A menos que uma pessoa ganhe na loteria ou descubra ser herdeiro de uma grande fortuna, ela terá que construir um patrimônio gerador de renda crescente capaz de suprir suas necessidades quando não puder trabalhar. Quanto mais cedo começar, mais cedo alcançará sua independência financeira. O tempo médio para se atingir a independência financeira gira em torno de 10 a 15 anos. Portanto, o ideal é sair da zona de conforto e começar já.

Qualquer um pode enriquecer se seguir os passos certos. Neste artigo descreveremos os 4 passos para você enriquecer com saúde.

O primeiro é o planejamento financeiro. Ele fará com que sobre dinheiro todos os meses. Uma forma de fazer sobrar dinheiro sem privações é encontrar a forma mais barata de levar uma vida rica, isto é, fazendo o que gosta e que gera prazer e recompensa, gastando menos. Clubes de viagens, usar cupons de desconto e milhas e evitar o pagamento de juros para adquirir bens são maneiras viáveis e eficazes de diminuir gastos com tributos para focar em outras prioridades.

Uma etapa importante do planejamento financeiro é o planejamento tributário, através do qual é possível reduzir a carga tributária usando ferramentas lícitas como o PGBL e o livro caixa para profissionais autônomos não assalariados.

O segundo passo é criar uma reserva de segurança. A reserva de segurança é uma provisão financeira alocada em ativos de baixo risco e de alta liquidez, que lhe permita resolver problemas financeiros de curto e médio prazos sem depender do salário ou outra fonte de renda ativa, nem recorrer a empréstimos ou soluções que causem endividamento.

O tamanho da reserva varia de acordo com as circunstâncias de vida de cada um, mas é aconselhável ter um montante capaz de pagar as contas por, pelo menos, 12 meses. Esta reserva pode ser alocada em um ou mais dos ativos como CDBs (Certificados de Depósito Bancários) pós fixados, com liquidez diária, resgate automático e que paguem pelo menos 100% do CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro); Fundos DI com taxa de administração de até 1% ao ano já contam com liquidez diária e possibilidade de resgate em D+0 ou mesmo em D+1 e apresentam alto grau de conservadorismo, o que significa baixo risco e até Tesouro Selic, que tem liquidez diária, apesar da variação destes títulos no mercado é baixa comparada aos demais títulos públicos.

Sempre que a reserva de segurança for consumida, total ou parcialmente, ela deverá ser reconstituída tão logo as condições se normalizem, pois ela confere proteção à carteira de investimentos.

O terceiro passo consiste em segurar o patrimônio ainda em construção ou mesmo o patrimônio já construído para o caso de uma eventualidade desagradável, isso é o que chamamos de proteção financeira patrimonial.

A proteção patrimonial é feita através de seguros. Os três produtos principais são:

  1. Seguro de Vida Resgatável (SVR): Geralmente é contratado por períodos definidos de 5-30 anos. Neste período você realiza aportes mensais determinados conforme o valor do capital segurado. Em caso de morte do segurado em vigência do seguro, a seguradora garante o pagamento do capital segurado aos beneficiários indicados. Se, ao final do prazo contratado, a morte não tiver ocorrido, o segurado pode resgatar parte do valor que foi aplicado (parcela resgatável) corrigido por um índice, usualmente o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, usado como índice oficial da inflação no Brasil) e acrescido de uma taxa atuarial de até 3% ao ano ou ficar recebendo renda mensal vitalícia ao término do período de pagamento do SVR, em vez de resgatar o valor.
  2. Diária por Incapacidade Temporária (DIT): bem conhecido por profissionais que dependem do corpo para gerarem renda. Em caso de alguma necessidade de afastamento temporário do trabalho na qual toda ou parte de sua renda fique comprometida, o DIT garante coberturas de até R$ 30 mil mensais (R$ 1.000,0/dia). O DIT tem baixo custo em relação aos benefícios, é de fácil contratação, conta com agilidade no pagamento do benefício, pode ser ajustado no decorrer do plano e pode ser cancelado sem burocracia ou multa.
  3. Seguro de Responsabilidade Civil: destinado a profissionais como médicos, engenheiros, dentistas dentre outros. No Brasil está sendo cada vez mais frequente a ocorrência de processos ético profissionais por erros, implicando em gastos para o profissional em caso de condenação.

Para quem ainda não tem uma reserva de segurança constituída, é aconselhável fazer primeiro ou concomitantemente a proteção patrimonial uma vez que, na hipótese de algum evento desagradável ocorrer, você já estará segurado.

Para terminar chegamos ao processo de criação e multiplicação do patrimônio gerador de renda crescente. Um dos grandes erros que impede que as pessoas enriqueçam é investir sem ter cumprido os três passos anteriores. O investimento é a última etapa do processo de criação de riqueza. As etapas anteriores permitirão que a carteira cresça sem ser agredida ao longo do caminho.

Uma carteira de investimentos deve conter produtos de renda fixa e de renda variável em diferentes proporções. A proporção é dada pela regra dos 100, na qual 100-idade = Proporção a ser investida em renda variável. Esta regra diz que o percentual equivalente à sua idade atual deve ser investida em renda fixa.

Por exemplo, se você tem 40 anos, deve investir 40% da sua carteira em renda fixa e 60% em renda variável. Note que, com o avançar da idade o montante em renda fixa aumenta em detrimento da renda variável. Para isso, o ajuste da proporção a ser investida em renda fixa deve ser feito anualmente, preferencialmente no seu mês de aniversário, sempre buscando manter a proporção correta. Esta proporção garantirá o máximo de eficiência para a carteira.

Como montar uma carteira de renda fixa

Produtos de renda fixa são títulos que pagam, em períodos definidos, uma certa remuneração, que pode ser determinada no momento da aplicação (pré-fixados) ou no momento do resgate (pós-fixados). Funcionam como um empréstimo ao emissor do título que pode ser uma instituição financeira (usualmente banco), uma empresa privada (debêntures) ou o Governo Federal (Títulos Públicos).

Os títulos pós-fixados utilizam a taxa SELIC (taxa básica de juros do país), o IGPM (índice de inflação da FGV) ou o IPCA (índice de inflação do IBGE) como indexadores. Com exceção dos Títulos Públicos e das debêntures, os demais produtos tem garantia do Fundo Garantidor de Crédito no limite de R$ 250 mil por CPF por instituição financeira (com limite máximo de R$ 1.000.000,0).

A tabela de Imposto de Renda sobre o rendimento é regressiva conforme o tempo de permanência do investimento, sendo de 15% (acima de 720 dias), 17,5% (de 361-720 dias), 20% (de 181-360 dias) e de 22,5% (até 180dias). Para resgates com menos de 30 dias, incide também o IOF regressivo. De posse destas informações básicas, vamos aos principais produtos de renda fixa.

Certificado de Depósito Bancário  (CDB)

Utilizado pelas instituições financeiras para captar recursos e financiar suas atividades. A rentabilidade é atrelada ao CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro) ou ao IPCA acrescido de uma taxa fixa.

Letras de Crédito

Instrumentos de captação de recursos por instituições financeiras para financiar o setor imobiliário (Letras de Crédito Imobiliário – LCI, lastreadas em hipotecas) ou o setor agrário (Letras de Crédito do Agronegócio – LCA, lastreadas nas atividades do agronegócio).

Títulos Públicos

Instrumentos de captação do Tesouro Nacional para financia os gastos do governo. Podem ser adquiridos diretamente pelo site através do programa Tesouro Direto. O valor mínimo é de R$ 30,0. Tem liquidez diária. Podem ser pré ou pós fixados. A garantia é do Tesouro Nacional, não do FGC. Não paga taxa de administração, mas paga a taxa da Bovespa (0,3% sobre o valor investido anualmente).

Debêntures

Títulos emitidos por empresas de capital aberto para financiar suas atividades. Podem ser pré-ou pós-fixadas. As debêntures de infraestrutura são isentas de IR e IOF para pessoa física. Debêntures de grandes empresas (blue chips) costumam remunerar menos que as debêntures de pequenas empresas (small caps), portanto com possibilidade de retorno melhor que os demais produtos de renda fixa.

Como montar a carteira de renda variável

Diferente dos produtos de renda fixa, na renda variável não há como saber qual será o ganho num determinado período.

Apenas sabemos que, no longo prazo, os ganhos serão maiores do que na renda fixa. Aqui veremos dois produtos de renda variável imprescindíveis para o sucesso de qualquer carteira de investimentos.

Investimento em ações

A estratégia aqui utilizada chama-se venda coberta de remuneração. É uma estratégia feita em duas etapas. A primeira consiste na compra de ações de empresas boas e lucrativas, escolhidas mediante critérios fundamentalistas. A segunda etapa consiste na venda de opções sobre as ações. Para negociar ações e opções é preciso ter conta numa corretora de valores, a qual disponibilizará a plataforma de negociação chamada homebroker.

Utilizando a venda coberta de remuneração é possível obter rendimento mensal diferenciado com a carteira de ações e aumentar o tamanho da carteira ao longo do tempo. Como a venda de opções é feita uma vez por mês, você não precisará abrir mão de sua rotina de médico para obter este ganho e também não precisará ficar o dia todo em frente ao computador. Enfim, a venda coberta de remuneração é uma forma inteligente de usar o tempo e o mercado de ações ao seu favor.

Investimento em Fundos Imobiliários (FIIs)

FIIs são uma forma eficiente de investir em ativos imobiliários acessível a qualquer pessoa. Apresentam uma série de vantagens que os tornam atrativos.

Os FIIs são fundos de investimento cujo objetivo é investir, principalmente, em imóveis físicos ou em papeis com lastro imobiliário. O valor do FII é dividido em cotas que são negociadas no mercado de maneira simples e fácil. Ao comprar cotas de um FII, o você ganha de duas formas. A primeira é através da valorização das cotas ao longo do tempo. A segunda é através do recebimento dos rendimentos mensais.

Todo FII deve repassar 95% do seu lucro mensal aos cotistas na forma de rendimentos mensais. O rendimento mensal dos FIIs é isento do pagamento de IR. Assim, quanto mais cotas você possuir, mais rendimentos receberá.

Para concluir deve-se atentar que na fase de acumulação os ganhos devem ser usados para comprar mais ativos e aumentar o tamanho da carteira. Na fase de utilização, os ganhos deve ser para pagar suas contas e, desta forma, terá conquistado a tão sonhada independência financeira e passará a trabalhar por gosto e não mais por necessidade.

Francinaldo Gomes
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