Como boa parte dos leitores do Dinheirama sabe, a Empiricus é uma das parceiras mais antigas do site.

Ao longo dos últimos anos, graças ao apoio que recebemos da Empiricus e de outros (poucos, mas valiosos) parceiros, conseguimos manter a estrutura do site e continuar oferecendo conteúdo gratuito e de qualidade para todos.

Nas últimas semanas, alguns leitores começaram a nos perguntar sobre como enxergamos a parceria com a Empiricus e também como podemos atestar se o trabalho que eles realizam é realmente de valor.

Em outras palavras, as pessoas querem saber se, de fato, a Empiricus é confiável.

Sempre primamos nesse espaço pelo diálogo franco e direto com os leitores. Por aqui, não medimos esforços para traduzir às pessoas o que existe de melhor na educação financeira para que todos possam realizar seus sonhos.

Por conta dessa franqueza, decidi mais uma vez utilizar minha coluna para tocar em um ponto fundamental, uma análise fria sobre o trabalho que a Empiricus oferece aos seus clientes.

Ponto 1: Uma empresa de publicação financeira independente

 A Empiricus se autoproclama a maior casa de conteúdo financeiro independente do Brasil. Semanalmente são produzidos diversos conteúdos direcionados para todo tipo de investidor.

Existem os conteúdos grátis, que compartilhamos aqui e também está disponível no site da publicadora, e o conteúdo pago, onde encontram-se de fato as recomendações financeiras, que são comercializados no modelo de assinatura.

As assinaturas mais baratas da casa, chamadas de Publicações Essenciais, são oferecidas aos leitores por R$ 16,00 mensais. Eles também oferecem material Premium, com estratégias mais avançadas, com séries a partir de R$ 126,00 por mês.

Há também o Reserva Empiricus, que oferece ao assinante acesso ao “mais alto grau de informação financeira”, cujo valor da assinatura é de R$ 50.400,00 para um pagamento único que oferece acesso perpétuo a todas as assinaturas Essenciais e Premium.

Para validar o conteúdo que divulgamos no Dinheirama, dentro da parceria há alguns anos me tornei um dos assinantes da empresa em praticamente todos os seus produtos.

Ponto 2: Posicionamento crítico e marketing agressivo

Em 2013, o grupo norte-americano Agora, fundado pelo lendário investidor Bill Bonner, tornou-se sócio da Empiricus. O valor do negócio nunca foi revelado, mas a partir da chegada do novo sócio, a empresa ganhou poder de fogo para investir em marketing, novos produtos e aumentar a equipe com profissionais de renome.

Já utilizando o marketing como uma arma poderosa para atrair a atenção de novos clientes, a Empiricus lançou em 2014 o relatório O Fim do Brasil, assinado pelo analista e sócio da empresa Felipe Miranda.

O Brasil em 2014 vivia um período de disputas ácidas em torno da Presidência da República, e a polarização chegou a afastar amigos e familiares.

A Empiricus havia criadouma campanha de marketing, contendo diversos anúncios, dentre eles dois chamaram a atenção do governo: “Saiba Como Proteger Seu Patrimônio em Caso de Reeleição da Dilma, Já” e “Saiba que ações vão subir se o Aécio Neves ganhar”. O objetivo da campanha era atrair novos leitores, potenciais assinantes, para a Empiricus.

Quem clicasse em qualquer um dos anúncios, receberia um único relatório que continha uma análise de cenário sobre a possível eleição de três candidatos à época: Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos.

Por conta desse trabalho, a coligação da ex-presidente Dilma Rousseff entrou com uma representação no TSE afirmando que a Empiricus promovia terrorismo eleitoral.

O TSE julgou improcedente a representação, mas a partir desse episódio a empresa passou a ser criticada por eleitores que apoiaram e continuam apoiando o governo da ex-presidente Dilma.

Dilma foi reeleita, os anos se passaram e o agravamento da crise mostrou que, de fato, o Brasil entraria em um momento de grave crise.

Tendo despertado amor e ódio e conseguido chamar a atenção de muita gente que passou a conhecer e se interessar por relatórios financeiros, a Empiricus reforçou as campanhas de marketing aumentando cada vez mais sua base, mas, ao mesmo tempo,também viu crescer a ira de seus concorrentes e opositores.

Ponto 3: Transformação em um país que não têm o hábito de falar em dinheiro

Não é novidade para ninguém as diferenças de cultura entre americanos e brasileiros. Lá, o que aqui ainda começamos a identificar como marketing agressivo, já faz parte do dia a dia das pessoas.

Os relatórios da Empiricus promoveram algo incomum no Brasil: as pessoas passaram a debater nas ruas, bares e mesmo em reuniões fechadas o alinhamento da empresa e o conteúdo dos relatórios. O marketing agressivo efetivamente estava funcionando.

A disputa política no Brasil continuava ganhando espaço, e o movimento de impeachment se tornou tema constante nos relatórios da empresa.

Como não poderia ser diferente, as pessoas buscavam informações e queriam proteção para sobreviver a um dos momentos mais tristes da história do Brasil.

Ponto 4: A concorrência, mais perigo para Empiricus 

O inegável sucesso da Empiricus mostrou que estava nascendo um mercado com alto potencial de crescimento.

A estabilização da economia apresentava às pessoas a necessidade de buscar alternativas que fossem além da renda fixa.

A partir do sucesso da Empiricus, outras casas de análises perceberam a oportunidade de crescer e se posicionar como mais uma opção.

A concorrência é saudável.Eu tive a oportunidade de conhecer de perto algumas dessas casas de investimento e posso atestar que a maioria realiza um trabalho muito sério.

Ponto 5: A equipe Empiricus

A Empiricus mudou desde que estive pela primeira vez na empresa, ainda em 2012. De lá para cá, o time de colaboradores cresceu muito.

Trabalhando por pelo menos uma década com educação financeira e investimentos, conheci e tive a oportunidade de trabalhar com muitos profissionais de destaque, e muitos desses profissionais hoje fazem parte da equipe da Empiricus.

Sem dúvida alguma, o fato de conhecer essas pessoas de perto, tanto profissionais que estão na linha de frente produzindo relatórios, como pessoas que estão na parte mais operacional me permite confiar ainda mais na empresa.

Essa mesma análise vale para outras empresas que concorrem com a Empiricus, que hoje também contam com ótimos profissionais que transferem seu conhecimento e experiência para os clientes.

Ponto 6: Compra do portal “O Antagonista”

Em março de 2016, a Empiricus avisou o mercado sobre a compra de 50% do portal “O Antagonista”. De acordo com a empresa, os investimentos feitos em anúncios no site mostravam que investir na empresa poderia ser uma escolha mais adequada.

É inegável que a figura de alguns nomes que fazem o Antagonista reforçou o posicionamento da Empiricus e ao mesmo tempo serviu de combustível para que muitos aumentassem o tom das críticas contra a empresa.

Se o negócio com “O Antagonista” prosperou no mesmo período, outra iniciativa da Empiricus, o portal “O Financista”, deixou de existir.

Ponto 7: Os problemas da Empiricus

Como em todos os serviços de análise financeira e investimento, também existem erros na Empiricus em relação à previsão de seus analistas. Convenhamos, isso é absolutamente normal para quem conhece um pouco mais de perto o mercado financeiro. Não é possível ganhar sempre.

O erro não significa, no entanto, que não exista comprometimento por conta da equipe de analistas em acertar cada vez mais. Aliás, como assinante posso garantir que a maioria das recomendações, ao longo dos anos em que utilizo o serviço, tem se mostrado acertada.

Quando pensamos e validamos os melhores serviços, é fundamental perceber e escolher quais as empresas que possuem os maiores níveis de acerto.

Quanto à discussão sobre o tom agressivo de marketing, o conselho de supervisão da Apimec, entidade que regula a atividade de analistas e profissionais de investimentos, suspendeu por 30 dias (com término em 16 de dezembro de 2017) o credenciamento de três analistas da Empiricus, entre eles, Felipe Miranda.

No entendimento da Apimec, o e-mail marketing com a propaganda para captar assinantes, na verdade, tratava-se de um relatório de investimentos. O que é contestado pela Empiricus, já que sua única fonte de receitas é a venda dos relatórios e não faria sentido divulgar uma recomendação gratuitamente via e-mail marketing.

Em setembro de 2017, a Empiricus divulgou uma pesquisa realizada com seus clientes. O levantamento foi aplicado e analisado pela Kyra Pesquisa de Mercado e Consultoria. Nele, 94% dos assinantes afirmaram que o conhecimento sobre finanças e investimentos aumentou depois acessar a Empiricus. 92% disseram estar mais confiantes para investir e 95% acreditam que a Empiricus contribui para educação financeira do investidor pessoa física.

Em 2018, Marcos Elias, um dos fundadores da Empiricus foi preso na Suíça e extraditado para os Estados Unidos. É importante salientar, que Marcos Elias deixou de fazer parte do quadro de sócios da Empiricus em 2012.

Entre erros e acertos no tom do discurso de marketing e venda, é importante notar que existe supervisão dos órgãos competentes, que garantem ao mercado um direcionamento sobre os limites que são importantes para o mercado como um todo. É importante que continue assim.

Ponto 8: Os desafios da empresa

Recentemente, o mercado começou a cogitar a possibilidade de a Empiricus se tornar uma corretora, a partir de uma nota do Lauro Jardim em seu blog, no portal O Globo.

Recentemente, o próprio Felipe Miranda utilizou sua newsletter diária,“Day One”, para conhecer a opinião dos leitores sobre essa possível transformação.

Ainda não existe nenhum desdobramento sobre esse tema. Ainda assim, é fato que parece ser um caminho lógico para o futuro da empresa.

Enquanto isso, o desafio de continuar despertando a atenção das pessoas e medindo os possíveis excessos de marketing continuarão presentes.

Encontrar uma forma de alcançar o público jovem também é importante. Até por conta disso, a Empiricus abriu espaço e investiu na iniciativa Investeaê, que já ganha vida própria sob o comando dos jovens André Franco e Vinicius Bazan.

Outra iniciativa da Empiricus dentro do contexto financeiro é a Inversa Publicações, que de acordo com o site, é uma empresa de ideias, formadas por pensadores experientes no mercado financeiro e cansados de um mundo de mentiras, interesses, conflitos e fakenews.

Ponto 9: Conclusão / Experiência Própria

Respondendo à pergunta inicial deste texto, sim, a Empiricus é confiável, tanto por conta do que se propõe a desenvolver, com a criação de conteúdos transformadores e acessíveis para pequenos e médios investidores, como pela própria estrutura de backoffice e de atendimento aos clientes.

No meu trabalho, certamente levo sempre em consideração a opinião dos analistas da empresa. Como investidor, não deixo de acompanhar os materiais e relatórios oferecidos pela empresa.

Destaco a série “Tesouro Empiricus”, conduzido pela Marília Fontes, analista de Renda Fixa, que com a série fez um ótimo material sobre Tesouro Direto. O material é rico em detalhes e fundamental para quem ainda têm dúvidas se deve ou não tirar o dinheiro da caderneta de poupança e começar a investir em títulos públicos.

Quero lembrá-lo que a Empiricus é um dos patrocinadores fixos do Dinheirama, mas dentro o espírito de transparência que sempre reinou em nossa relação com você e com nossos parceiros, eu me senti confortável para escrever esse texto.

A iniciativa foi totalmente minha, para deixar claro que a Empiricus possui problemas e já cometeu erros. No entanto, existe um compromisso profissional por parte de toda a equipe em oferecer o melhor conteúdo para seus clientes, traduzindo os desafios do investidor em oportunidades.

Lembre-se que sua experiência com o aprendizado se tornará cada vez melhor na medida em que a aplicação do que você aprende se torna algo natural. Você precisa experimentar, testar, fazer, aprender com “a mão na massa”.

Aquela história típica “perdi dinheiro com as recomendações da Empiricus, os caras são picaretas” denota falta de maturidade. Eles são uma casa de análises, mas quem interpreta e toma as decisões é você.

O mercado financeiro reage de forma irracional em muitos momentos, e o imprevisível se faz presente sempre, principalmente no Brasil. No final, você precisa ter sempre um Plano B para que em situações inesperadas você tenha sempre o controle de suas ações. Até a próxima!

Ricardo Pereira
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