Nada como uma eleição para mexer com os ânimos das pessoas e desnudar algumas máscaras, não é mesmo? Mas calma, eu não vou falar de política aqui. Quero falar de pessoas e, mais do que isso, de cidadania, uma palavra esquecida até que chega a hora da campanha política e do “oba-oba” da votação.

Começo com uma pergunta aparentemente inocente: você se considera um verdadeiro cidadão? Sempre que eu faço essa pergunta, ouço um enfático “Sim, claro!”. Conversa vai, conversa vem e logo fica claro que quem se declara cidadão o faz pensando apenas nos seus direitos, nas suas garantias enquanto habitante deste país. E os deveres?

Engraçado como tem quem finge-se cidadão em ano de eleições. Mostra-se engajado em discussões políticas, faz-se de entendido sobre as mazelas do país e arrisca-se a defender este ou aquele candidato. Para algumas pessoas, isso é participar da construção país, dar sua contribuição. É, como gostam de dizer, “fazer sua parte”.

Adianta agir assim, mas continuar varrendo a calçada com água? Dar péssimos exemplos aos filhos em termos de educação, moral e trabalho? Arrumar atestado para enganar o chefe? Colocar a culpa de suas frustrações nos outros? Viver para impressionar os demais? (Siga enumerando “espertezas” até se cansar e teremos uma lista infindável de atitudes comuns por ai).

Meu recado para este grupo é bem honesto: fazer sua parte é muito mais do que você provavelmente faz. E, quer saber? Fazer sua parte não é suficiente. Projetos de vida, negócios, altruísmo, política de qualidade, gestão, tudo isso requer muita dedicação, sacrifício e esforço pessoal. Escolhas pessoais pressupõem deveres, não direitos. Seu direito é o de ser responsável por sua escolha e suas consequências. “Só” isso!

Cidadania é dia a dia, não oportunismo e opinião conveniente e para “ficar bonito na foto” ou ganhar reconhecimento, benefícios e mimos de candidatos e partidos. Cidadania é fazer porque você quer, porque é certo, não porque há alguém olhando ou para ficar recebendo aplausos.

Convenhamos, se existe hora certa para ser cidadão, então danou-se! Não estou dizendo que não devemos participar do pleito político de forma ativa e corajosa, tendo e defendendo opiniões sobre o Brasil e seus desafios. Não, o que eu não suporto é gente que espera o ano de eleição chegar para ficar mostrando sua bússola moral quebrada, que aponta só para o certo e necessário.

Pior são os que gostam de cobrar, mas pouco fazem quando têm chance. O que dizer dos que simplesmente esperam a solução dos problemas e apenas reclamam? Da forma como eu vejo, existem cidadãos, babacas e malandros. O malandro acha que tem direito. O babaca acha que é assim mesmo. O cidadão não acha nada, ele faz alguma coisa.

O problema aqui é temos muitos babacas querendo virar malandros e nenhum deles querendo sequer discutir cidadania. Isso sem contar na quantidade de malandros que decidem se candidatar e concorrer a cargos públicos de liderança. O babaca vota com esperança, sem convicção, enquanto o cidadão vota com expectativa, mas sem esperança. Que futuro seremos capazes de construir assim?

Desculpe a franqueza, mas é que em ano de eleição os babacas resolvem fantasiar-se de cidadãos e os malandros decidem fazer a festa. Ai o cidadão perde a paciência… Ufa. Até a próxima.

Foto: “Brazil flag”, Shutterstock.

Conrado Navarro
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