Dizem que o brasileiro é um povo criativo e tem sangue empreendedor, mas que muitas vezes esbarra na distância entre as ideias, a prática e os grandes players do mercado nacional e mundial. Mas, as oportunidades estão sempre perto para aqueles que estão atentos a elas e, principalmente, dispostos a dar duro pelo seu sonho.

E tem “gente grande” de olho na capacidade de empreender que temos por aqui. Estou falando de nada mais nada menos que as gigantes alemãs Siemens, Volkswagen, BASF e Bayer, que, junto com a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, estão promovendo a quarta edição do Prêmio de Inovação Brasil-Alemanha.

O prêmio é a porta de entrada para dois programas fantásticos para startups, que são o AHK Startups Accelerator e o AHK Startups Hub.

Para falar sobre esse assunto conversei com ninguém menos que Paulo Stark, CEO da Siemens do Brasil e líder do Comitê de Inovação da Câmara Brasil-Alemanha, que recebeu o Dinheirama com muita gentileza e trouxe aos nossos leitores um conteúdo imperdível. Veja como foi.

Paulo, antes de mais nada gostaria de agradecer a oportunidade em nome da equipe e dos leitores do Dinheirama.

Paulo R. Stark: Eu que agradeço a oportunidade de falar sobre um tema tão importante para todos nós.

Estamos vivendo uma nova crise e é inevitável perguntar: como você vê o momento atual para quem quer empreender e, ainda, você concorda com a afirmação de que o “mercado brasileiro é tóxico aos negócios”?

P.R.S.: Empreender já não é para qualquer um, e os desafios impostos aos empreendedores brasileiros são ainda maiores do que na média global. Mas talvez bem por isso, é que muitas boas ideias de negócios e muitos negócios bem sucedidos tenham nascido no Brasil. O ambiente, tóxico ou não, é que forja os empreendedores mais resilientes, realizadores e inovadores. Quer ter certeza de que sua ideia, seu negócio é mesmo bom, venha desenvolve-lo e testa-lo aqui no Brasil.

Criar um negócio de sucesso depende de muitos fatores, e um deles é o “timing”. Saber a hora de investir no desenvolvimento da ideia, quando novas tecnologias estão mudando a forma de se fazer negócios, e a hora de se lançar, quando outros estão deixando o campo livre, são alguns dos fatores críticos de sucesso. É uma conjunção de fatores que está ocorrendo agora mesmo!

 O “Prêmio Brasil-Alemanha de Inovação” está em sua quarta edição, certo? Quais foram os resultados desde que ele começou? Houve continuidade dos projetos apresentados e a aproximação desses empreendedores com as empresas que promovem o evento?

P.R.S.: Sim, o Prêmio, que  acontece desde 2013,  é uma iniciativa da Câmara Brasil-Alemanha que visa aumentar a visibilidade de empresas inovadoras, fomentando negócios e parcerias. Seu principal objetivo é identificar e reconhecer as inovações em produtos ou processos realizadas por empresas brasileiras e alemãs instaladas no Brasil, além de catalisar oportunidades que promovam a relação Brasil-Alemanha.

Até a edição passada (2015), o prêmio contava com duas categorias: “Desafio” e “Startups e PMEs”. Nestes últimos três anos, foram premiados dezenas de projetos inovadores, além de envolvermos mais de 300 executivos e especialistas ligados ao tema. Para fomentar a aproximação dos empreendedores com as empresas que promovem o evento,  criamos este ano outras duas ações para este e outros objetivos: o programa AHK Startups Accelerator e a categoria especial de associação AHK Startups Hub.

O conjunto destas duas novas ações mais o Prêmio Brasil-Alemanha de Inovação dão forma a iniciativa Startups Connected, lançada no contexto do crescimento da utilização do modelo de inovação aberta e em comemoração ao centenário da Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo.

Paulo, eu imagino que existem projetos interessantes que, por algum motivo, não vencem o prêmio. As empresas olham para esses projetos também?

P.R.S.: Sim, uma vez que temos uma banca julgadora, composta por representantes de diversas empresas associadas, que escolhe os projetos finalistas, todos os projetos acabam tendo exposição à potenciais parceiros e investidores. A partir deste ano, com o lançamento do programa AHK Startups Accelerator, iremos potencializar esta relação entre as empresas e as startups. Este programa tem como objetivo promover, durante três meses, a conexão entre as partes citadas, além do próprio desenvolvimento das startups.

Qual o número de participantes esperados para o “Prêmio Brasil-Alemanha de Inovação” este ano?

P.R.S.: Esperamos cerca de 300 inscrições, sendo destas aproximadamente 60 participantes de cada uma das 5 categorias fomentadas. Hoje estas as áreas são: Ciências da Vida (Bayer), Cidades do Futuro (BASF), Cultura (Club Transatlântico), Digitalização (Siemens) e Mobilidade (Volkswagen).

Leitura recomendada: Investir em Startups é um bom negócio?

Quem quiser participar, o que deve fazer?

P.R.S.: Para participar da iniciativa Startups Connected, formada pelo Prêmio Brasil-Alemanha de Inovação, o programa AHK Startups Accelerator e a categoria especial de associação AHK Startups Hub, é necessário se inscrever no Prêmio Brasil-Alemanha de Inovação pelo site www.startupsconnected.com, pois o Prêmio é a porta de entrada, habilitador, para as duas demais ações.

Além da exposição e contato com grandes empresas, o que os vencedores do prêmio levarão “para casa”?

P.R.S.: Além desta visibilidade, as startups vencedoras participarão do processo de seleção para o programa AHK Startups Accelerator. Acredito que este seja o maior benefício oferecido neste programa, pois é o fomento da relação entre as startups e as empresas patrocinadoras. Fora isso, será realizado um diagnóstico das startups finalistas em sua área de atuação com o objetivo de identificar oportunidades e desafios, revisão do modelo de negócio e, a partir daí, será desenvolvido um plano de ação para os próximos três meses com um acompanhamento quinzenal.

As startups vencedoras se tornarão automaticamente associadas à Câmara Brasil-Alemanha pela categoria AHK Startups Hub e poderão adquirir gratuitamente ou com condições especiais serviços e produtos abertos somente para associados no período de um ano.

Qual o foco das empresas patrocinadoras, todas entre os maiores players mundiais de seu segmento, no Brasil? Quero dizer, o empreendedor brasileiro tem algo a mais? 

P.R.S.: Cada empresa tem um foco de acordo com a sua área de atuação e estratégia. Isso pode ser visto por meio das categorias que temos este ano. Na categoria “Mobilidade”, patrocinada pela Volkswagen, o objetivo é encontrar startups tecnologicamente inovadoras que, por meio de um produto, processo ou serviço, consigam gerar um grande impacto no mercado e na sociedade.  Já na categoria “Cultura”, patrocinada pelo Club Transatlântico, o objetivo é identificar startups que realizem atividades inovadoras com um grande impacto em sua cadeia produtiva, e que promovam o desenvolvimento econômico e humano.

Além disso, temos outra três categorias este ano que são: Ciências da Vida, patrocinada pela Bayer. Cidades do Futuro, patrocinada pela BASF e Digitalização, patrocinada pela Siemens, que visa encontrar inovadores capazes criar soluções que usem a tecnologia da digitalização de processos para ampliar a eficiência e a produtividade da indústria.

Há programas semelhantes em outros países, correto? Quais as principais diferenças e semelhanças que encontram? Há algum lugar que salta aos olhos, ou seja, que está muito a frente aos outros no que tange inovação e empreendedorismo?

P.R.S.: Sim, este modelo de trabalho com inovação aberta já é muito utilizado por empresas em outros países e, cada vez, mais empresas incentivam estes programas. Um modelo bem interessante é o Grants4Apps realizado pela Bayer, focado especificamente na área da saúde e que também já está sendo aplicado na Espanha, na China e na Rússia.

Este modelo é bastante interessante, pois os vencedores recebem, além de um investimento para o projeto, um espaço de co-working na sede da empresa em Berlim e sessões de mentoria para apoiar seu projeto. Outra iniciativa, que terá seu início a partir de outubro deste ano, é a unidade Next47 da Siemens, onde criaremos uma sede separada para fomentar ideias disruptivas para acelerar o desenvolvimento de novas tecnologias.

Vale ressaltar que esta unidade será aberta a todos que tiverem interesse em perseguir ideias de negócio em campos estratégicos de inovação da Siemens, ou seja, o espaço estará aberto para empregados, bem como aos fundadores de startups externas e empresas já estabelecidas.

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Gostaria de deixar algum recado aos leitores do Dinheirama? Seja, sobre o empreendedorismo em si ou ainda sobre o “Prêmio Inovação?

P.R.S.: Claro! Existe um ditado que diz: “Inovação é 1% criação e 99% transpiração”. Dito isto, o Premio de Inovação da AHK e as iniciativas associadas está aqui para diminuir a transpiração, e fazer com que boas ideias bem desenvolvidas possam alcançar muito sucesso. Portanto, não perca sua chance. Seja como os fundadores das maiores empresas do mundo, transforme sua startup numa das maiores empresas do futuro.

Obrigado mais uma vez pelo tempo disponibilizado aos leitores do Dinheirama e parabéns por incentivar o empreendedorismo e a inovação, algo tão importante para a manutenção do progresso social e tecnológico do mundo.

 

Renato De Vuono
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