Estamos assistindo nos últimos dias o acirramento do debate político em torno das eleições, de um lado uma candidatura que busca a reeleição e de outro o candidato que agregou em torno de si a maior parte dos partidos de oposição.

É preciso ressaltar que os últimos quatro anos foram marcados por resultados negativos da economia do Brasil e do mundo: aqui os números decepcionaram o mercado, que durante um bom tempo navegou com PIB crescente, emprego em alta e uma massa de pessoas dispostas a consumir.

A inflação, sempre ela, mostrou as garras e, ainda hoje, mesmo com os juros tendo alcançado um patamar expressivo, continua forte e corroendo o poder de compra, sobre tudo dos mais pobres. Há quem diga que fecharemos o ano com a inflação praticamente no teto da meta (6,5%).

Inflação e juros altos, marcas do atual cenário econômico

A verdade é que o principal responsável pela alta da inflação é o próprio governo, que gasta muito principalmente com o custeio da máquina e pouco investe em infraestrutura e projetos que pudessem de fato tornar o país mais competitivo.

Por aqui, o “tempo parou” e não conseguimos oferecer às empresas mão de obra qualificada, ao menos não da maneira que o mercado de trabalho precisa. Aumentamos o número de pessoas com acesso à universidade (uma conquista importante), mas pecamos muito na qualidade do ensino básico e fundamental – mesmo ampliando o número de crianças na escola.

De 2008 pra cá, a crise não foi privilégio de nosso país. Podemos até dizer que conseguimos manter algumas conquistas importantes, enquanto Estados Unidos e muitos países da Europa apresentaram números alarmantes de desemprego (muitos deles continuam com o problema e longe de uma resolução).

Aqui, mesmo durante a crise continuamos com números tecnicamente bons (pleno emprego). Alguns podem levantar questões específicas, como o menor número de pessoas buscando trabalho e também as muitas pessoas que passaram para o mercado informal, aspectos que colaboram para os números positivos do emprego.

O Brasil precisa de conciliação

Independente do vencedor nestas eleições, nosso país precisa seguir em frente, criando uma agenda de propostas sérias que precipitem um novo ciclo de reformas extremamente importantes e urgentes (entre elas a reforma política, tributária, previdenciária, da educação e saúde).

É hora de um discurso de união nacional! Considero perda de tempo e desserviço ao país alimentar o ódio em torno de projetos de desenvolvimento do país e suas regiões – nesse ponto, as redes sociais se tornaram uma selva, criando um ambiente triste e que mais parece uma disputa entre torcidas organizadas. Postagens sem nenhuma racionalidade e critério e muita irresponsabilidade de ambos os lados.

Quero acreditar que podemos ter um debate qualificado daqui pra frente por parte das candidaturas, mas também por parte das pessoas, dos cidadãos e seus sonhos para o Brasil. Chega de querer transformar eleição em luta, chega de polarizar como se estivéssemos em guerra. Cansei, está tudo está ficando chato e agressivo demais.

Sugiro foco no futuro e nas questões realmente importantes e que possamos fazer nossas escolhas de forma consciente e não baseadas apenas nas opiniões de terceiros. É fundamental tirarmos nossas próprias conclusões e incentivarmos a mudança nas pessoas.

Espero que sejamos, antes de tudo, cidadãos cumpridores de nossas responsabilidades mais básicas para que possamos cobrar mudança nos outros. Obrigado e até a próxima.

Foto “Happy brazilians”, Shutterstock.

Ricardo Pereira
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