Endomarketing: o que quer o funcionário?É visível dentro de qualquer empresa o fato de que trabalhar com o recurso humano, estimulando-o e capacitando-o, é sem sombra de dúvidas uma das tarefas mais árduas para os administradores modernos, independentemente se o ambiente é um escritório ou se é um chão-de-fábrica. Lidar com as pessoas continua a ser o grande desafio das empresas e da cada vez mais informatizada sociedade.

A realidade é que, mesmo que os gestores de recursos humanos estejam andando a largos passos com relação ao desenvolvimento comportamental de seus colaboradores, é mais do que comum, especialmente hoje em dia, encontrarmos profissionais[bb] desmotivados e desinteressados. Permita-me abordar o exemplo que chamou a minha atenção para esse tema e que me fez redigir este artigo.

Na edição de maio da revista Você S/A (Editora Abril) foi veiculada a reportagem “Sem clima no hangar”, abordando um cenário de desmotivação de grande parte da equipe de engenheiros da empresa Embraer, com sede no interior do Estado de São Paulo. Segundo mostra a materia, a empresa já se dedica a reverter esse quadro com agilidade – espero que isso aconteça, já que se trata de uma empresa de sucesso, de grande prestígio e de importante participação no desenvolvimento da economia e da tecnologia do país.

No entanto, o intuito do texto não é discutir o problema dessa corporação ou aventar alguma solução para ele, mas fazer uma rápida abordagem sobre um elemento utilizado na motivação dos funcionários. A reportagem serve para ilustrar como qualquer empresa está sujeita a apresentar profissionais desmotivados. Aliás, em algum momento de sua vida você se viu desmotivado no trabalho ou percebeu alguém de sua equipe com esse sentimento? Pois, é! “Sim”!

O elemento em questão no texto é conhecido por alguns nomes distintos, mas que em suma possuem o mesmo objetivo: o reconhecimento e a valorização do público interno. Vejamos.

Endomarketing, Marketing Interno, EstusiasMarketing, In Marketing, “Vender o peixe pro funcionário”
Conhecido por todos esses nomes (e outros que ainda desconheço), o endomarketing é o investimento no recurso humano da empresa com o intuito de motivá-lo, para que assim ele atinja o ponto máximo de eficiência enquanto empregado eficaz e ajude a disseminar a marca e a filosofia da empresa entre seus pares.

“Entendemos que a empresa deve ter como preocupação básica gerar entusiasmo pelo que se faz e pelo atendimento ao cliente. (…) A falta disso, por outro lado, pode ser fatal, pode gerar perdas e prejuízos. Não esqueça de que cada funcionário está o tempo todo fazendo ou desfazendo o marketing da empresa onde trabalha.”
Augusto Nascimento e Robert Lauterborn.

Neste sentido, as ações utilizadas pelas corporações são as seguintes:

  • Promover palestras e treinamentos;
  • Incentivar a boa comunicação interna, como por exemplo, através de um jornal interno, happy-hour, intranet etc.;
  • Satisfazer o funcionário com benefícios como, por exemplo, os famosos “vales”;
  • Realizar, com certa periodicidade, pesquisas de opinião.

Embora tudo isso seja mais do que muitas empresas apresentam, sempre há algo mais que pode e deve ser feito. A intenção maior é a de que o colaborador se orgulhe de trabalhar ali, que veja um bom significado para sua função e que ame a sua empresa.

“Quando o amor e a habilidade trabalham juntos, espere uma obra de arte.”
John Ruskin – Pensador, crítico e poeta britânico

“O idealismo do amor é o novo realismo da empresa. Construindo respeito e inspirando amor, a empresa pode transformar o mundo.”
Kevin Roberts – CEO Mundial, Saatchi & Saatchi

Para alcançar esse amor e fazer bom uso do endomarketing, deve-se, segundo os especialistas, obter uma interação entre as áreas de Marketing e de RH, podendo-se fazer uso:

  • De uma política de premiações por metas alcançadas;
  • De incentivo a sonhos[bb] pessoais;
  • De fixação de metas, colocando outros pontos além do lucro, como objetivos principais da empresa;
  • O que mais? Que tal me ajudar a completar esta lista?

Assim, mostrar aos colaboradores não só o faturamento que está por trás da meta alcançada, mas também as diversas conseqüências dessa meta (ambientais, sociais e culturais) pode fazer muita diferença. Significa fazer toda a corporação enxergar que  a todo momento ela vende sonhos, necessidades e/ou possibilidades.

Vejamos alguns simples exemplos: O Google dá ao seu empregado a possibilidade de transformar o mundo online, de usar parte do seu tempo para projetos pessoais e também de interagir com o ambiente de trabalho de forma natural. Isso e muito mais. E o Dinheirama? O blog dá ao leitor a possibilidade de realizar seus sonhos através da educação financeira e do ato de poupar e investir constantemente.

Não se trata apenas do produto. Preocupar-se com esse lado que toca o sentimento é tão importante quanto preocupar-se com o lado que toca o bolso[bb] do colaborador de sua empresa. Será que nossas empresas estão preparadas para lidar com os anseios cada vez mais sofisticados, mas também pessoais e que visam também a realização como pessoa? Está colocado o desafio.

Referências:

  • Nascimento A.; Lauterborn R. Os 4 Es de Marketing e Branding – Evolução de conceitos e contextos até a era da marca como ativo intangível. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.
  • Roberts K. Lovemarks – o futuro além das marcas. Ed. M. Books do Brasil, 2005.
  • RH e Marketing – Entrevista – Você RH

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Bruno Biscaia
já atuou nos setores de Marketing de Eventos e de Planejamento e Controle da Produção. É estudante de Engenharia de Produção Mecânica na Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) e edita a seção de Empreendedorismo do Dinheirama.

Crédito da foto para stock.xchng.

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