Passado o primeiro turno das eleições presidenciais, ingressamos no que chamamos de hora da verdade para os candidatos Dilma e Aécio. Aécio foi uma surpresa não capturada pelas pesquisas de intenção de votos e nem pela pesquisa de “boca de urna”.

É bem verdade que Aécio já vinha esboçando alguma reação nos últimos dias e os eleitores silentes (que eram parcela expressiva) fizeram a diferença. Agora temos outra eleição, completamente distinta, na qual teremos que avaliar outros fatores:

Para quem e qual será o apoio da candidata Marina Silva?

Aparentemente está muito mais próxima de Aécio que de Dilma, até por que o PT tentou (e conseguiu) desconstruir Marina com situações “não tão amigáveis”. Diferente da eleição passada, quando Marina não assumiu posição mais forte, dessa vez terá que se posicionar, pois poderia mostrar fragilidade (muito explorada no primeiro turno) e, com isso, inviabilizar seu Partido Rede e sua própria imagem política.

O horário político gratuito também será fundamental

Dessa feita, os candidatos terão o mesmo tempo para suas propagandas. O PT fez boa propaganda, independente de serem verdadeiras ou falsas. O PSDB é uma incógnita, já que seu tempo foi quase 1/3 da de Dilma. Horário maior pode elevar ou destruir candidatos.

Haverá transferência de votos?

Vamos ter que avaliar como acontecerá a transferência de votos de Marina e candidatos de menor expressividade para os dois concorrentes. Além disso, Aécio terá que cuidar de sua baixa performance no Norte e Nordeste, sem descuidar do segundo colégio eleitoral brasileiro, sua região de origem, onde perdeu feio.

Já Dilma terá que “viver e trabalhar” em São Paulo, onde levou um autêntico “passeio” de Aécio. Por fim, ainda teremos que avaliar do ponto de vista da população menos informada os resultados dos debates que sempre sensibilizam.

E os programas de governo? E as propostas?

Apesar disso, o que gostaríamos mesmo de assistir é a divulgação de projetos que cada candidato deve ter para a Nação, e não projetos de poder ou de partidos, já que as eleições ficaram novamente polarizadas entre PT e PSDB.

Gostaríamos de assistir discussões de ideias e proposições, ao invés de baixarias televisadas e império do medo. Gostaríamos de conhecer como cada candidato lidará com inflação, baixo crescimento, política fiscal quase suicida, reformas estruturais e reforma política, dentre outras vertentes.

Será preciso explicitar como cada um fará mudanças de rumo na economia, em que velocidade e quais as prioridades assumidas. No caso de Dilma, isso será mais difícil, na medida em que até aqui ela verbalizou que a economia está bem, sem introjetar qualquer culpa pelo processo estagflacionário.

No caso de Aécio, isso será mais fácil, mas ele esbarra na necessidade de desaparelhar o Estado construído pelo PT. Certamente Aécio necessitará de um prazo de adaptação, mas mudanças podem ser mais rápidas e visando produzir um choque de credibilidade, que de resto os dois candidatos teriam que realizar.

Conclusão

Como o modelo atual comprovadamente não deu certo e como o Estado não tem mais capacidade de seguir financiando e criando “campeões nacionais” via bancos públicos, ambos terão, obrigatoriamente, que mudar o modelo econômico, com ou sem autonomia do Banco Central, mas contando necessariamente com a adesão dos investidores e empresários locais e investidores externos.

Para tanto, marcos regulatórios permanentes terão que ser criados, encerrando a fase de administração da vida nacional por sustos e casuística. O Brasil agradece que os candidatos se atenham a projetos e não a baixarias e denúncias. Denúncias são importantes para apuração da polícia, mas não fazem do Brasil uma Nação que almeja crescer.

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Foto “Hangs and Brazil flag”, Shutterstock.

Alvaro Bandeira
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