Entre o pré-sal, o governo, a Petrobras e a PetrosalMarcelo comenta: “Ricardo, o presidente Lula decidiu pela criação de uma nova estatal para gerir as reservas da camada pré-sal. Na prática, qual o impacto dessa decisão pros acionistas da Petrobrás? Obrigado.”
Bruno diz: “Hoje ouvir dizer que o governo está discutindo a idéia de criar uma outra empresa (de preferência estatal) para cuidar exclusivamente das bacias de pré sal. Pra quem tem ações na Petrobras, isso é bom ou ruim? Obrigado.”

Em meio à recente queda no seu valor de mercado, graças à queda do preço internacional do petróleo, a Petrobras parece que irá perder a disputa política que escolherá quem irá explorar as camadas de pré-sal repletas de petróleo e capazes de mudar a dinâmica da economia brasileira. O investidor[bb] está preocupado.

Pré-sal? Hein?
As camadas de pré-sal são os reservatórios que se encontram em camada de sal que abrange a área litorânea que vai do Espírito Santo a Santa Catarina, com 800 quilômetros de extensão e até 200 quilômetros de largura, em lâmina d’água que varia entre 1,5 mil e 3 mil metros e soterramento entre 3 mil e 7 mil metros.

Em suma, trata-se de um super reservatório de petróleo capaz de levantar uma questão central importante: como o governo pretende administrá-lo e quem irá explorá-lo comercialmente? O assunto vem chamando a atenção e tem causado certa apreensão nos investidores da maior empresa brasileira na bolsa de valores[bb].

Os pré-sal e as ações na bolsa de valores
É fato que os ganhos dimensionados através da exploração dos novos campos certamente levariam a uma grande valorização dos papéis da empresa. Mas o momento é de outra discussão. O que se apura até agora é a inclinação do governo em criar uma nova estatal, já apelidada de Petrosal, que seria responsável pela exploração das áreas, dentro de um novo modelo e com regras rígidas favorecendo o controle do estado.

O modelo de exploração
Até o momento, as declarações do Presidente Lula e de membros do governo levam a crer que a operação seria uma cópia do modelo norueguês, onde há uma estatal que apenas administra as reservas, não existindo leilões nem licitações para decidir quais companhias irão extrair o óleo das reservas – cabendo esse papel ao governo.

Sendo assim, em tese, nada impediria o governo de escolher, a partir dos interesses envolvidos, um contrato partilhado com a Petrobras ou outra exploradora capaz de investir pesado em tecnologia[bb] para a exploração da área. No modelo, os valores conseguidos pela produção seriam divididos. Em alguns países, como a Venezuela, o governo tem participação superior a 80% na divisão dos resultados. Será assim no Brasil?

Nem tudo são flores…
Apesar da grande euforia do mercado em torno das reservas, a real capacidade da produção e o custo da exploração são verdadeiras incógnitas. Mais, são fatores de suma importância para que as reservas possam, de fato, ser economicamente viáveis. Alguns entusiastas alertam para o suposto potencial encontrado e suas dificuldades técnicas:

“Estamos esquecendo que o custo de extração na Arábia Saudita é de menos de US$ 1 por barril. Aqui, estamos falando em reservatórios a mais de 200 quilômetros da costa e a 7 mil metros de profundidade” (Francisco Gros – Ex-Presidente da Petrobras)

A realidade, a partir desse contexto, é simples: o processo de extração de petróleo em águas muito profundas é complexo e caro. Pensando nisso, me parece que a Petrobras pode estar se livrando de um problema, pois teria que investir muito para conseguir chegar ao resultado desejado.

Resumindo, o cenário é de indefinição. Talvez esse seja o grande foco de instabilidade e insegurança para os investidores[bb], principalmente os internacionais, que mesmo após as demonstrações de sobriedade e seriedade por parte do país, ainda colocam a falta de critérios e as muitas mudanças na legislação como motivos de constante preocupação.

A Petrobrás segue firme e forte. Por muito tempo.
No frigir dos ovos, o novo modelo não parece representar um grande perigo ao desenvolvimento e ao sucesso da Petrobras. Seus resultados apresentados são sólidos e os planos de crescimento e investimentos futuros são promissores.

Como exemplo desta realidade, cabe lembrar que o plano de investimento geral da empresa prevê aportes de US$ 112,7 bilhões até 2012. A meta é aumentar a produção de 2,3 milhões de barris para 3,2 milhões em 2012 e para 4,1 milhões em 2015. Como? Com pré-sal ou sem pré-sal.

Dividir os custos de extração pode ser uma alternativa interessante para explorar as novas descobertas que governo pretende controlar. Pode. Independente disso, a Petrobras tem dois poços perfurados na reserva de Tupi, além de outros espaços explorados com empresas parceiras, que já garantem reservas adicionais de cerca de 8 bilhões de barris, mais da metade da reserva atual, em torno de 14 bilhões de barris.

Pois é, a empresa ainda tem muito petróleo para processar e muito o que fazer com o que já tem em mãos. Com ou sem pré-sal, a Petrobrás segue sendo uma excelente empresa para se investir[bb]. Bom final de semana.

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Ricardo Pereira é consultor financeiro, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Ricardo Pereira
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