O final do ano está aí e para muita gente esse é um momento associado a alegria, festas e compras, muitas compras. Alguns associam o consumo aos momentos de felicidade, mas será que essa equação é realmente verdadeira?

 A relação entre prazer e consumo sempre foi muito explorada: é assim nos milhares de anúncios e propagandas as quais estamos expostos todos os dias. Desde pequenos somos compelidos a acreditar que “comprar traz felicidade”.

Quando se trata de compras, a linha entre prazer e compulsão é muito tênue – e costuma ser ultrapassada com frequência. O problema vai muito além do que imaginamos: a maioria das pessoas não sabe, mas nossa sociedade foi e é estimulada a comprar muito, mesmo quando não precisa.

Somos instigados a ponto de sentir a necessidade de comprar para não nos sentirmos diferentes. É como se não fôssemos os mesmos sem determinado produto. Estranho?

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Entenda o que traz prazer de verdade

O consumismo se baseia em algo muito claro: o prazer momentâneo! As pessoas que compram sem necessidades reais tendem a ter um prazer rápido e intenso, mas que logo passa.

A partir daí muitas pesquisas mostraram que a mesma área do cérebro que é ativada ao comprarmos algo é também a da sensação de euforia criada a partir do uso de drogas. Nosso cérebro interpreta a compra de algo como um momento de intenso prazer.

E, assim como acontece com outras coisas que também geram prazer, devemos agir com cuidado e equilíbrio senão a conta fica cara demais (e o que era prazer logo se transforma em pesadelo).

A regra é clara: antes de comprar alguma coisa, independente da condição ou promoção envolvendo o produto, é fundamental entender se realmente precisa daquele item. Esta resposta, quando conseguida com sinceridade, tende a estabelecer uma relação direta entre a real necessidade de comprar e os centros de prazer do cérebro.

O primeiro passo para qualquer caso de consumismo é entender o que de fato é necessidade. A maioria das pessoas consumistas ao extremo não acha que está fazendo algo errado, mas sim que tais compras são “indispensáveis”.

Comprar sempre é algo bom, que remete a uma conquista, mas isso precisa realmente fazer sentido e trazer algum retorno que seja maior que o simples prazer momentâneo. Lembre-se: o planejamento é sempre o melhor caminho.

Neste sentido, é importante buscar entender quais são e como funcionam os mecanismos que as empresas usam para fazer as pessoas acreditarem que precisam de fato de algum produto.

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Prazer e consumismo, armas utilizadas pelo marketing

A empresas querem que tenhamos sempre a postura de comprar e, para que isso aconteça, elas utilizam mecanismos que estimulam nossa “necessidade de compra”. Conheça alguns deles:

1. Preços terminados em 7 ou 9: pesquisas de mercado mostram que produtos que apresentam os números 7 ou 9 no final tendem a ser mais vendidos;

2. Promoções “relâmpago”: também conhecidas como gatilho da escassez, as promoções que estão terminando tendem a fazer com que as pessoas comprem mais rápido determinado produto;

3. Combos: muitas vezes, as empresas usam de estratégias como vender em “combos” para te empurrar algo que você não quer.

Conclusão

Perceba que as empresas não estão erradas, nem devem ser classificadas como “do mal”. Elas apenas usam estratégias para vender. As pessoas precisam ter inteligência para entender que a decisão de comprar algo não pode ser baseada apenas em prazer, mas também em utilidade e planejamento. Sua independência financeira passa por isso! Até a próxima!

Foto “shopping”, Shutterstock.

Ricardo Pereira
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