Começo o texto com uma afirmação importante: o comportamento empreendedor pode fazer uma enorme diferença entre o sucesso e o fracasso na carreira e na vida dos nossos filhos.

Eu e minha esposa Cristiana procuramos dedicar parte do nosso tempo para mostrar como funcionam as coisas no mundo real para nossos três filhos: Theo, de 15 anos, Davi de 13 e a Maria, de 10. Desde muito pequenos, eles conhecem e participam de alguma forma das discussões e projetos familiares, desde a programação de uma simples viagem até os rumos dos negócios em que estamos envolvidos (perdendo ou ganhando).

Claro que na nossa “roda gigante da vida”, procuramos sempre equilibrar um pouco a forma de conversar para não gerar impactos psicológicos negativos, mas eles sabem os porquês de atitudes A ou B tomadas e os reflexos disso.

Alguns amigos me criticam por envolvê-los “em assuntos que não são para a idade deles ainda”, conforme dizem. Eu simplesmente respondo mostrando que estou preparando os meus filhos para a vida.

Outro dia li um artigo do meu amigo investidor Pierre Schurmann que mostrava um arrependimento de um pai aos 70 anos com a educação que deu aos seus filhos.

Ele disse que quando chegou aos 60 anos, decidiu que era hora dos filhos assumirem os negócios da família. Naquele momento, teve uma triste surpresa ao saber que nenhum dos três filhos estava preparado para a função. “A cada desafio que enfrentavam, parecia que iam desmoronar emocionalmente”, ele chegou a dizer.

Enfim, este senhor teve que manter-se à frente dos negócios até conseguir contratar um executivo para Diretoria Geral. Ele conta ainda que, desde quando os seus filhos eram pequenos, dava tudo para eles: educação excelente, oportunidades de morar no exterior, estágio em empresas de amigos etc.

Parece que ao tentar protegê-los dando o que precisavam, esquecia-se, ao mesmo tempo, de mostrar as grandes dificuldades da vida e ensinar que o que seremos no futuro será o resultado de nossos desafios enfrentados e o aprendizado prático ao longo da vida.

Exatamente por isso, procuro educar meus filhos para serem empreendedores. Não estou falando apenas de “negócios” ou sucessão familiar, estou falando de comportamento. É claro que alguns comportamentos são condicionados e podem ser modificados, mas estamos dando a atenção para as personalidades e características de cada um deles.

É difícil afirmar que todos os meus três filhos terão negócios próprios ou similares aos nossos no futuro, mas tenho certeza de que eles estarão bem preparados e fortes psicologicamente para enfrentar a competição no novo mundo.

A verdade é que, por experiência própria, posso afirmar que ter um comportamento empreendedor pode fazer uma enorme diferença entre o sucesso e o fracasso, seja nos negócios, na carreira profissional, nos relacionamentos pessoais ou em qualquer situação na vida.

O que quero alertar é para a importância do modo empreendedor de enxergar as barreiras, de encarar os riscos e os problemas da vida. Infelizmente, a educação básica escolar, na sua maioria, perde muito tempo em condicionar os jovens a “decorar” coisas que não serão relevantes para a formação profissional.

Mas atenção, não estou orientando ninguém a tirar seu filho da escola tradicional ou da educação básica, estou falando em mudança de orientação familiar, de inclusão de novas matérias na grade curricular, do ensino complementar e até na preocupação com a condição comportamental.

Meus filhos cresceram, e agora? O que eles vão fazer da vida? Como posso ajudar meus filhos a serem felizes profissionalmente? O que estou querendo mostrar é que os alunos da educação tradicional são condicionados a estudar e estudar, seja para concursos, para as áreas de Direito, Medicina, Engenharia e etc.

OK, isso é muito importante e não estou questionando a conclusão e o diploma universitário, mas nem todas as pessoas nasceram para serem advogados, médicos ou terem jornada de trabalho pré-definidas, ou seja, também podemos educá-los e prepará-los para serem empresários, profissionais liberais ou empreendedores da Economia Criativa. Por que não?

Eu faço muitas palestras em eventos cheios de estudantes e percebo, por exemplo, universitários do curso de Administração sendo preparados para administrarem somente as coisas dos outros e não as suas próprias empresas – o que, em minha opinião, é um equívoco.

Os cursos de MBA, com algumas exceções, incentivam a trabalhar (estágio, trainee) em corporações e não a condução dos seus próprios negócios. Enfim, precisamos inserir rapidamente no Brasil o Empreendedorismo em toda a cadeia de ensino.

Enquanto isso, em casa eu procuro fazer o meu dever de aplicar meus conhecimentos, experiências e aprendizados empreendedores no sentido de dar exemplo aos meus filhos. Entre as muitas lições e coisas que faço em casa, temos o hábito de não dar mesada, por exemplo.

Desde pequenos, quero acostumá-los a não ter “nada garantido”. Mesadas ensinam às crianças coisas interessantes como organização, controle e disciplina, mas por outro lado condicionam e passam uma sensação equivocada de segurança, de ter um fixo garantido.

Não quero meus filhos focados em “empregos”, os quero pensando em “trabalho”, o que é bem diferente. Pode ser que eles não consigam empregos formais daqui cinco anos, então tenho que prepará-los, hoje e agora, para isso.

O que eu faço em relação ao dinheiro? Dou o suficiente para o lanche na escola e negocio cada momento e cada necessidade. Procuro promover e nutrir valores como conquista, competição, realização, gratidão, humildade, resiliência, tenacidade, liderança e interdependência.

É claro que não foi só pelo fator “mesada” que meus filhos já se tornaram empreendedores muito cedo, mas por todo o contexto familiar. A Maria Braga, de 10 anos, já produz CupCakes desde os 8 anos e agora acabou de lançar seu canal no YouTube para ensinar outras garotas a fazerem doces também.

O Davi Braga, de 13 anos, como ele mesmo diz, já está no seu terceiro negócio e agora é fundador de uma StartUp chamada de List-IT, de lista de material Escolar. Theo, o mais velho (15 anos) é um negociador nato (compra e vende muito bem), é bom em design gráfico e Youtube.

Eles estudam normalmente? Tiram notas boas? Tem tempo para brincar e se relacionar? Sim, a resposta é um grande “Sim”. Talvez por esta minha afirmação, a outra pergunta recorrente que me fazem sobre a educação que dou a eles é: tem como ensinar meu filho a empreender? Minha resposta é: claro!

Mude o seu comportamento, mude a sua perspectiva, converse sobre trabalho, sobre outros assuntos e os percalços e desafios da vida. Dê o exemplo dentro e fora de casa para que eles comecem a ter outra visão, tenham um propósito, orgulho de alguma coisa e para que procurem ser, pelo menos, melhores do que você foi ou é.

Quero concluir voltando a citar o exemplo do senhor de 70 anos que mencionei mais acima. Ele relembra o ditado popular antigo que diz: “Temos que matar um Leão por dia”. Ele diz que por muitos anos acreditou nisso – acordava todos os dias preparado para encontrar e brigar com o “tal Leão”.

A vida foi passando e hoje ele conclui sabiamente que não devemos “matar o Leão” e, sim, “cuidar dele”. Sabe por quê? Ele mesmo explica: “Com grandes desafios, nos tornamos grandes. Com pequenos desafios, nos tornamos pequenos. Aprendi que, quanto mais bravo o leão for, mais gratos temos de ser. Por isso, aprendi a não só respeitar o leão, mas a admirá-lo e a gostar dele”.

Moral da história: aprenda com seus pais, pois a vida não ensina as coisas tão carinhosamente. E se você tem filhos, eduque-os para empreender, ganhar dinheiro e aprender a controlar os leões que vão enfrentar pela vida. Ah, sim, ensine-os a “desviar das Antas” também. Até a próxima.

Foto “Young entrepreneur”, Shutterstock.

João Kepler
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