Já no início da próxima semana saberemos quem será o próximo presidente que administrará o país pelos próximos quatro anos. Há muitas diferenças entre os dois candidatos na abordagem dos problemas brasileiros e, principalmente, na forma de atuação. Estamos na reta final das eleições.

Porém, uma coisa parece absolutamente certa: ambos terão que proceder mudanças robustas na política econômica e monetária, com a finalidade de garantir maior confiabilidade aos investidores locais e estrangeiros e empreendedores de forma geral.

Isso pressupõe um choque de credibilidade para atrair parcerias, já que o país está absolutamente carente de investimentos, que representam pouco mais de 18% do PIB (incipiente para crescer), e com a poupança muito baixa.

Além disso, não há mais muito espaço para o Estado ser o quase exclusivo patrono dos investimentos de mais longo prazo no país e nem para escolha dos “campeões nacionais” com recursos subsidiados. Afinal, o Tesouro já é credor de empréstimos para o BNDES em montante próximo de R$ 451 bilhões, que apesar de serem de longo prazo, terão de ser pagos.

Raciocínio análogo é válido para o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, que foram quase elevados ao grau de autoridade monetária no governo Dilma e que também estão incorporando muitos ônus que se refletirão no futuro caso a capacidade de pagamento não se amplie no futuro.

Com isso, queremos dizer que se a situação não for bem resolvida, no futuro darão origem, novamente, aos “esqueletos dentro do armário” que terão de ser sanados como herança para os próximos governos.

Esse “filme” já é velho conhecido de todos nós, com os esqueletos saindo do armário no governo FHC, e a tão eficiente (pelos menos por bom tempo antes dos dias que correm) Lei de Responsabilidade Fiscal, que domou Estado e municípios e deu paradeiro aos bancos de fomento estaduais; não sem enormes ônus para toda a sociedade.

O próximo governante terá também que restringir o crescimento da dívida bruta, ampliando o superávit primário e cumprindo essas metas acertadas e sem fazer uso da contabilidade criativa tão nociva nesses últimos anos.

Será essencial que haja transparência nas contas públicas e retomada dos investimentos, com foco na infraestrutura. Assim, as concessões do governo Dilma ou mais precisamente as privatizações terão que caminhar, assegurando aos investidores bons retornos em seus empreendimentos, sem o qual o capital buscará outros países também atrativos.

Também será preciso agir imediatamente no combate à inflação e seu retorno de forma mais rápida ao centro da meta (inicialmente), e buscar taxa de câmbio mais próxima da neutralidade, reafirmando o tripé que foi respeitado na primeira gestão de Lula: inflação baixa, câmbio flutuante e superávit primário.

Nesse momento, o câmbio tem sofrido enorme interferência da autoridade monetária, trazendo bruscas oscilações, situação que agrega mais instabilidade. Há também o fato das operações de swap em curso já terem superado US$ 100 bilhões em e crescimento, deixando a sensação que “estamos gastando muita munição em tempos de paz”.

Ambos terão também que atuar na famosa redução do custo Brasil, reformando não só a política fiscal, mais reduzindo e simplificando a carga tributária, principalmente no que tange às nossas exportações. O Brasil segue tributando exportações, o que reduz nossa competitividade.

Aliás, a produtividade também terá que ser abordada pelo próximo governante, já que o superávit comercial míngua e, até meados de outubro, ainda mantínhamos déficit na balança comercial de quase US$ 1,3 bilhão.

Enfim, muito o que fazer não só diretamente na economia, com espectro macro e microeconômico, mas também na saúde, educação e programas sociais.

A forma de fazer será mais sofrida para um, dificultosa para outro, mais rápida ou lenta, mas as mudanças terão que ser feitas sob pena de andarmos para trás, saindo do radar dos investidores e nos “argentinizando” ou coisa pior, e deixando um legado ruim para nossos filhos. É importante cobrar tudo isso depois que passarem as eleições.

Aliás, nossos filhos terão que saber gerir melhor o futuro e, a respeito disso, aproveito para comentar que recentemente lançamos em parceria com o Dinheirama o eBook gratuito “Pais Presentes, Filhos Ricos” (clique para download).

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Nota: Esta coluna é mantida pela Órama, que contribui para que os leitores do Dinheirama possam ter acesso a conteúdo gratuito de qualidade.

Foto “Brazil Vote”, Shutterstock.

Alvaro Bandeira
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