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Educação Financeira para um Natal Feliz e sem Dívidas

por Nathalia Arcuri
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Eu não sei você, mas basta o primeiro Panetone apontar nas prateleiras dos supermercados para que meu coração imediatamente entre num ritmo alucinante e meu cérebro dispare substâncias químicas ligadas ao desejo de consumir. É o aviso de que o Natal chegou!

E este ano sinto que a onda de estímulos cerebrais começou mais cedo. Shoppings Centers, supermercados e até a rua 25 de março anteciparam suas decorações natalinas a fim de iniciar as vendas de fim de ano antes mesmo que o ano chegasse perto do fim.

E ai, não tem jeito… “Sim, quero comprar os Panetones”, avisam meus miolos. “E dos grandes, hein?”, insiste o impulsivo. “Sim, quero comer os Chocotones, levar os papais-noéis, as árvores de Natal artificiais, os enfeites e todo o resto que me oferecerem!”.

Ops, acho que realmente me empolguei e é exatamente isso que o comércio quer. Quanto mais vulneráveis estivermos, maiores serão as chances de que o estímulo da compra seja eficiente.

Adeus bom senso?

Essa coisa de clima próspero, músicas repetitivas e propagandas bem elaboradas realmente mexem com a gente e mais: influenciam nosso desejo de consumo. É como se durante algumas semanas nosso filtro do bom senso perdesse o poder de filtrar os impulsos do consumo.

É a famosa auto-sabotagem a qual estamos tão acostumados quando o assunto é planejamento financeiro. Sabemos que é preciso planejar as compras, pesquisar preços, consultar o saldo bancário, mas uma amnésia recente toma conta do nosso consciente e tudo o que conseguirmos pensar é que aquela comprinha que não estava prevista será quitada facilmente com o décimo-terceiro.

Frase típica neste momento: “Eu mereço!”.

Mas calma lá, não precisa se achar um Maria-vai-com-as-outras só por causa disso. Somos seres humanos, vulneráveis e facilmente influenciados por uma boa estratégia de marketing.

Nosso papel diante da enxurrada de tentações natalinas é conseguir identificar:

  • O que é desejo;
  • O que é impulso;
  • O que é necessidade.

Controlando o desejo repentino

Jamais compre nada sem antes se perguntar qual é o motivo daquela aquisição, seja ela um enfeite natalino ou um micro-ondas na promoção que sua mãe adoraria ganhar de Natal. E, por favor, seja honesto consigo mesmo.

Se ao analisar a situação você perceber que está comprando por impulso e que se deixou levar pelo apelo da bela decoração, então pare onde estiver, devolva o que estava prestes a comprar e volte pra casa com a certeza de que fez a melhor escolha.

No fundo, todo mundo sabe que não precisa de mais enfeites natalinos, mas na hora do vamos ver, vacila e acaba levando o Papai-Noel paraquedista pra casa.

E isso é só o começo da conversa. Estamos no início de novembro e eu te pergunto: você já começou a organizar a lista de presentes e afazeres para o Natal? Se a sua resposta é “Não”, bem-vindo ao clube.

A boa notícia é que você que está lendo este post terá mais tempo para se programar e, consequentemente, mais chances de não se endividar neste Natal. Por isso, a lição de casa que eu deixo ao leitor do Dinheirama, por mais repetitiva que eu possa parecer, é a seguinte:

  1. Verifique se tem muitas parcelas a vencer no cartão de crédito e quanto elas vão te custar;
  2. Tire um extrato bancário e veja se existe a possibilidade de separar uma quantia para a compra dos presentes à vista e em dinheiro, que será sempre mais barato;
  3. Faça uma lista de pessoas a quem pretende presentear;
  4. Enumere a ordem de importância dessas pessoas na sua vida e o quanto pretende e pode gastar com cada uma delas;
  5. Compare preços e tente concentrar o maior número possível de presentes em uma mesma loja para economizar tempo e aumentar o poder de barganha.

Agora, se você analisou sua situação financeira e percebeu que não vai conseguir presentear amigos e familiares sem ficar endividado, meu pensamento motivacional é o seguinte: é melhor passar UM natal em branco do que a VIDA no vermelho. Esta e outras filosofias estão lá no meu blog também, acesse: www.poupecomsara.blogspot.com

Deixe a vergonha de lado e assuma um compromisso com você

Converse com os amigos, família, filhos, colegas de trabalho e explique a situação. Diga que você resolveu colocar as contas em ordem e que para isso vai precisar da compreensão de todos.

Deixe claro que você não está passando necessidade, que está tudo sob controle, mas que este ano sua contribuição com o Natal se resumirá a um belo peru recheado (exemplo fictício) e muitas gargalhadas de alegria por saber que está ali de corpo, alma e bolso tranquilos.

Superar o hábito de deixar tudo para a última hora ou passar por cima do próprio orgulho e assumir as limitações financeiras talvez sejam os melhores presentes de Natal que você possa dar a si mesmo. Presenteie-se e seja feliz! Até a próxima.

Foto “Christmas magic”, Shutterstock.

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