Como começar a lidar melhor com seu próprio dinheiro? Bom, vamos começar pelo começo, como dizia um professor. O que é educação? Sem olhar o dicionário, arriscarei uma definição a partir da minha humilde experiência com o trabalho e a família: educação é o conjunto de conhecimentos, hábitos e ações que nos levam a adotar certas atitudes em determinadas circunstâncias.

Você alguma vez já deve ter visto uma situação semelhante a esta que vou descrever: uma mãe no supermercado, com o filho de 4 anos de idade que, de repente, começa a fazer um escândalo, chorar, gritar e fazer birra. Você olha e pensa: “Nossa, onde está a educação dessa criança?”.

Agora pense naquela pessoa que chega ao fim do mês com dividas, sem dinheiro, reclamando da sorte, do governo e dizendo que a culpa é dos políticos, das empresas capitalistas e por ai vai. Na minha opinião, essa atitude não é muito diferente da birra feita pela criança no supermercado.

Dá para pensar a mesma coisa nos dois casos: cadê a educação? Só que no caso do adulto trata-se da Educação Financeira. Lembre-se da minha definição: conhecimentos, hábitos e ações que nos levam a adotar certas atitudes em determinadas circunstâncias. A criança sem limites faz birra; o adulto sem limites coloca a culpa nos outros.

Comece reconhecendo o poder da educação financeira

Agora já podemos voltar para a pergunta do título: por onde começar a educação financeira? O primeiro passo é entender e aceitar a necessidade da educação financeira, afinal fica difícil entender e praticar hábitos a menos que estejamos 100% convencidos da sua importância – ou correremos o risco de voltar logo para a estaca zero.

O meu conselho pessoal para começar é sempre ler e se envolver com conteúdo de educação financeira. Textos, livros, vídeos, entrevistas, jornais, vale tudo! Aliás, o Dinheirama é um ótimo recurso para os que reclamam que não têm dinheiro, afinal é completamente gratuito.

Educação financeira requer prática diária

Ao envolver-se com o tema, surgirá o interesse pela prática. Passe a anotar todo e cada um dos seus gastos diários por algum tempo. Eu costumo anotar em um bloco de notas todas as noites, ao lado de minha esposa, todos os gastos que realizamos naquele dia.

Se você tem dificuldades com o orçamento, recomendo que faça isso diariamente, pois passar mais de dois ou três dias sem anotar dificulta a atividade (desmotiva e fica difícil lembrar de tudo).

No final do mês, eu envio esse arquivo para o meu e-mail e, utilizando uma planilha de orçamento, coloco lanço todos gastos do mês e os classifico: as despesas são categorizadas de maneira a organizar e permitir olhar com mais facilidade para a nossa realidade financeira.

Com o registro organizado, é interessante fazer um gráfico para visualizar qual é o maior gasto que você teve naquele mês. O uso de ferramentas online de controle financeiro como o Dinheirama Online facilita bastante este trabalho de análise.

Com base nesses dados, você pode começar a planejar, ou como muitos especialistas falam, fazer uma análise realista do presente (entender onde é possível cortar/reduzir despesas) e uma previsão de fluxo de caixa (não se assuste, isso significa apenas projetar seus gastos).

Minha sugestão é que você anote, registre e analise todos os dias até que isso se torne um hábito, como tomar banho ou escovar os dentes antes de dormir. Depois de um certo tempo, cuidar das finanças será uma tarefa automática e você saberá exatamente para onde cada centavo está indo e por que (isso é o mais importante).

Pense da seguinte forma: todas as empresas de sucesso no mundo fazem controle financeiro (fluxo de caixa, contas a pagar e receber, contabilidade etc.). Todas as pessoas bem-sucedidas fazem isso. Por que você não o faria? Pois é, precisa fazer!

Educação financeira requer humildade

Pense sobre o que eu escrevi até agora. Devemos começar pelo básico e viver de acordo com a regra universal do dinheiro, que é: nunca gaste mais do que ganha. O amigo Conrado Navarro, fundador do Dinheirama, escreveu um ótimo texto em que fala melhor sobre essa regra: 3 Regras de Ouro das Finanças Pessoais.

Como saber se você não está gastando mais do que ganha, se não sabe quanto gasta? Saber quanto ganha é, para muitos, relativamente fácil, pois o único dinheiro que cai na conta corrente é o pagamento mensal pelo seu trabalho. Mas e os descontos? Qual é o saldo líquido que você recebe? Atenção para isso!

É fácil pagar tudo com o cartão de crédito, já reparou? Você não vê o dinheiro saindo do seu bolso e concentra o pagamento (saída de dinheiro da sua conta) em uma data única, a de vencimento da fatura.

São vantagens interessantes, mas ao mesmo tempo desvantagens para os mais descontrolados. Onde foram feitos os gastos com o cartão? Quais categorias? Eram gastos necessários? Supérfluos? Por isso a enorme importância de anotar os seus gastos diários, mesmo aqueles realizados através do cartão de crédito.

Como no crescimento humano, é preciso aprender a engatinhar antes de andar. E não dá para correr sem antes conseguir andar. Como vamos ser investidores de sucesso, pessoas capazes de realizar sonhos, sem antes aprender a fazer um orçamento?

Conclusão

Seja sincero com você mesmo, além de constante e disciplinado com o controle financeiro. Toda essa conversa sobre educação financeira não tem outro objetivo senão melhorar a sua qualidade de vida, permitindo, por exemplo, que você possa aproveitar melhor o tempo ao lado das pessoas que ama.

Gostaria de deixar uma frase final para reflexão: “Nenhuma quantidade de culpa pode mudar o passado, e nenhuma quantidade de preocupação pode mudar o futuro”, Al-Khattaab. Comece lendo. Comece fazendo. Comece agindo. Até a próxima.

Foto “Financial freedom”, Shutterstock.

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