deixadas de lado pela grande maioria da população: que diferença os pequenos valores podem fazer ao longo do tempo? Será que só o aspecto financeiro deve ser levado em consideração quando novos hábitos são discutidos e praticados? Que reflexos esta consciência financeira[bb] pode trazer em sua vida cotidiana? Respostas na ponta da língua? Creio que não.

A diferença sentida no bolso
Que economizar dinheiro[bb] sempre representa benefícios financeiros, todo mundo sabe. No entanto, o principal problema nem sempre é estar atento aos aspectos intrínsecos da negociação, ao montante em si, mas no real uso do desconto alcançado ou da quantia economizada com suas decisões. Em outras palavras, é comum notar pessoas usando dinheiro economizado “do lado de lá” para o consumo imediato, de algo de que não necessita, “do lado de cá”. Alguns sabiamente dirão que isso é perfeitamente aceitável. Até concordo, mas será que economizar é só isso? Deveria ser?

Se você gosta da matemática da coisa, aproveito para citar o exemplo do cigarro para ilustrar o poder do tempo quando são discutidas pequenas quantias de dinheiro. Vamos supor que um maço de cigarro custe R$ 1,50 e que você fume um maço por dia. Por mês, você gasta cerca de R$ 45,00 para sustentar o vício. Vamos ao futuro? Para manter as coisas simples, imaginemos que decidiu (e conseguiu) parar de fumar e que a caderneta de poupança tenha um rendimento nominal de 0,6% ao mês (cerca de 7% ao ano). Em 5 anos, investindo os R$ 45,00 mensalmente na poupança, você teria R$ 3.238,41. Em 10 anos, teria R$ 7.875,14. Em 20 anos seriam R$ 24.019,31. Nada mal, não acha? Quer brincar mais com os valores? Use nossos simuladores!

Sei que, financeiramente falando, os R$ 45,00 mensais podem não representar problemas no seu orçamento. Além disso, temos que considerar a inflação para encontrar e citar a rentabilidade real. Não importa, a mensagem aqui pretende ser outra: o grande segredo está em procurar, dentro e ao lado de nossos hábitos financeiros, oportunidades de multiplicação para alcançar um objetivo maior. Claro que a motivação para isso só surge quando realmente há um objetivo sendo vislumbrado. Você tem objetivo(s) de médio e longo prazo?

O poder deve ir além da negociação
Sob a ótica da inteligência financeira, saber negociar é apenas parte do processo. Claro, parte importantíssima. Mas há mais no hábito de poupar que simlpesmente a transferência de valores de um bem para o outro. Quando deixamos de gastar mais por algo e imediatamente passamos a pensar na próxima compra, estamos apenas reiterando o enorme poder emocional do dinheiro, renegando, ainda que inconscientemente, sua capacidade de multiplicação. Não trata-se de ser sovina, mas de lembrar que as pequenas economias influenciam seu comportamento em muito mais do que você acredita.

Você pode não acreditar ou aceitar, mas suas reações diante dos pequenos valores definem grande parte de suas atitudes diante da necessidade de planejamento financeiro de médio e longo prazos. Consequentemente, suas decisões sobre investimentos futuros e orçamento doméstico podem estar sendo tomadas com base em universos temporais curtos, equivocados e sem atenção às diferenças de rentabilidade encontradas em diferentes produtos bancários e opções de investimento[bb].

Quem cria o hábito de negociar bem e, ao mesmo tempo, preocupa-se com a multiplicação das somas economizadas tem em mãos o verdadeiro poder de transformação das suas finanças. A afirmação anterior soa filosófica demais até para mim, mas resume bem a mensagem deste artigo. Quando você investe aquilo que foi capaz de economizar, trata de realmente transformar o desejo de realizar bons negócios em benefícios reais, em dinheiro para melhores negócios no futuro.

Muito além dos centavos…
Como já discutimos, os reflexos positivos vão além do extrato bancário e da economia em si. Os aspectos humanos, sociais e emocionais do dinheiro são os verdadeiros responsáveis por nossas conquistas financeiras, não canso de dizer. O quanto podemos economizar é apenas um dado, não uma atitude e serve apenas como insumo para sua decisão. Economizar é ótimo, mas melhor é saber lidar com as variáveis envolvidas para transformar essa economia em algo que realmente agregue valor à sua vida.

Como costumo fazer, fugi um pouco da questão matemática, numérica e racional. Todas as minhas palavras representam apenas minha sincera opinião e uma resposta ao questionamento de um leitor. Se você enxergou no artigo muitas possibilidades e oportunidades, ótimo! Assim fico contente com minha própria opinião sobre economizar, sabendo que a economia nas palavras não significou apenas uma rápida leitura. Profundidade com economia, é disso que você precisa na sua vida financeira.

Conrado Navarro
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