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Nas Entrelinhas das Coletivas da Seleção Brasileira

por Artur Salles Lisboa de Oliveira
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O Brasil da Mundial de Futebol que começará logo, sem dúvida alguma, não está conectado com o Brasil das reivindicações e dos protestos mais recentes. Por mais que não queiramos aceitar, a polêmica cartilha da organização deste Mundial (clique e leia) retrata com precisão muitos de nossos hábitos e costumes.

A pérola do século

O treinador campeão de 1994, Parreira, protagonizou uma verdadeira agressão à inteligência dos brasileiros em uma declaração recente na qual, o hoje coordenador técnico da seleção, afirmou que a “A CBF é o Brasil que deu certo”.

Se valores e princípios éticos não tivessem relevância alguma, a assertiva de Parreira poderia até ser levada em consideração diante do patrimônio absurdo acumulado pelo ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, cujo nome prefiro subtrair desse texto.

Sedes portentosas, salários elevadíssimos, mansões em Miami, transações nebulosas, autoritarismo e truculência, dentre outros aspectos, encheram os olhos do ex-treinador da seleção brasileira a ponto de fazê-lo afirmar que nós brasileiros deveríamos seguir os passos dos cartolas.

O Brasil do puxa-saquismo?

O descompasso entre o discurso dos jogadores e as reivindicações das ruas é evidente. Nitidamente, os jogadores da seleção não perceberam ainda o que se passa nas ruas do Brasil. Talvez por orientação, eles teimem em minimizar o clamor da população ao afirmarem, repetidamente, que os brasileiros irão apoiar a equipe brasileira.

Talvez por certa ingenuidade de quem reside no continente europeu por mais de uma década, as “estrelas” tendem a uma visão reducionista dos movimentos que deverão tomar as ruas durante o campeonato.

Os discursos são sempre os mesmos e seguem na linha “Representar a minha pátria ao lado dos meus familiares e amigos é uma experiência única”. Só faltaram lágrimas nas coletivas de imprensa.

Os jogadores da seleção realmente creem que o futebol para os brasileiros é uma espécie de entidade superior, que todos devem reverenciar; algo como um Deus que guiará o povo brasileiro entre as trevas até a Terra Prometida.

Cinco troféus ganhos, e o país continua adormecido em berço esplêndido. A população tem uma chance única de provar o contrário.

A cumplicidade entre jornalistas e jogadores

Os profissionais de imprensa precisam escrever qualquer coisa para vender notícias e a assessoria da seleção é cúmplice do ócio jornalístico. Dessa forma, monta-se um verdadeiro circo: jornalistas indagando trivialidades (“Quem foi o primeiro a acordar hoje?”) e os jogadores, dando de ombros, respondendo qualquer coisa apenas para preencher os espaços dos jornais impressos e televisivos.

E as coletivas transmitidas ao vivo para todo o País como parte da “cobertura” da Copa do Mundo no Brasil? Acompanhar a equipe brasileira como profissional sério de imprensa é a arte de fazer perguntas com a convicção de que as suas indagações não serão respondidas.

Ao menos a imprensa poderia fazer os questionamentos que todos gostariam de fazer, mesmo com a certeza de que as respostas não virão. Algo tipo “Senhor Parreira, de que galáxia o senhor veio?” ou simplesmente agradecer-lhe pelos serviços prestados, sem hipocrisia e cinismo.

Escrevi um artigo aqui no Dinheirama falando um pouco mais da nossa realidade atual e convido-o a ler clicando aqui. Precisamos acordar para nossos reais desafios como sociedade e agir como verdadeiros cidadãos. Você concorda? Comente abaixo. Obrigado e até a próxima.

Foto “Brazil soccer ball”, Shutterstock.

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