Juros CompostosArthur comenta: “Navarro, vi um artigo interessante no Infomoney que fala sobre “educação financeira sustentável”. O texto demonstra que o foco não deve ser o acúmulo de dinheiro como fim, mas como meio de ter uma melhor qualidade de vida. Além disso, devemos nos preocupar com o uso do dinheiro no consumo consciente e sustentável. Qualidade de vida? Consumo consciente? Boas palavras para mais um (bom) artigo”?

Arthur, como vai? Você tem razão, está ai um assunto bastante discutido (e polêmico) nos dias de hoje. Qualidade de vida é um aspecto muito pouco valorizado e compreendido, já que suas interpretações são tidas subjetivas e pessoais. O que é qualidade de vida para você? Somos obrigados a ter a mesma visão? Claro que não. É justamente essa possibilidade de discordar que cria, em muitas pessoas, uma blindagem quando o dinheiro interfere em seus hábitos tidos como necessários para manter sua “boa” rotina de vida. Será que dinheiro e qualidade de vida são tão pessoais assim?

Parece fácil
Ainda esta semana, em um texto publicado pelo leitor Marcos Oliveira, o Dinheirama tratou de questionar o leitor sobre a satisfatória maneira de usar seu dinheiro. O artigo do Infomoney traz a opinião de Aron Belinky, secretário-executivo da Ecopress, transcrita abaixo:

“O objetivo é mudar o pensamento de acumular cada vez mais dinheiro para a idéia de viver cada vez melhor. O importante é que a pessoa priorize a satisfação ao consumo. Viver bem não significa comprar mais um celular ou outro carro, e sim aproveitar a vida. Ter mais dinheiro não significa ser mais feliz ou ter mais qualidade de vida. O importante é planejar-se para ter o suficiente, sem consumir com exagero e desperdício”

Sua visão é conservadora, correta, mas os resultados e as reações diante de suas palavras não são (e nunca serão) unânimes ou previsíveis. Alguns podem encarar as palavras como uma opinião evasiva e simplista, outros podem concordar e agir de forma semelhante. As dicas não parecem, ao mesmo tempo, eficientes e vagas? A subjetividade do tema me motivou a levantar algumas questões.

Aspecto cultural
A institucionalização de alguns aspectos morais da sociedade é capaz de transformar completamente uma sociedade, é fato. Transformar certas atitudes e preceitos em hábitos nos leva ao passo contrário do questionamento e da capacidade de reinventar o cotidiano. Por aqui, potencializou-se no decorrer dos anos a necessidade de ostentação. Sem hipocrisia, o latino tem bagagem cultural mais que suficiente para comprovar o que estou dizendo. Gostamos daquilo que pode ser considerado exclusivo ou que nos diferencia dos demais à nossa volta.

Patrimônio no Brasil se compreende em quantos carros, móveis e imóveis você possui. Pior, o brasileiro quer possuir esses bens ainda que seus pagamentos sejam arrastados durante anos, num ciclo completamente automatizado. Isso, caro leitor, não é construir patrimônio. Pense que essa estratégia envolve diversos custos e que, para manter tal raciocínio vicioso, você precisará estar sempre se vendo assalariado ou com uma fonte fixa de renda. Não sou contra o emprego, sou contra a acomodação. Onde fica a qualidade de vida?

Qualidade de vida é patrimônio!

Seu maior patrimônio é você mesmo. Pronto, ridicularizei o conceito de patrimônio. Tudo bem, estou pronto para as críticas. Sua família, claro, tem papel fundamental e é parte de seu crescimento. O carro do ano, a casa na praia e o armário cheio de roupas só poderão ser considerados bens patrimoniais se, e somente se, você os tiver sem que sejam levantadas dúvidas morais e de ética dentro de casa. Você quer ter algo para sentir-se feliz, não quer?

Qualidade de vida é ter o que você merece, mas também ter responsabilidade e preparo para poder sempre correr atrás do que merece. Qualidade de vida é gastar seu dinheiro com você, desde que você não entre em conflito com você mesmo. É comprar quantas calças, carros e apartamentos você quiser, desde que você faça isso por você, para você. Que papo de maluco, hein?

Um exercício simples
Imagine que você passa por um apuro inesperado, um problema grave, que exige de você uma profunda reflexão acerca de suas posses, qualidade de vida e objetivos. Pense que seus pais ou seus filhos ficaram doentes, precisarão se mudar para um tratamento específico e você tem que ajudá-los. Que tipo de patrimônio você precisa neste momento? Casas, carros, roupas? Será que empregabilidade, inteligência financeira e educação não parecem “bens” muito mais úteis agora? A vida é um exercício constante de aprendizado, mas felizmente só aprendemos aquilo que queremos.

O que você quer?
Estou aqui enchendo você de palavras e opiniões, mas esqueci de fazer uma pergunta básica: você quer aprender a viver melhor? Reserva de emergência, investimento de longo prazo, plano de aposentadoria, planejamento financeiro e orçamento são palavras que assustam seu conceito de vida inteligente? Pode ser que qualidade de vida seja apenas uma sensação e que, mesmo sem garantias de um amanhã sossegado, você esteja feliz e de bem consigo mesmo. E amanhã? Bom, sobre o amanhã vejo duas verdades claras. Ele é imprevisível. Ele chega.

Crédito da foto para Marcio Eugenio.

Conrado Navarro
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