Por Márcio Fenelon, especialista em Imóveis, do canal Criando Riqueza.

Manter um escritório é muito caro. Em Hong Kong, por exemplo, o aluguel de 1 metro quadrado custa em média R$ 600 ao mês. Se pensarmos que cada funcionário precisa de 11 metros quadrados, temos um custo de R$ 6.600 por funcionário por mês!

Nas regiões mais caras do Brasil, falamos de preços médios de até R$ 275 por metro quadrado, o que levaria a um alto custo, de incríveis R$ 3.025 mensais por funcionário, somente com aluguel.

Com um custo tão alto, será que as empresas pensam em alternativas que acabem com a necessidade de escritórios? E como ficam os investidores em imóveis comerciais?

Presença virtual

Já existem softwares que podem ser instalados em laptops que permitem um monitoramento de um funcionário que trabalhe de casa (ou do Starbucks). O empregador pode monitorar horários e tarefas realizadas.

Há também ferramentas populares de comunicação via vídeo, como o Skype e o  Hangout do Google, que possibilitam a conexão imediata a qualquer um que tenha um smartphone ou computador.

É inegável, porém, que esse modelo de comunicação fica longe do ideal para equipes que estão envolvidas em atividades mais complexas e precisam de interação constante. Se você precisa marcar um Skype ou mandar um e-mail para resolver pequenas questões frequentemente, a presença virtual é contraproducente.

Imagine uma mesa de operações no mercado financeiro em que os operadores precisam trocar informações a cada minuto, por exemplo. Ou nos casos em que diretores de uma empresa que trabalham numa sala aberta, na qual ficam trocando ideias sobre negócios que estão sendo desenvolvidos o dia inteiro.

Além dessa necessidade de comunicação imediata, existe um valor nas interações espontâneas que acontecem no cafezinho, nos corredores, nas salas de reunião ou no bebedouro. Muitas ideias e negócios ocorrem nesses momentos.

Por último, existe a questão de maturidade e disciplina de funcionários que trabalham fora do escritório e podem se perder no gerenciamento de tempo, perdendo o foco e dando prioridade para questões caseiras, sem que o chefe tenha ideia do que está acontecendo.

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O mercado freelance

A segunda tendência que contribui para a redução da demanda de espaço em escritórios é o mercado freelance . São pessoas que recebem contratos para realizar determinada tarefa, sem manter vínculo empregatício. Com o encerramento da tarefa, acaba o relacionamento com o contratante.

A economia freelance tem crescido no mundo inteiro, porém, ainda parece estar muito restrita a negócios ligados à internet, área que naturalmente mais se encaixa. Uma pesquisa feita pela Prolancer indica que 36% de seus clientes são designers gráficos e 29%, programadores web. Ainda é um mercado de nicho. Uma mudança cultural mais profunda, espalhando esse tipo de prática para outros setores está longe de acontecer no Brasil.

Compartilhamento

Você não tem direito a uma mesa fixa se trabalhar em uma empresa do Grupo Semco, de Ricardo Semler. E você encontra a mesma situação em algumas unidades da Unilever, General Eletric, Votorantim Cimentos e Jones Lang LaSalle. Acontece que os funcionários dessas empresas viajam muito, estão constantemente visitando clientes e fornecedores ou trabalham alguns dias da semana em suas casas, deixando mesas vazias por muito tempo. E espaço vazio é muito caro.

Essas empresas resolveram que ninguém teria mesa fixa. Cada um recebe um armário para guardar suas coisas e tem de procurar uma mesa no começo do dia. Assim, a necessidade de espaço é reduzida em 20% ou 30%. Acredite, é um bom dinheiro no fim do mês. De todas as tendências, essa me parece a mais real e factível de todas e que irá efetivamente impactar a necessidade de espaço no mercado brasileiro.

Não me surpreenderia ver movimentos de consolidação de escritórios de empresas usando esse artifício. O azar será daquele funcionário que sempre aparece no escritório e pode ficar muito chateado em ter de levantar acampamento todo fim de dia. Para as empresas, parece ser um preço pequeno a se pagar; porém, esse é mais um modelo que não mata escritórios, apenas diminui a necessidade de espaço.

Os escritórios vão acabar? Como ficam os investidores?

Não vamos acabar com os escritórios

Não há no radar nenhum tipo de tecnologia ou mudança cultural que nos leve a acreditar que a necessidade de escritórios acabará no futuro. As interações pessoais ainda têm muito valor e as empresas estão pensando apenas em maximização de utilização de espaços e não de sua eliminação por completo.

Investidores em escritórios, vocês podem respirar aliviados. Abraços e até a próxima!

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Criando Riqueza
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