No último dia 25, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu manter novamente os juros básicos da economia inalterados em 14,25% ao ano – o maior patamar em mais de nove anos. Foi a terceira manutenção seguida dos juros pelo BC, que parou de subir a taxa Selic em setembro.

De acordo com o site Trading Economics, que avalia as taxas aplicadas atualmente por 150 países, o Brasil tem a 14ª taxa de juros mais alta do mundo. Ou a 137ª menor. (ver ranking).

Segundo Francisco Castro, economista e especialista em finanças públicas, taxas de juros altas causam transtornos muito grandes para o bom andamento da nação, afetando severamente tanto os agentes privados quanto o setor público de um modo geral.

“Juros altos inibem os investimentos das empresas privadas em razão das taxas de empréstimos serem muito elevadas, o setor público tem que incorrer em pesados gastos para pagamento de juros da sua dívida e as famílias e pessoas em geral passam a comprar menos em razão dos custos das compras a prazo e da expectativa de perda de emprego ou da diminuição dos rendimentos”, afirma o economista.

Para o economista Ricardo Amorim, uma confluência de fatores explica taxas de juros tão elevadas, começando pelo gasto público excessivo, que força o governo a tomar muito dinheiro emprestado no mercado, aumentando a procura por dinheiro e, por consequência, tornando a taxa de juros elevada.

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Depois, vem a carga tributária elevada sobre operações de crédito em geral e sobre os lucros bancários. “Em ambos os casos, quem acaba pagando a conta dos impostos são os tomadores de empréstimos”, diz Ricardo.

Em terceiro lugar, o Brasil é o país com o maior nível de depósitos compulsórios entre as maiores economias mundiais. “Quanto mais elevados os depósitos compulsórios, menos dinheiro os bancos têm disponível para emprestar e mais caros ficam os empréstimos”, afirma.

Para completar, com uma grande concentração de mercado em poucos bancos, a competição é limitada, permitindo que os bancos tenham margens maiores do que em vários outros países.

Já os bancos alegam que a principal razão das altas taxas é o fato de o spread bancário (diferença entre a captação e as taxas praticadas dos empréstimos pelas instituições financeiras) ser alto.

De acordo com o Banco Central, o denominado spread bancário é composto pelos seguintes elementos: inadimplência, impostos diretos, margem bruta, margem líquida e custos com subsídios, encargos fiscais e FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Diferente do que acontece em outros países, onde a taxa de juros é determinada pela lei da oferta e demanda, no Brasil, é utilizado o custo da captação e spread, criando assim altas taxas.

Apesar da falta de consenso, é certo que os juros altos denotam certa impaciência dos brasileiros, que preferem consumir imediatamente mesmo que isso implique um custo elevado, o que acaba se traduzindo numa baixa propensão a poupar.

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A baixa taxa de poupança existente no Brasil, o domínio do sistema financeiro sobre o investimento produtivo, onde o governo perde em parte o domínio sobre o mecanismo dos juros existentes no mercado brasileiro, o modelo e a forma como a caderneta de poupança é remunerada, a administração da dívida pública e o modelo econômico implantado a partir de 1999 são os fatores mais importantes que explicam, segundo o economista Francisco Castro, o fato de os juros do país serem extremamente altos.

“O modelo em que a economia brasileira é gerida e mais alguns fatores que dependem de gestão ou de mudanças na legislação, no caso da remuneração da poupança, devem ser alterados para deixar o país pronto para viver com taxas de juros iguais ou muito próximas das que são praticadas em países civilizados”, destaca Castro.

Taxas de juros das maiores economias do mundo

  • Estados Unidos: 0,25%;
  • China: 4,60%;
  • Japão: 0,00%;
  • Alemanha (Zona do Euro): 0,05%;
  • Reino Unido (Zona do Euro): 0,50%;
  • França (Zona do Euro): 0,05%;
  • Índia: 7,25%;
  • Brasil: 14,25%.

Os 13 países que têm juros maiores que o Brasil são: Ucrânia (27%), Belarus (25%), Malauí (25%), Argentina (23,86%), Gâmbia (23%), Gana (22%), Irã (21%), Haiti (20%), Venezuela (19,86%), Moldávia (19,5%), Uganda (16%), Afeganistão (15%) e Iêmen (15%).

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Foto “Pushing interest rate”, Shutterstock.

Isabella Abreu
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