Eleições 2010 - E as reformas? Alguém vai falar sobre isso?Convenhamos, o atual processo eleitoral pouco a pouco se transforma num verdadeiro entretenimento, de gosto duvidoso é verdade, mas não deixa de ser divertido e até instigante. A cada novo episódio, a expectativa sobre como um lado se protegerá ou contra-atacará aos ataques e agressões da outra parte. Sem dúvida alguma uma novela completa (ou seria um drama?), onde a audiência assiste de camarote à ebulição em grandes linhas daquilo que virá, daquilo que se instalará se um ou outro candidato vencer o pleito.

Nesse contexto, enquanto aguardamos a decisão final da votação, navegamos em sensações que passam pelo humor, o humor negro, a tristeza, bastante decepção, indignação, alguns arrepios e muito medo. Medo de que prioridades estruturais, que há tempos são anunciadas como fundamentais para a nossa sobrevivência e ascensão como nação forte, sólida e sustentável economicamente, sejam esquecidas, relegadas ao segundo plano, mais uma vez.

Refiro-me às reformas, aquelas sobre as quais fomos exaustivamente alertados por especialistas de todas as matizes, quanto a urgência e as graves consequências em negligenciá-las. São elas: a previdenciária e a tributária. Muitas outras questões são fundamentais e também estruturais, tais como a educação, a reforma política e a eficiência (ou ineficiência) estatal, mas hoje me dedico a apenas essas duas.

Elas são o alicerce econômico do nosso futuro, mas são tratadas pelos esgrimistas do horário político apenas como mais um tema, mais uma questão dentre tantas outras. Os especialistas que nos alertaram no passado distante (na época do Plano Real), e ainda nos alertam, não previram outros movimentos macroeconômicos que se sucederam.

Não previram a supervalorização das commodities, nem o pré-sal, muito menos o cataclisma econômico de 2008 que bagunçou de vez com os movimentos geopolíticos no mundo, alçando ao primeiro patamar vinte nações em desenvolvimento. É verdade, mas até quando? Até quando a sorte vai nos sorrir? Até quando poderemos postergar as tais reformas impunemente?

Enquanto isso, assistimos decepcionados ao duelo pela busca dos nossos votos, pela conquista dos nossos corações e mentes, num dramalhão pobrinho que toma conta do noticiário, enquanto algumas nuvens vão se formando no horizonte. É antiga a afirmação de que uma imagem vale por mil palavras.

Recentemente acompanhamos o retrato disso tudo em uma prestigiosa revista semanal, onde a primeira capa, totalmente branca, critica a falta de propostas dos grupos políticos que concorrem à presidência da república.

Honestamente, para retratar bem o momento, acrescentaria apenas algumas nuvens no horizonte. Só isso.

Arrepios meu amigos, arrepios…

Crédito da foto para freedigitalphotos.net.

Plataforma Brasil
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